Primeiro ato:
Psique quer dizer ALMA. Este mito simboliza a mulher que coloca o relacionamento amoroso acima de tudo, assumindo todos os riscos e consegue o que quer. Examinando mais profundamente, como no poema de Fernando Pessoa, simboliza o encontro das polaridades dentro de cada ser. É um dos poucos mitos que tem final feliz. Por sinal, trata-se de um dos mais belos mitos gregos.
Psiquê era filha de um rei e era linda. Toda esta beleza fez com os mortais a adorasse como se fosse uma deusa e os altares da deusa Afrodite, a deusa da beleza, estavam ficando vazios, por causa da mortal, Psiquê. Como a filha não conseguia, apesar de toda a beleza, casar-se, seus pais consultaram o oráculo que ordenou que Psiquê fosse exposta em um rochedo. Afrodite então, enviou seu filho Eros, para cumprir a vingança da mãe. Eros deveria vigiar a mortal no rochedo. Acidentalmente, Eros fere-se com uma de suas próprias flechas e fica loucamente apaixonado por Psiquê. O mito aqui relatado é uma das versões. Eros ordena ao vento Zéfiro que transporte Psiquê para seu palácio e lá eles passam a viver como se fossem casados e felizes.
Há uma interdição: ela não poderá ver o marido.
Eros vive durante o dia no Olimpo, próximo aos outros deuses. À noite, foge para o palácio, para sua amada. Psiquê, no palácio é atendida em todos os seus desejos por vozes.
Mas as invejosas irmãs de Psiquê descobrem que ela vive com um homem em um palácio. Inicialmente, Psiquê tenta esconder sua história, mas não resiste e conta que vive com alguém a quem não poderá ver o rosto. As irmãs convencem Psiquê de que não poderia viver com um homem a quem não conhecia. Poderia ser um monstro. Deveria então, com uma lamparina na mão e uma faca na outra, matar o marido, que não passaria de uma serpente monstruosa. À noite, com uma lamparina, aproxima-se do amante e fica em êxtase diante de tanta beleza imortal. Fere-se, acidentalmente, com uma das flechas de Eros e por ele fica loucamente apaixonada. Um pouco do óleo fervente da lamparina cai sobre o ombro de Eros, queimando-o.

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Eros e Psiquê

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa
Amo este poema!
Era usado nos rituais de iniciação dos Templários.
Você gosta de mitologia?
Sou "filha de Lobato", donde... (sim! claro! a grecofilia de Lobato deixou vestígios em todos os seus leitores). Mas gosto mais ainda de Fernando Pessoa...
Não sou conhecedora de nenhum dos dois assuntos, mas a provocação é para conhecer pessoas que gostem para trocarmos idéias. Adoro Fernando Pessoa.
Tem um grande músico de São Paulo que gravou recentemente com outros feras um CD com poemas (musicados por ele) de Fernando Pessoa. Logo te envio o nome do músico e do CD.
Posso adicionar você?
Abraços.
Pode sim, será uma honra para mim.
Abs
AnaLú
Como faço para convidar você? Não estou conseguindo enviar convite.
Vou te convidar, tá bem?
Abs
OK, estou aguardando. Obrigada.
Ué, você nao recebeu? Já te convidei.
Recebi, obrigada, Anarquista Lúcida. Gostei da sua página. Abraços.
Justamente essa estória mitológica para justificar o sofrimento que às vezes, o amor inflinge à alma, ao âmago. Afrodite, como todas as deusas do Olimpo grego, era vingativa e rancorosa. Não aprovava o amor de Psique por seu filho e depois do nefando pingo de azeite, para fazer com que Eros aceitasse a linda princesa de volta fe-la cumprir várias e dolorosas provas, acarretando lhe sofrimentos físicos e morais. São vários os mitos de sofrimento e abandono que os deuses ou as deusas infligiam aos mortais que os amavam. Foi assim com Io por Zeus, Ariadne por Dionisio, Danae por Zeus, Narciso por Afrodite e tantos outros. Mitologia é realmente um assunto apaixonante. A grega é mais intensa e mais romantica, mas as mitologias nórdica, egípsia e chinesa também são interessantíssimas. Sem esquecer da indiana e da própria tupi-guarani, que é toda nossa.
Nossa! você é fera! Adoro o assunto, mas conheço pouco e quero muito aprender. Obrigada por participar e vou adicionar você, posso?
Abraços.

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