Portal Entrevista I - Gunter Zibell recebe amigos no seu " Café com Letras"



Ao final do ano passado, em conversas lá no boteco do Hermê, conversas prá lá de informais, nos ocorreu que há pessoas aqui no Portal que tem tanto a dizer e que seria ótimo entrevistá-las. Fim de ano, correria, o blog mãe estava para ser mudado e não sabíamos direito como continuaria este espaço. A idéia ficou hibernando em pleno verão. Agora, em pleno inverno, ela quer florescer.

O portal ficou sendo um espaço mais informal e vai permanecer. Ótimo, aqui tem coisas preciosas espalhadas, seria uma pena perdê-las. Assim, lá vamos nós de novo de “ fórum não categorizado”, mas de muita categoria!

A escuta do outro é um aprendizado delicioso. Delicioso e difícil. Ter olhos e ouvidos bem abertos para o que o outro tem, quer e se dispõe a nos dizer. Sobre si mesmo, sobre o seu olhar para o mundo, sobre seu caminhar, seu ponto de vista. Concordando ou discordando, não nos seria possível crescer sem o contraponto de outras visões do mundo e da vida. Esta humana interação nos é essencial.

A internet nos possibilitou ampliar em muito a possibilidade de escuta. Mas por outro lado, tudo aqui é tão rápido, tão etéreo, superficial e corrido que muitas vezes nos perdemos. Logo temos outro tópico prá ler, outra opinião pra concordar ou rebater, outras informações “ bombando” .... saímos correndo feito o coelho de “ Alice no país das maravilhas”. E os assuntos se atropelam e é difícil dar um começo, um meio e um fim para as conversas. Isto me incomoda um pouco, confesso.

Assim, ao pensar neste tópico pensei em um formato experimental. Vamos ver se funciona. Mas onde possamos ouvir, por um tempo mais ou menos determinado, alguém falando sobre aquilo que perguntarmos.
Ainda hoje coloco a dinâmica inicial que pensei para este tópico (como disse experimental) e divulgo o nome do nosso(a) primeiro(a) convidado(a).

Sim, porque claro, já combinei com ele(a) que gentilmente se dispôs a tentar algo deste tipo aqui, conosco. E claro também, não contei primeiro no twitter, que não sou besta kikiki. É uma pessoa interessantíssima. (suspense). Sei que vão gostar. Uma dentre tantas que existem, muitas caladas e escondidas pelos umbrais deste portal.

Volto mais loguinho com as “ regrinhas” de funcionamento e com o nome kikiki de alguém que tem uma prosa danada de boa e tem muito o que falar. “ Entrevistadores”? Todos que se habilitarem. Eu já tenho minha listinha de perguntas.

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Respostas a este tópico

Mas sempre há tempo, né? Foi por acaso que este tópico voltou à tona. Eu estava procurando uma fala da Salete, achei um comentário de AnaLú que não tinha visto, a Vera percebeu e nos deu uma canja (torcemos para que tenha mais tempo, Vera, você e Salete!) As coisas ocorrem assim.

Muito gentis suas palavras, Marco. Muito obrigado por dedicar tempo assim, a conhecer um colega. É um prazer ter como amigo virtual alguém tão solícito, participativo, interessado, justo e ainda por cima um poeta. Quem sabe não nos conheceremos pessoalmente. Só que por uns tempos não posso viajar.

Eu gostaria que esse tópico permanecesse ativo indefinidamente, adoro prosear. Já se passou ano e meio, de repente surgiram coisas novas, mudamos um pouco de opinião, sei lá. Quem sabe seu filho não reaparece...

 

Um grande abraço, Marco. Volte sempre que desejar!

 

Eventualmente vale uma sugestão : se alguém for colocar um novo comentário ou pergunta pode ser melhor fazê-lo como nova resposta ao tópico geral, não como resposta a um comentário. isto porque assim o novo texto fica automaticamente na última página e fácil de localizar, já se deu casos de eu não ver comentários e respostas colocados nas páginas intermediárias (eu desativei o modo de aviso automático, vou tentar reativar só pra este tópico.)

 

Confere, Cláudia. E nós dois (o que pode ser uma coincidência) não desejamos adotar nem fazer produções independentes.

Eu não compreendo como se dá a gênese da vontade de ter filhos. Seria bem interessante pesquisar a respeito, é provável que antropólogos e sociológos tenham se debruçado sobre isso. Não em função dos homossexuais especificamente, mas por que dos anos 70 pra cá cada vez mais casais hétero não têm filhos? Na Europa e Japão chegam a ser 40%, mas nos EEUU muito menos.

Sinto haver um tanto de propaganda nesse sentido, disseminada ao longo dos tempos pelos usos e costumes. Algum temor coletivo de falta de braços para agricultura ou guerra que acabou sendo incorporado nos valores sociais. (É só reflexão, não tenho conhecimento a respeito.) Não acredito muito que seja algo intuitivo, entendo que ter filhos é também um valor culturalmente reproduzido. Ninguém cobra de gays e lésbicas que tenham filhos, e em geral poucos têm mesmo (exceto quando por várias razões mantiveram relacionamentos hétero.)

Assim ficamos sem saber se há alguma razão natural ou se houve falta de encorajamento mesmo.

Não foi de propósito, mas acho que mudei o foco da controvérsia...

Por outro lado, todas as pessoas que têm filhos se dizem ser muito felizes com isso. Não posso questioná-las, não tenho contato com a experiência, a não ser o fato de que meus pais gostaram que eu nasci. Só penso, às vezes, que se eu não sinto impulso ou pulsão para ser pai, que eu não seria bom pai, então é algo que não devo fazer.

Agora, para quem quer acho que as perspectivas para o futuro são promissoras. A sociedade vai aceitar a adoção por homossexuais, solteiros ou casados, e intuo fortemente que em médio prazo a discussão em relação a paternidade/maternidade não se dará sobre sexualidade, mas sobre o desejo de ser pai/mãe. Li uma vez que publicitários (mas sociológos, psicólogos e antropológos também poderiam fazê-lo) dividem os segmentos sociais em pessoas que querem filhos e pessoas que não querem, o que é um recorte bem diferente.

Sobre adoção por homossexuais um colunista do blog do Bob Fernandes fez um texto tão bonito que não me canso de citar:

http://muitopelocontrario.wordpress.com/2010/04/30/direitos-ja-com-...
Com "nós dois" quis dizer eu e o Tigrão. rsrs.

É um problema as línguas indoeuropeias não terem dois tipos de "nós" como algumas línguas ameríndias têm... (Eu já li em algum lugar isso, fica pra AnaLú confirmar...)
Gunter querido, duas rapidinhas de perguntar, uma não sei se a resposta virá a tempo

Qual será o placar do jogo hoje?

Homossexualidade: opção ou destino atávico?
Bom, infelizmente o jogo não dá mais... Agora torço pela Espanha, tanto por ser a maior parte da minha família espanhola como porque esse país nunca foi finalista.

Posso falar com base em leituras de ensaios e artigos, nunca aprofundei pesquisas a respeito da gênese do comportamento homossexual.

Em primeiro lugar acho difícil classificar a pulsão homossexual como opção, pois não é razoável supor que tanta gente escolha algo que provocará desconforto com a família e sociedade. O contrário talvez seja possível, homossexuais optarem por se reprimir, o que eu acho que não dá muito certo em termos de felicidade. Pessoas podem optar por experimentar qualquer coisa, e a psicologia talvez explique alguns comportamentos individuais (tanto deste tipo como pela escolha de emular um padrão hétero de comportamento), mas duvido que os indivíduos possam optar como são, ou seja, optar por mudar seu desejo.

"Destino atávico" é hereditariedade, não? Nos últimos 20 ou 30 anos é o que mais se fala. Diz-se isso, em parte, em função da quantidade grande de gêmeos que partilham da mesma orientação. Também há teorias de que a homossexualidade estaria ligada a fatores hormonais durante a gravidez e que a propensão a estes seria familiar. Mas isso não é nada definitivo, pois nascem homossexuais em todas as famílias, de todas as etnias e continentes. Pode ser acaso frequente. Também se diz que seria só pelo lado materno, ou seja, filho gay de pai gay seria coincidência estatística.

Digamos que possa haver uma propensão biológica, hereditária ou não. Isso não será fator exclusivo de qualquer modo. Pessoas podem reprimir ou moldar seu comportamento sexual por várias razões culturais. Isolamento (internatos, conventos, prisões, navios, caserna) pode levar a experimentações e dogmas (celibato, castidade, simbolismos) a evitá-las. Então sempre é importante a influência do ambiente cultural. Há grupos onde a prática homossexual é quase obrigatória em determinadas fases da vida, mas com conotação social, não moral e não interferindo na futura vocação familiar dos indivíduos. E há sociedades onde o sexo é tão banido que não deve fazer tanta diferença se a pessoa será homossexual ou hétero, pois certamente sublimará o impulso sexual em alguma medida. Ainda há aquelas populações (América do Norte, Polinésia) onde gays e lésbicas já têm papel social consolidado. De propósito pulo qualquer referência ao helenismo clássico, acho que era uma sociedade com muito de culturalmente construída. As sociedades cristãs medievais e algumas islâmicas atuais também foram/são muito dogmáticas.

Há muito de valores em jogo. O único motivo com alguma aparência de logicidade para se reprimir a homossexualidade seria a pouca propensão a reproduzir depois que essa orientação se consolida. Mas nas sociedades mais ricas isso hoje já não diz nada. Não é coincidência que os movimentos de deixar de reprimir a homossexualidade, abandonar a pena capital e desistir da indissolubilidade do casamento andam mais ou menos juntos.

Não desconsidero as explicações espirituais, mesmo que não veja implicações práticas nisso a partir da concepção.

De qualquer modo, não acho muito relevante saber se a origem do comportamento homossexual é biológica ou não, se o impulso pode ser psicologicamente canalizado ou não. Não haveria justificativa para interferência religiosa de qualquer modo. O importante, ao meu ver, é que homossexualidade não faz mal a ninguém, não há razão para que haja repressão social e, portanto, é incorreto que a legislação não a contemple com serenidade.
Nao sei se o fenômeno se limita a línguas ameríndias. Sei que há várias línguas em que existe a diferença entre o uso do nós inclusivo (que inclui o destinatário) e o nós que nao inclui (se refere apenas ao falante e outras pessoas que ele esteja incluindo no nós).
Claudinha, e eu que resolvi ter 4 filhos ( louca!!! espanto!! fui sempre chamada, e para piorar,a loucura "",vista por muitos,"" fiquei sendo dona de casa um tempo)
Vejo, que sempre somos bombardeados por nossas opções,
Stella eu, no auge do feminismo, casei, deixei meu emprego e fui ser dona de casa para criar meus tres filhos. Ouvi muitas criticas, mas nunca dou ouvido nem importância a patrulhamentos. E não e arrependo da opção que fiz.
Beijo
Nessa discussão de vocês minha opinião é de que o ideal seria que a decisão de ter filhos fosse do casal e não definida socialmente. Quem deseja ter filhos deve ver garantidas as possibilidades de criá-los (pelo menos escola e saúde adequados). Quem não deseja, não deveria ser pressionado. Paradigmas deveriam ser apenas a medida da média do momento, não vejo como bom que se tornem um padrão para que as pessoas se encaixem. É mais divertida - e rica - uma situação onde um irmão tem parceiro e a irmã tem 4 filhos do que aquelas famílias clones, casais com casaizinhos... Acho um tanto duvidoso uma tendência que surgiu de dizer que casais devem ter "2", porque "3" é difícil de criar e prende os pais, mas "1" leva a filhos únicos mimados. Eu desconfio que não seja por aí...
Realmente isso é muito furado e carece de lógica rsrss
Mas Marise, nós mulheres, acredito que todas nós, passamos por essa experiência. Qdo minha filha nasceu, logo após a licença voltei para meu trabalho e trabalhei até o nascimento do meu segundo filho, terminada a licença voltei de novo para meu trabalho e aí, questões outras, parei de trabalhar e não me arrependo nem um pouco. Vejo a diferença de um e de outro. Tenho uma tese, claro que por ser minha não tenho como comprovar, hehehe, apenas com minha experiência ppria, mas percebi que aquela conversinha de qualidade em detrimento da quantidade, no caso dos filhos, é furada. Não tem como dar qualidade no crescimento dos filhos sem dar muita mas muita atenção(quantidade). É impossível vc passar valores, amor, educação, carinho sem ter quantidade...filhos aprendem com os exemplos mais que com as palavras. É no dia a dia que vc demonstra todos os seus princípios e passa pra frente. Bem, como disse é minha opinião claro que estou aberta ao dialogo rsrsrs
Sua tese envolve quantidade de atenção, mas de quem? No seu caso não houve indecisão nem conflito.

Mas o que fazer quando há casais onde o pai está aborrecido com seu trabalho e a mãe, por outro lado, tem uma profissão que a interessa; e aí surge a criança. Seria razoável esperar que o pai pare de trabalhar fora? Bom, eu acho que nesse caso sim, mas há quem diga que a mãe é sempre melhor (argumento de intuição.)

E em casos de viuvez precoce do pai. Ele deve procurar uma madastra ou tentar equilibrar os compromissos? Se ele já está interessado em um novo relacionamento, ok, mas há situações onde pais procuram mais uma nova mãe pros filhos que uma nova companheira.

Estou citando situações onde os valores sociais interferem nas decisões/intuições domésticas.
Gunter, engano seu, sofri para tomar uma decisão mas assim que tomei eureka...fez-se a luz...A quantidade de atenção tem que ser sempre dos pais...essa história de que filhos são responsabilidd só da mãe é coisa antiga e muito démodé(nossa tem termo mais démodé que o pprio démodé?). Acontece que muitas vezes a decisão crucial de largar o emprego sempre fica nas costas da mãe, como se fosse o óbvio ululante que a mãe deva sempre abdicar de sua carreira em detrimento dos filhos nunca o pai. Lá vou eu com os meus exemplos, mas tenho um casal de amigos onde o pai ficava em casa e a mãe, médica, era a provedora. Achava muito justo isso, mas essas decisões variam de casa para casa. Existe tb uma pressão no homem que ficar em casa é coisa de vagabundo e que portanto ele precisa sempre ser o provedor, é o modo mais aceitável pela sociedade.
Sou sempre a favor da felicidade em primeiro lugar. No caso da viuvez, se encontrar uma companheira que lhe faça feliz não vejo o porquê de não unir o "útil ao agradável"(que horror).
Como disse, tudo depende do referencial adotado.
Existe razão nestas decisões?? Sei lá...parece que cada caso será sempre um caso.

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