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[ 3setor ] O SONHO DO MINISTRO JOAQUIM BARBOSA

 - Ramatis Jacinto

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Antonio Fernando Araujo afgaleriaum@gmail.com por  yahoogrupos.com.br 
12 out (3 dias atrás)
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Excelente, vou reproduzi-lo no blog Educom. Valeu, abs.

Em 9 de outubro de 2012 17:34, Rogerio Chaves a href="mailto:rogerchaves@hotmail.com" target="_blank">rogerchaves@hotmail.com> escreveu:
 





O SONHO DO MINISTRO JOAQUIM BARBOSA

Negros que escravizam e vendem negros na África, não são meus irmãos
                                 Negros senhores na América a serviço do capital, não são meus irmãos
Negros opressores, em qualquer parte do mundo, não são meus irmãos...
Solano Trindade


O racismo, adotado pelas oligarquias brasileiras para justificar a exclusão dos negros no período de transição do modo de produção escravista para o modo de produção capitalista, foi introjetado pelos trabalhadores europeus e seus descendentes, que aqui aportaram beneficiados pelo projeto de branqueamento da população brasileira, gestado por aquelas elites. Impediu-se, assim, alianças do proletariado europeu com os históricos produtores da riqueza nacional, mantendo-os com ações e organizações paralelas, sem diálogos e estratégias de combate ao inimigo comum. Contudo, não há como negar que o conjunto de organizações sindicais, populares e partidárias, além das elaborações teóricas classificadas como “de esquerda”, sejam aliadas naturais dos homens e mulheres negros, na sua luta contra o racismo, a discriminação e a marginalização a que foram relegados.

No campo oposto do espectro ideológico e social, as organizações patronais, seus partidos políticos e as teorias que defendem a exploração do homem pelo homem, que classificamos de “direita”, se baseiam na manutenção de uma sociedade estamental e na justificativa da escravidão negra, como decorrência “natural” da relação estabelecida entre os “civilizados e culturalmente superiores europeus” e os “selvagens africanos”. É equivocada, portanto, a frase de uma brilhante e respeitada filósofa negra paulistana de que “entre direita e esquerda, eu sou preta”, uma vez que coloca no mesmo patamar os interesses de quem pretende concentrar a riqueza e poder e àqueles que sonham em distribuí-la e democratizá-la. Afirmação esta, que pressupõe alienação da população negra em relação às disputas políticas e ideológicas, como se suas demandas tivessem uma singularidade tal que estariam à margem das concepções econômicas, de organização social, políticas e culturais, que os conceitos de direita e esquerda carregam.

As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.

Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação, sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores dos poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites. A tragédia, para estes indivíduos – de ontem e de hoje -, se estabelece quando, depois de cumprida a função para a qual foram cooptados são devolvidos à mesma exclusão e subalternidade social dos seus irmãos.

São inúmeros os exemplos deste descarte e o mais notório é a história de Celso Pitta, eleito prefeito da maior cidade do país, apoiado pelos setores reacionários, com a tarefa de implementar sua política excludente. Depois de alçado aos céus, derrotando uma candidata de esquerda que, quando prefeita privilegiou a população mais pobre – portanto, negra – foi atirado ao inferno por aqueles que anteriormente apoiaram sua candidatura e sua administração. Execrado pela mídia que ajudou a elegê-lo, abandonado por seus padrinhos políticos, acabou processado e preso, de forma humilhante, de pijama, algemado em frente às câmeras de televisão. Morreu no ostracismo, sepultado física e politicamente, levando consigo as ilusões daqueles que consideram que a questão racial passa ao largo das opções político/ideológicas. 

A esquerda, por suas origens e compromissos, em que pese o fato de existirem pessoas racistas que se auto intitulam de esquerda, comporta-se de maneira diversa: foi um governo de esquerda que nomeou cinco ministros de Estado negros; promulgou a lei 10.639, que inclui a história da África e dos negros brasileiros nos currículos escolares; criou cotas em universidades públicas; titulou terras de comunidades quilombolas e aprofundou relações diplomáticas, econômicas e culturais com o continente africano.

Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira e bela história de superação pessoal. Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro. Com certeza, desde a proclamação da República e reestruturação do STF, existiram centenas, talvez milhares de homens e mulheres negras com currículo e história tão ou mais brilhantes do que a do ministro Barbosa. Contudo, nunca passou pela cabeça dos presidentes da República – todos oriundos ou a serviço das oligarquias herdeiras do escravismo – a possibilidade de indicar um jurista negro para aquela Corte. Foi necessário um governo de esquerda, com todos os compromissos inerentes à esquerda verdadeira, para que seu mérito fosse reconhecido.

A despeito disso, o ministro Barbosa, em uníssono com o Procurador Geral da República, considera não haver necessidade de provas para condenar os réus da Ação Penal 470. Solidariza-se com as posições conservadoras e evidentemente ideológicas de alguns dos demais ministros e, em diversas ocasiões procura ser “mais realista do que o próprio rei”. Cumpre exatamente o roteiro escrito pela grande mídia ao optar por condenar não uma prática criminosa, mas um partido e um governo de esquerda em um julgamento escandalosamente político, que despreza a presunção de inocência dos réus, do instituto do contraditório e a falta de provas, como explicitamente já manifestaram mais de um dos integrantes daquela Corte. Por causa “desses serviços prestados” é alçado aos céus pela mesma mídia que, faz uma década, milita contra todas as iniciativas promotoras da inclusão social protagonizadas por aquele governo, inclusive e principalmente, àquelas que tentam reparar as conseqüências de 350 anos de escravidão e mais de um século de discriminação racial no nosso país. O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do poder de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”. 

Não há como saber se a maximização do sonho do ministro Joaquim Barbosa é entrar para a história como um juiz implacável, como o mais duro presidente do STF ou como o primeiro presidente da República negro, como já alardeiam, nas redes sociais e conversas informais, alguns ingênuos, apressados e “desideologizados” militantes do movimento negro. O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente. 

Elaborar o maior programa de transferência de renda do mundo, construir mais de um milhão de moradias populares, criar 15 milhões de empregos, quase triplicar o salário mínimo e incluir no mercado de consumo 40 milhões de pessoas, que segundo pesquisas recentes é composto de 80% de negros, é imperdoável para os herdeiros da Casa Grande. Contar com um ministro negro no Supremo Tribunal Federal para promover a condenação daquele governo é a solução ideal para as elites, que tentam transformá-lo em instrumento para alcançarem seus objetivos.

O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.

A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos à quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão para transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país. 

Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário. Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, diretamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista. 

Ramatis Jacino é professor, mestre e doutorando em História Econômica pela USP e
presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial

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Meu prezado Flávio, depois de algum tempo admirando e vibrando com a posição do Ministro Barbosa, diante da realidade incontestável da situação que envolve os crimes pelos quais estão sendo punidos alguns políticos e a falta de ação para esses mesmos crimes e outros tantos cometidos por mais políticos com maior gravidade e consequências danosas para o Brasil, o que me resta é só dúvida

Arisston: A dúvida cumpre papel dos mais importantes em nossas vidas. O conhecimento começa com a dúvida. Só os fundamentalistas acreditam que suas crenças são absolutas. As ideologias estão sempre presentes na cabeça dos homens e orientam seus julgamentos. Os juízes também julgam segundo seus valores, que nem sempre refletem os interesses da grande maioria da população. É muito frequente na vida o uso da lei para prejudicar os inimigos e os que pensam diferente. O que é justo para alguns pode ser muito injusto para outros.

No caso em exame, os juízes ficaram do lado dos que se sentem ameaçados pelas forças populares representadas, bem ou mal, pelo PT, e superdimensionando os acontecimentos, usaram a lei para prejudicar mais do que o necessário, os que a infringiram. Fizeram um julgamento tendencioso, refletindo o que pensam sobre a realidade política do país. Para eles, ameaçada pelas mudanças que vêm sendo feitas em favor dos mais pobres.  

Não é a cor da pele que define o caráter do ser humano. Em nossa própria história pode-se constatar negros sendo manipulados, pelos brancos europeus que aqui chegaram, para reprimir seus semelhantes e aldeias indígenas sendo usadas no extermínio de outras que resistiam à escravidão.

Na África do Sul, Mandela conseguiu liderar o povo na luta contra o racismo. Porém, a desigualdade social é muito grande! Lembro-me que existiram protestos de grande porte, até na construção daqueles estádios para a copa do mundo. Foram investidos bilhões de dólares em estádios que se tornaram elefantes brancos. Faz poucos tempo, a polícia metralhou operários que pleiteavam aumentos salariais numa indústria inglesa. Mais de 30 mortos! Comenta-se que a corrupção alastrou-se, em todos os níveis. Lá, também, poucos mandam e desmandam. O povo paga a conta.

A classe média deve estar a discutir a peste da corrupção, porém nada faz. Se alguém propor algo como MOVIMENTO POR UM PARTIDO, como publiquei no blog, vai ser considerado um utópico, uma pessoa que perdeu a lucidez. Entrar num movimento pacífico para elaborar as mudanças dá muito trabalho! Quase todos desejam mudanças, desde que sejam os novos caciques!

Infelizmente, alguns atores julgaram que poderiam usar as mesmas armas utilizadas por outros no passado, esquecendo-se das promessas de mudar o nosso país não só econômica mas eticamente, também.

Nada de poder só pelo poder! Nosso povo precisa ser mobilizado, esclarecido, para as grandes e urgentes transformações que o nosso país necessita. E a prioridade das prioridades continua sendo investir 15% do PIB na EDUCAÇÃO, como proponho em UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL. Nossa classe média, até boa parte considerada de esquerda, pouca importância tem dado ao tema!   

Lafaiete: Como vês a ideologia é fundamental na explicação das condutas. O maior mal dos dominados é que aceitam a ideologia dos dominadores. Nosso papel é mostrar aos dominados que eles não devem aceitar ser defensores dos interesses dos dominadores. No caso do Ministro Barbosa, ele certamente acha que foi aceito pela classe dominante e, como tal, passa a ser defensor do que a ela convém. Talvez, esqueça que sendo negro está muito mais próximo da maioria mais pobre do que da elite que ele defende, sob o pretexto de estar sendo rigoroso na aplicação da lei. Coitado, sabe tanto e conhece tão pouco do mundo injusto em que vivemos! 

O fantasma do capitão do mato que tanta repulsa provoca, reforçou de alguma forma essa aliança do pobre com o PT. A final de contas, quem sempre é condenado não é o pobre e mais se for negro...

Já ouvi falar do receio de transformar em mártires os réus, se levados a prisão.  

Companheiros, o que não dá pra entender é a falta de seriedade e proposta nessas ações que envolvem todos os Ministros do STF, uns com sede de punição, outros com receio de estar punindo um inocente e são esses os menos bandidos e outros, votando de acordo com os compromissos assumidos com o poder e quando falo compromissos assumidos com o poder, é que existem Ministros propriedades de ex-presidentes que votam de acordo com a ordem do patrão, o certo é que não se pode de sã consciencia acreditar em nenhum membro do STF diante do espetáculo que eles apresentam, para mim, o Ministro Barbosa conseguiu construir uma sua imagem valorosa saindo na frente nessa caça às bruxas, sendo o primeiro Ministro do STF a enfrentar o poder político, porém iniciando a faxina pelo quintal, mostrando sua condição de partidário por mostrar toda sua fome na punição ao PT, esquecendo-se que em momento algum ele justificou sua omissão diante dos demais mensalões e do que há de denúncia contra o ex presidente FHC que é público e notório comprou escandalosamente o seu segundo mandato, isso não falando em outras horríveis omissões do heroi Barbosa quando foi omisso às tantas Operações da Polícia Federal assassinadas pelo STF e a mais escandalosa de todas elas a Satiagraha que segundo a voz do povo o bandido identificado pela Satiagraha Daniel Mendes é cliente do Ministro Gilmar Dantas que não só defendeu esse bandido como outros tantos e o Barbosa, o que é que fez? se não bateu palmas, ficou silente diante de tantos escandalos horrorosos, assim, não se pode ver esta palhaçada do STF e de quem quer que seja de seus membros, dar uma de espertalhão para se sair bem perante a opinião pública brasileira; O que eu desejaria mesmo é presenciar qualquer dos atuais governantes, políticos, quase impossível, Ministros, quem sabe exista algum, aproveitar o momento propício nunca ant es visto no Brasil, criado pela presidenta Dilma e levantar bandeira para punir quem quer que seja, tenha o nome que tiver, sido o que for na política brasileira anunciar publicamente a grande faxina no sistema governamental brasileiro, citar os bandidos e envolve-los num processo de punição, aí sim teriamos um verdadeiro Show de limpesa total deste Brasil, mas isso jamais acontecerá, quem sabe um dia, que não será para a atual geração. Não nos permitamos servir de boi de piranha para esse imundo Judiciário. Eta por.....................................

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