Podemos fazer algo por nossas cidades, tão mal administradas?

Recebi num outro post, uma mensagem do Pedro Luíz, que imediatamente mexeu bastante comigo. Porque às vezes (e eu assumo inteiramente a carapuça...) pensamos mais nas mudanças nacionais, no Brasil que queremos ter, na Economia geral, as reformas necessárias, a corrupção, etc. etc. e esquecemos que nossa qualidade de vida começa, na verdade, na cidade em que vivemos. E que é muito mais fácil tentar fiscalizar, cobrar, pressionar, denunciar, a partir dessa realidade social local. Coloco a mensagem do Pedro, minha resposta, quando tive a idéia desse post, e peço que aqueles que conheçam exemplos desse tipo de cidadania, desse tipo de atuação política e social, que tragam para a nossa comunidade. Eu vivo me perguntando, e já falei sobre essa angústia aqui no Blog muitas vezes (obrigado, Arkx... - rs): como fazermos para participar mais, além da blogosfera. Uma das respostas pode ser: começando do lugar onde você vive, seu bairro, sua cidade.

Comentário do Pedro Luiz:

"Eduardo, eu não vejo como a sociedade brasileira possa, neste momento, influenciar diretamente os governos estaduais ou o governo federal. Por enquanto, nos dois níveis de governo citado nós só podemos votar e torcer. No governo municipal, no entanto, já está na hora de tomarmos consciência de que temos que participar da vida pública de nossa cidade. Para mudarmos a política temos que criticar mas também propor, e para isso é necessário interagirmos com a política, no caso, a municipal. Imagine que uma cidade como Taubaté-SP, onde moro, de quase 300 mil habitantes, delegue a 15 pessoas (14 vereadores e 1 prefeito) a missão de elaborar todos os projetos e leis para o bom funcionamento dela; É muito pouco! Desses quase 300 mil munícipes, quantos não têm a solução para os problemas que eles próprios sofrem no dia-a-dia? Debatemos os gastos do governo dos Estados Unidos mas não debatemos o custo de cada vereador para nossas cidades ou sua real necessidade. Um ideal para um país melhor pode bem começar com um ideal para uma cidade melhor."

Minha resposta, e os questionamentos que me vieram:


Tem razão, Pedro. Nós que moramos nas grandes capitais, talvez nem pensemos muito nisso, da coisa começar pela nossa cidade, acho que temos a visão errada de que não adianta fazer nada, que não temos os meios para essa participação... Mas outro dia, vi uma reportagem, não lembro em que emissora e qual era o município, onde os cidadãos formaram uma espécie de comitê, que fiscalizava e exigia explicações de cada centavo gasto pela prefeitura. Integraram-se, na prática, à administração do seu município. Hoje temos os tribunais de contas, municipais ou estaduais, órgãos repletos de apadrinhados dos governantes, para aprovarem as contas, fiscalizarem, etc. etc. - um sistema obviamente cheio de vícios, mais parece uma grande farsa, e paga com nosso dinheiro. Talvez se em cada cidade um comitê semelhante fosse montado, e pessoas sérias, que colocassem a honestidade, a transparência, acima de paixões partidárias, entrassem nesse mundo escuro do dinheiro público, e começassem a denunciar, gritar, pressionar, exigir, as coisas mudassem para melhor. Mas eu, por exemplo, nem saberia por onde começar... Como aglutinar pessoas interessadas num projeto assim? Qual a legalidade, a força de ação concreta desses comitês? Como ter acesso ao orçamento, aos gastos, às notas fiscais, aos compradores, os gestores, só para citar um exemplo, dos hospitais, pelo menos aqui no Rio fonte inesgotável de corrupção e atuação de máfias, inclusive com assassinato de médicos que as desafiaram?
Mas é uma idéia extremamente válida, sedutora... Gostei tanto, - rs - que me recrimino por não ter pensado nisso antes. Vou abrir um post sobre o assunto!
Obrigado, e parabéns!!

Acho que o Pedro falou sobre o óbvio que custamos a enxergar!!

Abço a todos!!

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Respostas a este tópico

Vc mora em Sorocaba, Tadeu? Tem participado de algumas dessas reuniões? As decisões tomadas são levadas a cabo? Há fiscalização quanto aos gastos?
Abço.
Eduardo, fiquei feliz com a sua atitude, pois ela mostra que existem mais pessoas que querem fazer acontecer, apesar de tudo.
A experiência de quatro anos acompanhando os trabalhos legislativos de minha cidade me mostrou que os munícipes têm muita força dentro de uma câmara de vereadores, e não é preciso comprar briga com ninguém e muito menos de muitos munícipes para as mudanças acontecerem. Desde que a motivação a nos guiar seja a indignação, devemos cobrar nossos legisladores municipais diretamente via telefone, e-mail ou conversa na Câmara, pois de uma forma geral os vereadores são receptivos aos reclamos da população. Mas nada de reclamar do asfalto da "sua" rua, pedir um emprego para "seu" marido ou bolsa de estudos para o "seu" filho.
Temos que aprender a cobrar, e para isso devemos primeiro nos informar. Sobre a saúde do município, por exemplo: de que adianta reclamar gerericamente que faltam médicos nos postos de saúde ou remédios nas farmácias populares? Ora, existe uma verba anual justamente para cobrir gastos com médicos e com remédios; Se está faltando temos que descobrir porque o dinheiro não está dando. Como? Saber de quanto é esta verba e quais são os gastos na área. Simples. A Câmara ou a Prefeitura não fornece? Pois então a primeira cobrança dos munícipes deve ser a transparência nas contas públicas (nada a ver com aqueles montes de números que as prefeituras publicam em jornais obscuros).
Tadeu, conheço a idéia que você se refere na prática, mas é ineficaz se os munícipes participarem dessas reuniões com sugestões mas não interagirem com a política municipal e não ficarem sabendo se o orçamento aprovado será cumprido.
Acessem o site da Câmara Municipal e da prefeitura de suas cidades e boa leitura. Já é um começo.

Valeu!
Tô sem net por cinco dias, depois quero te responder com calma. Bjo.

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