Olá,

Gostaria de saber se algum de vocês sabe, soube  ou participou de alguma discussão referente a um novo projeto de reforma curricular do ensino médio.

Há um projeto visando unificação das 13 disciplinas do ensino médio público nacional em quatro grandes áreas do conhecimento - anunciada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Pela proposta, prevista para vigorar a partir do próximo ano, as disciplinas serão integradas em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.

Saiu no Jornal da Ciência Hoje:

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85101

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85123

Segundo o JCH, procurado, o Ministério da Educação informou que tal proposta já foi discutida com a sociedade, sobretudo com secretários estaduais de educação; e discordou de que a proposta busque integrar ou eliminar qualquer disciplina. O que está em curso, segundo o secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, é o que chamou de processo de "articulação" de disciplinas com outras áreas do conhecimento, o qual será elaborado pelo sistema estadual de educação baseado nas orientações do ministério.

 

Será que foi amplamente discutido mesmo?

 

João Paulo Sinnecker

Pesquisador  Associado

Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas

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Respostas a este tópico

Tentarei em breve expressar minha opinião, porque este assunto deve ser uma política de Estado não de Governo.

Joao Paulo, discussao sistematizada nao me lembro nao. Houve tópicos no blog mae (O Nassif Online, nao sei se você sabe que a gente aqui costuma chamá-lo assim), e comentários em outros tópicos. A meu ver, o que está em jogo é que, com a desvalorizaçao da profissao de professor, estao faltando professores em quaisquer disciplinas que dêem chance de outro tipo de emprego aos nelas formados, o que é o caso nao só de Matemática, Física, Química e Biologia como até de Geografia. Entao eles estao "inventando novidade" para resolver o problema, mas maquiando isso sob grandes discursos de interdisciplinaridade e o escambau. Simples assim. Todo mundo que pode, tem tentado escapar do magistério. Em vez de encarar a questao, fazem perfumarias.

Exatamente! E vivemos num mundo capitalista e não adianta o governo inventar que professor vive de ideologia porque isso é mentira, professor vive de salário e um salário que deveria ser digno. Nenhum professor quer ganhar horrores, quer simplesmente que o salário seja digno e com isso atrairá mais jovens para a profissão, como um dia foi assim, professor já foi, um dia, devidamente remunerado. Manda esses vereadores, deputados, prefeitos, governadores, presidentes e etc, viverem com o salário do professor e trabalharem da mesma forma ninguém quer né! Só que se esqueceram que para estar onde estão e ganhando o que ganham precisaram de um, não é mesmo?

JOÃO PAULO,

Infelizmente, a classe média pouca importância tem dado à educação. Um espelho disso pode ser visto nos sítios e blogs. O que predomina é a bipolaridade, é o BIT, sou contra ou a favor. Não se discute os grandes problemas nacionais. Como considero a EDUCAÇÃO a prioridade das prioridades, lancei esse tópico, porém como o tema não faz parte da bipolaridade, então, o assunto fica meio de lado. Lancei, também, em outro SITE, este tópico e UM PAÍS UNITÁRIO. Como lá, também, não é costume temas desse tipo serem discutidos, uns ficaram surpresos outros acharam tudo estranho para o meio. O resultado foi: UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL entrou em destaque e PAÍS UNITÁRIO ficou entre os mais comentados, isso tudo em 02 dias. Quando pretendi publicar o terceiro tópico, não consegui, estava bloqueado, inclusive para comentar. O ambiente, no Brasil, é esse, não se pode pleitear mudanças, pois isso deve ser coisa do outro lado. Felizmente, no Portal do Nassif não existe esse bloqueio, tem sido um ambiente democrático. Veja que não é fácil ir à procura de soluções, mas proponho. 

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL

A solução para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelada à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir cerca de 15% do PIB no orçamento da educação. Devemos oferecer escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade inquestionável: o café da manhã, almoço, janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, Associações, Sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial. Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados; ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, paralelamente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda. Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc. Observações e consequências previsíveis:

1. O tráfico perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, na escola. A segurança pública ficará agradecida.

2. Inicialmente, para aqueles adolescentes que participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.

3. A saúde pública será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem alimentadas, sinônimo de saúde para elas e seus pais.

4. O setor financeiro deve entender que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de bem estar. Será bom para todas as atividades que desejam uma nação economicamente forte.

5. Esse projeto, para ter êxito, necessita de uma coordenação centralizada, inclusive para evitar o privilégio de regiões. Deve ficar, então, sob a responsabilidade do Ministério da Educação.

6. Os recursos, atualmente, aplicados pelos estados e municípios, na educação, devem ser adicionados a esse projeto. Tudo passa para o controle do ME.

7. Deve ser criada uma fiscalização, prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação de: pais, professores e sindicatos, com poderes e recursos para denunciar erros.

8. Recursos adicionais: os pais devem pagar 5% do salário (entradas) pela mensalidade de cada filho matriculado.

9. O pequeno agricultor terá prioridade no fornecimento da alimentação dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno.

10. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar sobre uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares.

11. O Brasil passará a ser um país admirado e respeitado. Deixará de ser o país só das “comodities”, esse anglicismo usado para substituir “produtos primários”.

12. Passaremos a ter produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta tecnologia.

13. O futuro da energia não poderá ficar dependente da contínua destruição de grande parte da nossa AMAZÔNIA. Precisamos desenvolver tecnologias.

14. A energia nuclear, ainda é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la. Não podemos importar tudo a preço de ouro. Temos que investir na pesquisa e desenvolvimento de outras fontes.

15. Outras fontes de energia, como a eólica, a solar etc. Sem um projeto de educação como o proposto, não chegaremos à nossa total independência.

16. Não é com a devastação da Amazônia que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado.

17. Com a devastação de nossas florestas e matas ciliares, seremos as principais vítimas. Os psicopatas, sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% dessa praga. Num país com uma população de190 milhões, temos, assim, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade; inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais esses traficantes e corruptos abastecem a lavagem de dinheiro.

18. Para alcançarmos tudo isso, necessitamos de uma nova forma de fazer política: mandato único em todos os níveis, partidos sem caciques, país unitário, lei única, câmara única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia!

19. A nossa federação tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis, alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras mazelas.

20. Tudo, portanto, por uma educação de nível, para que possamos, pacificamente, revolucionar esse nosso Brasil. As áreas de tecnologia passariam a ter disponibilidade de pessoal com preparo.

21. As nossas Forças Armadas teriam condições de repensar seus projetos de importação, voltando sua atenção para: o desenvolvimento tecnológico próprio, defesa da Amazônia e integridade do nosso território.


22. Proponho que esse tipo de escola acolha as crianças a partir dos 04 anos de idade com o objetivo de termos um bom nivelamento. Poucos são os pais, dentro dessa vida estressante, que têm condições de educar seus filhos durante os 04 aos 07 anos. Há uma tendência de deixarem essas crianças na frente da televisão, mesmo quando sob o cuidado de algum adulto. Dentro da classe média isso acontece, também. Pense que alternativa sobra para as camadas menos favorecidas que, muitas vezes, necessitam usar os precários meios de transporte, já antes do sol nascer. Há estudos que comprovam ser essa faixa etária a mais importante como base para o aprendizado futuro.
Observemos que os pais ficariam menos estressados e teriam mais tempo para serem produtivos e desfrutarem do tempo livre para o estudo, a leitura e o lazer.


23. Lendo um artigo sobre a escola na China, chamou-me à atenção o fato de 02 crianças; filhas de brasileiros, que lá estão estudando; externarem o desejo de retornar à escola brasileira, alegando que a prof, no Brasil, passava uma folha para o dever de casa e que na escola chinesa ela recebia quatro folhas, com a obrigação de entregar o trabalho de casa totalmente feito. Para as crianças chinesas, aquele procedimento era normal. Elas não cresceram sentadas ou deitadas no sofá, só vendo desenhos animados e novelas. Já morei num condomínio, com 108 apartamentos, onde havia uma quadra de futsal que, praticamente, não era usada. Nos fins de semana, quando encontrava um menino solitário no playground e perguntava onde estavam os coleguinhas que não desciam para brincar um pouco; a resposta não era que estavam estudando e sim que a meninada gostava mesmo era do videogame, estavam jogando, por isso não desciam. É por isso que o entrevistador obteve aquela resposta na China.

Os curriculos anteriores tambem não deram certo, pelo mesmo motivo que este também não dará, com certeza. Simplesmente porque quem elabora curriculos e outras coisas para a escola s]ao especialista e teoricos que nunca viram uma sala de aula e, como acham que os professores s]ao profissionais mal formados, não podem discutir problemas tão "serios". E dizer que foi discutido, inclusive, com Secretarios de Educação, é uma piada, pois digam-me se conhecem um secretario que, de fato, conhece os problemas existentes nas salas de aula, onde o professor enfrenta serios problemas de disciplina.

Tem razao, mas ao mesmo tempo tudo isso é secundário. Quando os alunos acreditavam na escola e "jogavam o jogo' da escola, os resultados eram melhores (sem idealizaçoes, sempre houve resistência). Mas agora os problemas sao tantos, que é difícil responsabilizar um só... 

Sinceramente acho que a preocupação da reforma de currículos é mais um pano de fundo para mascarar o mais importante, o respeito, a contínua atualização dos docentes e a sua boa remuneração.

Não adianta pensarmos em soluções miraculosas se não investirmos na educação, modificação de currículos é algo que não precisa investimentos, logo este ponto está sendo priorizado (não digo que não seja necessário) simplesmente por isto.

Pois é. Há problemas com os currículos, algo poderia ser mudado, mas o principal nao é por aí. Um dos "problemas" na verdade nao é um problema (embora cause problemas): é uma coisa boa em si mesma, o acesso quase universal. Mas isso representou a entrada na escola de uma clientela que nao entrava antes, e com a qual a escola nao sabe lidar. Há as condiçoes horríveis de trabalho dos professores (nem estou falando dos salários aviltantes), a "anti-seleçao" que isso provocou, os problemas objetivos da vida das crianças, é um montao de coisas. Às vezes eu deprimo um pouco, acho que os problemas se acumularam tanto, que é quase impossível reverter o quadro a médio prazo. 

Concordo Rogério e o pior é que a população acredita e o professor cansado e desestimulado não faz nada. :/

Exatamente Carlos, mas os professores precisam ter participação no PNE, no currículo, mas não é o que acontece. Infelizmente, o professor está mais alienado que os próprios alunos, esse monte de categorias só serviu como desestímulo para o professor e para, além de dividir a classe, fazê-los mais individualistas. Eles oferecem mestrados e doutorados aos efetivos, só que os efetivos não querem mais saber, me refiro aos mais velhos, estão cansados, não acreditam mais que um dia isso mudará. Por que eles não investem na juventude, que está se formando e ainda não se efetivou, por exemplo? 

Um monte de pedagogos demagogos que nem sequer pedem ajuda do professor para questões tão complexas. Sabe o que as diretorias de ensino fazem? Um monte de questionários que fingem ouvir a opinião do professor aí depois dizem que foi a opinião da maioria dos professores, uma mentira, os professores são tão usados e manipulados quanto a população e os jovens. As escolas, os alunos, os diretores estão sendo usados e manipulados o tempo todo e não tem ninguém para dar um basta nessa coisa toda, nem sindicato e nem nada, pois eles são tão corruptos quanto. Não falando de Lula hoje, mas de Lula de antes, o metalúrgico, era isso que o professor precisava, de um líder com o carisma dele para alavancar a educação, esse líder deveria ter propósitos somente para a educação e não para a política, mas, isso é um sonho! 

Eles mudaram isso, ainda bem, mas o maior problema da educação está atrelada às categorias a qual o professor é dividido e ao maldito bônus, onde professores, além de desestimulados financeiramente são obrigados a passar alunos que simplesmente não tem condição, estou me referindo ao ensino médio. As pessoas não tem a mínima noção de quanto isso está fazendo mal para a auto estima do professor e consequentemente para o ensino. O SARESP é vinculado ao maldito bônus e para que esse Bônus venha não podemos ter repetência e muito menos evasão. Essa prova não existe um gabarito para sabermos qual aluno foi mal e não sabemos o verdadeiro critério utilizado para que esse Bônus saia. Isso sim precisa ser combatido e a aprovação automática, trabalhos de compensação de ausências, onde o aluno não dá as caras na escola o ano inteiro e no final faz um trabalhinho e compensa suas faltas sendo promovido. É um absurdo que precisa ser investigado e denunciado.

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