Oceanos apresentam sintomas das grandes fases de extinção(relatório)

PARIS, França, 20 Jun 2011 (AFP) -Submetidos a uma série de pressões, do aquecimento à pesca predatória, os oceanos apresentam sintomas preocupantes, presentes nas fases anteriores de extinções em massa sofridas pela Terra, advertiu um painel de especialistas em relatório apresentado nesta segunda-feira.

Depois de analisar os efeitos acumulados de todas essas pressões, 27 especialistas de seis países exibiram um quadro preocupante.

As conclusões foram tiradas depois de uma reunião realizada em abril na Universidade de Oxford, cujo relatório é a síntese dos trabalhos.

"Os resultados são chocantes", resume Alex Rogers, diretor científico do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (Ipso) que organizou o seminário junto com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a Comissão Mundial das Áreas Protegidas (CMAP).


"Considerando-se o efeito cumulativo que a humanidade causou aos oceanos, chegamos à conclusão de que as consequências são bem mais graves do que cada um de nós acreditava", acrescentou.

Esse painel científico concluiu que "a combinação das pressões exercidas criou condições que são encontradas em cada uma das extinções em massa de espécies da Terra anteriores".

Durante meio bilhão de anos, cinco extinções em massa foram registradas após calamidades naturais, durante as quais mais de 50% das espécies existentes desapareceram.

Entre os sinais vermelhos estão o aquecimento dos oceanos e sua acidificação que causa a hipóxia (baixos níveis de oxigênio).

"Eles constituem três fatores que são encontrados em cada uma das extinções em massa da história da Terra", indicaram os especialistas.

O painel ressalta que os níveis de carbono absorvidos pelos oceanos "já são bem mais elevados hoje do que na época da última extinção em massa das espécies marinhas, há cerca de 55 milhões de anos, quando mais de 50% de alguns grupos de animais de águas profundas foram exterminados".

Os "oceanos do mundo inteiro correm o grande risco de entrar em uma fase de extinção das espécies marinhas", alertam.

Globalmente, o relatório considera que "a velocidade e a taxa de degradação dos oceanos são bem mais rápidas do que tudo o que havia sido previsto".

Eles estão preocupados com a pesca predatória, que "causou uma redução de alguns recursos haliêuticos comerciais em mais de 90%", ou ainda o fluxo de nutrientes agrícolas "que já causou um declínio espetacular do estado dos oceanos".

"Novas pesquisas sugerem que os poluentes, entre eles os retardadores de chamas químicas e os perfumes sintéticos encontrados nos detergentes, podem ser observados até nos mares polares", e até nos peixes, alertam.

O oceano é "o maior ecossistema da Terra, que mantém nosso mundo em condições suportáveis" para a vida, lembram os especialistas, que pedem "insistentemente a adoção urgente de um melhor sistema de administração do alto mar, ainda pouco protegido, mas que representa a maior parte dos oceanos do mundo inteiro".

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/06/20/oceanos-...

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Ana Lú

 

Isto tudo não está me cheirando bem, explico. As grandes extinções não ocorreram nenhuma desta forma, não tem na história da Terra nenhuma teoria razoável que justifique as grandes extinções por razões que eles indicam. Geralmente as extinções são causadas por grandes impactos que não permitem a adaptação da natureza as novas condições, há coisas como queda de grandes meteoros, vulcanismo, irradiação intensa de raios UV ou raios cósmicos pela passagem do sistema solar por regiões sujeitas a este tipo de irradiação.

 

O que está havendo, e isto já está ocorrendo ha milhares de anos é uma perda de bio-diversidade, o que leva a isto há várias controvérsias.

 

Uma coisa que eu tenho sempre em mente, estamos aqui de favor, ou seja o homem ocupa a Terra assim como aquele rapaz que mora no fundo da casa da sogra, se a "véia" surta, de um dia para o outro ele está na rua.

"O que está havendo, e isto já está ocorrendo ha milhares de anos é uma perda de bio-diversidade"

Ora! O que foram as grandes extinções, senão perda de biodiversidade em larga escala? Nenhuma das grandes extinções registradas pela geologia acarretou na extinção completa das espécies, algumas formas de vida sobreviveram e deram sequência evolutiva para as novas espécies. Em duas ocasiões nas eras geológicas, os mares experimentaram elevação de temperatura, que provocaram proliferação de algas e extinções nos oceanos. Os geólogos do petróleo procuram por rochas sedimentares desses períodos, que são as rochas fontes do petróleo existente. Extinções massivas não estão associadas obrigatoriamente a fenômenos súbitos, mas podem acontecer associada a processos graduais, com durações até de muitos séculos, mas que não dão margem de tempo para permitir adaptações evolutivas.

 

 

Acho que não é bem assim, poderíamos partir para as maiores extinções e as teorias que são modernamente aceitas (nada quer dizer que estão certas).

 

O que deslancha esta mudança é geralmente algum fenômeno telúrico (vulcanismo) ou externo (meteoros) por ação própria do meio ambiente é difícil, mas não sou dono da verdade, gostaria de ter exemplos.

 

Porém uma coisa é certa,o atual processo de perda de bio-diversidade não é recente.

"O que deslancha esta mudança é geralmente algum fenômeno telúrico (vulcanismo) ou externo (meteoros) por ação própria do meio ambiente é difícil, mas não sou dono da verdade, gostaria de ter exemplos".

Você cita abaixo:

"A extinção que estamos vivendo é a uma continuação da acelerada da extinção que começa no fim da última deglaciação".

Você apontou para ela, a mudança climática que levou a deglaciação, que influi, portanto, principalmente pelo efeito de alteração de biomas, avanços e recuos de florestas, campos, desertos, etc. A situação que vivemos nos últimos séculos deriva, e muito, da alteração de biomas promovidas pelas sociedades humanas. Não há como negar a ação antropogênica nesse quesito; desmatamos de montão, invadimos e destruímos inúmeros habitats; rios, lagos, mangues, pradarias, florestas e o escambau. Ou você acha que também não há ação antropogênica nisto tudo?

Almeida

 

Quando surgiram os mamíferos os répteis quase foram exterminados, ou seja, a natureza tem uma consciência muito menor do que a nossa ela faz o que tem que ser feito, se ela "acha" que 90% das espécies devem ser exterminadas ela faz, logo não tenho todo esta ética ambiental de olhar para a Terra e achar que é algo imutável que é linda em todos os seus aspectos e que deve ser conservada exatamente como está.

Não estou dizendo que sou adepto da destruição, pois tenho consciência que há interdependência, mas esta interdependência é elástica e vai de um ponto a outro. Se a Terra é um planeta com vida da forma que ela tem é porque ela tem capacidade de regeneração. Um grande processo de extinção, queda de meteoros, vulcanismo no nível que já ocorreu deixando a Terra as escuras, tem milhões de vezes mais intensidade do que toda a nossa agressão estúpida a natureza. Quando houve o processo de extinção em massa do Permiano-Triássico, que cobriu de magna a Sibéria, acham os especialistas que durou anos, lançando gases por toda atmosfera e eliminando 95% das espécies. 

Se a natureza não fosse resistente, não estaríamos por aqui. Da mesma forma o nosso derrame basáltico que ocorreu durante durante o mesozóico parece que não deixou muitas marcas e pela extensão do mesmo deve ter gerado quantidades enormes de gases, vapores e calor.

Em resumo, estamos fazendo muita porcaria sobre a Terra, devemos lutar para que tudo isto se acabe, mas mesmo que as forças do bom senso ainda demorem para chegar, ou que cheguem divagar, vai ficar ruim, mas não vamos sumir da face da Terra.

Rogério,

 

Os mamíferos são muito anteriores a extinção massiva dos dinossauros, acontecida há sessenta e cinco milhões de anos. Não há relação da chegada dos mamíferos com esta última extinção, a teoria atual associa esta a uma queda de meteoro. Muitas espécies, para citar apenas a fauna, de répteis, mamíferos e aves primitivas sobreviveram a essa extinção e deram origem às atuais espécies.

Extinções são destruições de BIOMAS, que são conjuntos interativos de flora e fauna. Quando aniquilamos biomas, estamos promovendo extinções; quando removemos uma savana para impor uma monocultura, realizamos extinções. A participação antropogênica não é inocente nas atuais extinções, você insiste em negar a obviedade, acha que "a natureza tem uma consciência muito menor do que a nossa ela faz o que tem que ser feito".

Não houve chuva de meteoros, vulcanismo ou mudança climática radical no Brasil, nos últimos quinhentos anos. Você tem notícia disto? No entanto, a Mata Atlântica e a Floresta de Araucárias restam dizimadas; no mesmo caminho seguem a destruição de manguezais, rios, lagoas, restingas litorâneas, o Pantanal, a Caatinga, o Cerrado e a Floresta Amazônica. A natureza fez alguma assembléia para decidir isto? Tudo foi obra de uma sociedade humana transportada para cá, organizada pelo modo de produção capitalista. O capitalismo é inocente para você, a decisão para destruir foi da "natureza".

 

Um abraço.

Só por curiosidade, sabes quantos anos tem a floresta de auraucárias?
O gênero araucária é muito antigo, mais de 200 milhões de anos, ocorre no Brasil, Chile, Austrália e outras regiões do hemisfério sul. A formação da floresta no sul do Brasil é mais recente, pois a região já foi, nesse intervalo de tempo, deserto, geleiras, etc. Talvez tenha se fixado na região pelas mudanças da última deglaciação; há registros fósseis em outra regiões.

Vou te passar uma referência que vai te surpreender. No momento não tenho aqui. Mas aguarde.

Mas posso te adiantar, a floresta de araucária no Brasil é extremamente recente! 

A propósito, tenho amostras de fósseis de coníferas araucárias em casa, de uma região que visitamos no sudoeste do Rio Grande do Sul, chamada Mata, que faz parte da Paleorrota. A idade estimada é de 100 a 200 milhões de anos. É uma idade que não é tão recente assim, diga-se.
N, havia mamíferos antes da extinçao dos dinossauros, mas eram pequenos, e majoritariamente noturnos. Só após a extinçao houve "espaço" para eles se disseminarem e evoluírem. Donde pode nao haver relaçao total entre uma coisa e outra, mas relaçao há...

COMIAM OVOS !!!!

 

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