O Luis Nassif postou um texto no blog, intitulado 'A volta do pêndulo na economia' (link abaixo), e irei comentá-lo a seguir.

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/11/a-volta-do-pendul...

Creio que o governo Lula (embora não o PT) fez a sua virada pragmática quando deu continuidade às políticas de controle da inflação, de respeito aos contratos e de superávit primário, impostas pelo FMI no segundo governo de FHC.

As privatizações realizadas por FHC não foram revertidas, mas tivemos, no governo Lula, um processo de aumento da participação estatal em segmentos como energia, sistema financeiro, petroquímica e telecomunicações(através dos fundos de pensão das estatais, do BNDES, do BB, da CEF, da Petrobras).

Entendo que o governo FHC se descuidou em não dar sustentabilidade às políticas de estabilização econômica, pois seu governo mantinha a mesma à base de juros escorchantes (a fim de atrair capital especulativo), privatizações viciadas politicamente e controle artificial do câmbio.

Tais políticas, que deveriam ser apenas temporárias, foram transformadas em permanentes pelo governo tucano-pefelista, devido à fragilidade dos fundamentos econômicos do país, que convivia com elevados déficits na balança comercial e em transações correntes, bem como com um déficit público e com uma dívida pública crescentes.

O governo Lula teve, por sua vez, o mérito de reforçar os fundamentos econômicos do país.

Assim, no governo Lula, nós tivemos a redução da dívida pública, o aumento das exportações, acumulamos um imenso superávit comercial, reduziu-se ainda mais a inflação e o déficit público.

Tudo isso permitiu a redução da taxa Selic e a retomada do crescimento econômico. Entre 2004 e 2008 o PIB brasileiro cresceu a uma taxa média de 5,2% ao ano. A produção industrial voltou a crescer de maneira significativa e, com isso, o nível de emprego na indústria brasileira aumentou 24% entre 2003 e 2007.

O governo Lula também teve o mérito de iniciar ou, em alguns casos, aprofundar políticas de distribuição de renda, promovendo a elevação dos gastos sociais públicos (o número de benefícios previdenciários cresceu 32% e o valor médio dos mesmos aumentou 22%), a recuperação dos salários do funcionalismo público federal e concedendo um significativo aumento real para o salário mínimo, de 46% entre 2003/2009. Também foram gerados, entre 2003 e 2008, 7,7 milhões de novos empregos formais.

Tais políticas resgataram dezenas de milhões de brasileiros da pobreza e da miséria e ampliaram o mercado consumidor interno.

Aliás, este é o mesmo mercado consumidor interno que está fazendo com que o Brasil volte a crescer depois de apenas um semestre em que o país foi afetado pelos efeitos da crise global, a partir do último trimestre de 2008.

Agora, é a vez do PSDB e do DEM de reconhecer os progressos sociais e econômicos obtidos pelo governo Lula, bem como a necessidade de uma maior intervenção do Estado para promover o desenvolvimento econômico e a justiça social. Isso poderá, de fato, colocar um fim a uma guerra política-ideológica que é, permanentemente, estimulada e inflada pela Grande Mídia, que é de uma natureza política extremamente conservadora, criticando toda e qualquer política que implique em aumento da intervenção estatal e dos gastos sociais públicos.

Se cada lado reconhecer o que o outro fez de positivo, creio que essa 'guerra política-ideológica' que se instalou no país poderá diminuir muito de intensidade e o país sairá ganhando muito com isso pois, daí, em vez de gastarmos nossas energias e nosso tempo em trocar ataques mútuos, as utilizaremos para pensar em soluções para os problemas concretos do país.

O problema é que tal 'guerra política-ideológica é estimulada e inflada o tempo inteiro pela Grande Mídia Golpista, a mesma que apoiou os Golpes de Estado contra Vargas, em 1954, contra JK, em 1955/56, e contra Jango, em 1961 e em 1964, e que é controlada por um pequeno número de famílias (Marinho, Civira, Frias de Oliveira, Sirotsky) que possuem inúmeras conexões políticas e midiáticas com políticos tradicionais de cada estado. Assim, a família Collor é proprietária da emissora de TV que retransmite a programação da 'Rede Globo' em Alagoas, Sarney é associado à 'Rede Globo' no Maranhão, a família de ACM é associada à 'Rede Globo' na Bahia e assim por diante.

Não é à toa que tais famílias detém um imenso poder político em seus respectivos estados elegendo, com seu apoio, muitas vezes, o governador, os senadores, bem como deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores em grande número.

Enquanto não se criar, no Brasil, uma mídia mais democrática e pluralista e que represente e expresse os interesses dos mais variados segmentos da sociedade (trabalhadores assalariados, movimentos sociais organizados, ONGs, etc) estaremos, ainda, sujeitos a processos de radicalização política e ideológica que, em momentos anteriores da nossa história, foram responsáveis por gigantescos retrocessos políticos, econômicos, sociais e culturais.

Logo, é perfeitamente possível concluir que a construção de uma Mídia pluralista e democrática deve ser, hoje, a principal tarefa de todos aqueles que pretendem ajudar a construir e viver num país desenvolvido, justo, democrático e soberano.

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Respostas a este tópico

Ao menos parece que está se emcaminhando nesse sentido.

Foi publicado no Diário Oficial de hoje o regimento da Conferência Nacional de Comunicação. A partir de agora, podem e devem começar as convocações das etapas estaduais que precisam ocorrer até o dia 8 de novembro. É uma corrida contra o tempo, já que a etapa nacional será em Brasília de 1 a 3 de dezembro.
A Confecom é uma conquista histórica e é fundamental garantir a participação do maior número possível de representantes da sociedade civil na sua construção. Se você quer participar no seu estado e/ou ajudar na mobilização na sua cidade, acesse informações a partir do site pró-conferência.
Nesse processo inicial, duas questões foram polêmicas. A primeira é que os empresários terão direito a 40% dos delegados na etapa nacional, a sociedade civil a mesma proporção e o governo 20%.
Dada a diferença no numero de empresários de comunicação e de movimentos sociais, é evidente que há uma distorção nessa paridade.
Outra distorção, que atinge exclusivamente São Paulo, diz respeito ao número de delegados do estado. Pela fórmula adotada, 15 milhões de paulistas foram desprezados na conta que definiu o número de seus representantes.
A comissão paulista está enviando uma carta de protesto aos parlamentares, à sociedade civil e à comissão organizadora nacional para tentar reverter essa situação.
De qualquer maneira, é hora de iniciar a mobilização para organizar no Brasil inteiro o maior número de encontros.
Onde a Fórum puder ajudar, estaremos juntos. No dia 12 de setembro, por exemplo, estarei em Vitória, Espírito Santo, na Conferência Regional Livre de Comunicação.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/Blog/texto_blog.asp?id_art...

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