Combater a fome com restrições a produção de alimentos é uma política equivocada e impossível de ser praticada em qualquer lugar do mundo.

Ninguém reflorestará área nenhuma na marra, assim como na marra não produzirá alimento algum para uma população consumidora, sem exceções. A atividade agropecuária é de altíssimo risco e só se aventura através da mesma quem tem incentivos e perspectivas de bons resultados financeiros, a não ser por absoluta falta de opções, como o sertanejo que passava fome com a família porque não havia a vaga de servente de pedreiro na cidade mais próxima.

Imaginem essa atividade com restrições de todos os lados ao invés de benefícios, no que resultará? Incentivos existem na monocultura da cana-de-açúcar, destinada à produção de combustíveis para os nossos veículos poluírem menos e melhorar a nossa respiração, só que, de barriga vazia, chega uma hora que nem no balão de oxigênio sobreviveremos.

Há mais de dez anos, ao menos cinco dias por semana, fazemos compras em uma central de abastecimento e a escalada de preços dos últimos meses, agravada pelo problema da seca preocupa, principalmente porque observamos que não se trata somente dos produtos regionais afetados pela estiagem e sim de um modo mais abrangente, onde os preços de alguns itens sobem e não descem mais, quebrando a regra da sazonalidade.

No nosso modesto entendimento, só há uma maneira de combater a fome que é através da fartura de produtos alimentícios no mercado, pois com desabastecimento é impossível corrigir salários de modo a acompanhar o aumento brutal de uma cesta básica, sem que haja um processo generalizado de inflação.

A economia brasileira e o País como um todo, experimenta esse desenvolvimento em conseqüência dos ganhos sociais implementados pelo incremento do salário mínimo nos últimos anos, que transformou o assalariado de sobrevivente em pequeno consumidor, a medida que começaram a sobrar alguns recursos das necessidades básicas como alimentação e moradia.

Entretanto, como a atividade produtiva no campo vem sendo restringida, desde o momento em que passamos a dar mais importância ao IBAMA do que à EMBRAPA, muitos produtores migraram para as cidades e o inevitável desabastecimento começa a mostrar a cara e o quanto se paga para viver num país cujo povo só consome.

Na realidade, a nova classe média engata a ré e, no embalo da onda verde, em pouco tempo voltará a ocupar o lugar de sobrevivente, onde se encontra o beneficiário do Bolsa Família, que passará novamente a ser miserável e o mercado interno pagará o preço do sucesso relâmpago, que teve tudo para se consolidar, quando o pai de família, que aprendeu a comer melhor, deixar o cartão de crédito no prego pensando na barriga.

Aí só nos resta aplaudir o brasileiro que torce contra o Brasil, mesmo sem saber a favor de quem, que, provavelmente, terá alcançado seus objetivos.

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Respostas a este tópico

Há um erro básico em todo este raciocínio que devemos desmatar mais para produzir mais, este erro provém da própria lógica da ocupação de terras para a agricultura e pecuária.

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Durante muito tempo as áreas agriculturáveis foram sendo ocupadas e aquelas que não se mostravam adequadas eram abandonadas, isto ocorreu por milênios na Ásia e séculos nas Américas. Na ausência de áreas de fácil agricultura, por séculos terras secas foram abastecidas através de obras de engenharia do passado sendo, por exemplo, terraços para cultura do arroz no oriente e outra obras que levaram séculos para se tornarem cenários estáveis e produtivos.

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Toda esta agricultura criada em ambientes inóspitos foi construída por um trabalho cultural do dia a dia com reveses que criavam grandes fomes e grandes tragédias, com o passar do tempo (séculos ou mesmo milênios) foi-se entendendo a lógica da natureza local e adaptando os modos de cultura a estas.

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Por outro lado, há por todos os continentes áreas de excelência em que a agricultura era feita de forma extensiva sem muita necessidade de trabalho do homem, áreas como grande parte da França, planícies norte-americanas e mais manchas no Brasil, na África e Ásia. Nestas áreas foi desenvolvida uma agricultura de alto rendimento com apoio ´de intensa mecanização, adubagem e agrotóxicos, todos estes elementos extremamente dependentes de energia.

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No Brasil, verificou-se a presença deste tipo de solo em diversas locais, partes do Nordeste, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul e outras regiões. Toda esta região brasileira pode-se dizer que, de um modo ou outro, ainda não foi atingido um ponto de equilíbrio entre a agricultura e o equilíbrio natural, mas mesmo com contratempos, como a erosão, a salinização e outros problemas as terras são produtivas. Aduba-se, faz-se terraços, emprega-se o plantio direto (que tem suas vantagens, mas começa mostrar suas desvantagens) o promove-se a irrigação mais controlada. Com toda a tecnologia empregada tem-se um balanço positivo até os dias de hoje entre capital investido e capital retornado, com uma peculiaridade, tecnologia baseada da utilização de combustíveis fósseis.

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Agora quando essas terras assumem valores que impedem a compra por muitos interessados numa agricultura intensiva, olha-se com cobiça a áreas até hoje não empregadas, terras estas que foram testadas nos séculos passados e deixadas de lado por problemas de baixa produtividade. Como ainda se dispõe de um petróleo relativamente barato, procura-se ocupar estas terras corrigindo seus defeitos, correção da acidez do solo, irrigação intensiva e daí por diante. Também desmata-se áreas para a agricultura que em poucos anos se encontram esgotadas, neste momento emprega-se sobre elas uma pecuária extensiva que pelo pouco tempo em que está se utilizando ainda não se sabe os seus resultados.

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A partir de todas estas considerações, considerando um cenário de combustível fóssil em declínio, torna-se extremamente temerário o uso de terras para a agricultura e pecuária que tem como única vantagem custo baixo ou nulo na sua ocupação.

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Se não levarmos em conta o custo crescente dos combustíveis devido a sua escassez podemos estar comprometendo biomas que poderiam ser utilizados de outras formas no imediatismo do lucro rápido.

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Tomando por exemplo áreas do Rio Grande do Sul, em que o horizonte fértil era relativamente pequeno e já existia uma tendência a desertificação, o uso inadequado tanto para agricultura ou para uma pecuária intensiva, precipitou a degradação do solo, da mesma forma que áreas irrigadas no nordeste tornaram totalmente inférteis devido a salinização.

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A lógica é simples, se durante milênios ou séculos a agricultura ou pecuária não vingou nestes espaços é simplesmente porque estas terras são inadequadas, não é que por soberba dos pesquisadores e produtores atuais, que se acham na capacidade de dominar a natureza com métodos e sistemas modernos, que devemos desrespeitar a cultura dos nossos antepassados, que testando aquelas terras deixaram de lado de forma triste e com grandes derrotas. O homem ainda não sabe dominar a natureza, ele deve ser um parceiro e não um proprietário.

Brilhante a sua análise, agora, enquanto não se adquire a consciência de que novas práticas precisam ser adotadas no campo, que não passam por desmatamento 100% assim como 0%, é preciso que alguém se valendo dos meios disponíveis produza em larga escala, do contrário viveremos momentos incrivelmente trágicos a curto prazo para uma população que, entre outros abusos, adquiriu o hábito de se alimentar melhor além de o suficiente. Como no futebol o time precisa gostar do jogo, o produtor rural tem que se apaixonar pela atividade, caso contrário muda de atividade, ou, no mínimo, desestimula seus descendentes a continuá-la.

Parabéns e obrigado pelos esclarecimentos a respeito do assunto.

Caro Amauri

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Tem outro detalhe que não comentei. A própria direita norte-americana vem denunciando o uso de terras férteis naquele país para plantar milho e dele extrair álcool. Segundo cálculo de especialistas é necessário mais de meio litro do óleo diesel para se obter um litro de álcool de milho, isto, segundo até os conservadores norte-americanos, está elevando o preço do milho e em todo o mundo e causando mais fome do que outra coisa.

A velha conversa fiada para justificar a depredação da Natureza pelo agrobusiness...
É bem sabido, através da Ciência séria, que há muitas alternativas para produção de alimentos e energia, sem necessidade de agredir desmesuradamente o meio ambiente, como vem ocorrendo desde quase sempre!
E nem precisamos ser reféns das transnacionais que patenteiam organismos geneticamente modificados em seus laboratórios sombrios, pagando alguns cientistas inescrupulosos e governantes corruptos, além de nos envenenarem a mesa e o campo.
Para não me alongar, cito o exemplo dos veículos movidos a eletricidade que as grandes empresas do setor trataram de destruir e/ou esconder, para continuarmos presos aos velhos métodos poluentes, caros e perniciosos a tudo. Idem as mega hidroelétricas, quando se sabe que formas de tornar mais eficientes as já existentes, fazer em pequena escala e buscar as alternativas eólicas, ondas marítimas, etc. Mas, quem lucra mais com a manutenção do status-quo são as mesmas 300 famílias que vivem na sombra do poder mundial, não é mesmo?!

Caro José.

Concordo em grande parte com as tuas opiniões, só faria uma retificação num ponto que é contraditório.

Falas em veículos elétricos, que para mim o importante seria termos um sistema moderno de transporte urbano e suburbano de "bondes" modernos e trens suburbanos movidos a eletricidade, porém há necessidade de geração de energia.

Em todo o mundo, exceto o Brasil, a geração por energia hidrelétrica é considerada a mais limpa de todas as gerações, mais do que a eólica pois esta para os seus geradores precisa de terras raras em abundância, enquanto as hidrelétricas usam geradores convencionais.

Pois bem, para uma geração confiável de energia elétrica sem que se tenha a necessidade de utilizar apoio de geração por usinas térmicas (centenas de vezes mais poluidoras) precisamos que grandes reservatórios nas cabeceiras dos rios. Chamo a atenção, estes reservatórios deverão estar nas cabeceiras dos rios, que geralmente locais mais planos e já degradados pelo uso intensivo do solo para a agricultura.

Após estes reservatórios de cabeceira podemos fazer uma série de usinas a fio d'água que não modificam em nada as condições das águas do rio e agridem extremamente pouco a natureza.

Falas em geração eólica, entretanto se esta passa de um ponto que as usinas hidrelétricas não conseguem compensar os momentos de falta de vento, elas precisam de complementação por usinas térmicas, e pior, o tipo de usina térmica a ser utilizada como complementar a eólica deverá ser uma usina que rapidamente entre no sistema, ou seja, uma usina que consome muito mais energia do que uma que trabalhe sempre.

Quanto as ondas marítimas infelizmente até os dias atuais não há um gerador que funcione com um rendimento sofrível (muito menos bom), diversas empresas especializadas em geração de energia tentaram isto, falindo a maioria delas.

Quanto aos automóveis, concordo contigo e vou mais fundo, não há uma norma do ministério da industria e comércio que obrigue os automóveis apresentar o seu consumo, e quando se chega para se comprar um se fica no papo furado do vendedor.

Até que cada produtor se transforme em cientista muita água passará por baixo da ponte. Enquanto se estuda, alguém precisa produzir e, na prática, o que se vê é que não faltam no mercado, ou faltam menos, justamente aqueles produtos gerados pelo agronegócio, que não são o suficiente para satisfazer as necessidades alimentares e de mercado. A diversificação de culturas e até a sua rotação, coisas de pequeno produtor, também contribuem para o controle de pragas e doenças e diminuem o uso de agrotóxicos, porém o pior é que muita gente está deixando de produzir enquanto muitos estão de olho na propriedade da terra e ambas as situações não enchem barriga. A humanidade não pode viver de soja, arroz e milho, disputando com o próprio carro outras áreas que um dia produziram alimentos e hoje abrigam a monocultura da cana, justamente nas regiões mais produtivas.

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