Religiosidade. Seria uma utopia ou ainda é a única esperança ?

Aceitei participar desta 10ª Reunião das CEBs Brasileiras,que ora realiza-se em Porto Velho,abrindo mão de estar participando do lançamento do livro do Luis Nassif,na minha São Paulo,entretanto acho que o motivo deste retiro foi positivo,pois aqui reencontreia a fé dos irmãos católicos,que para cá vieram,e aqui estão discutindo,como melhorar a relação sociedade-religião,e levar o evangelho de Jesus Cristo,a todas as criaturas,conforme ele mesmo pediu.
Aqui,se falta o mínimo(daquilo ao qual estamos acostumados e dele dependentes,na cidade grande)para termos qualidade de vida,sobra vontade popular e fé do povo na fé cristã,e na confiança que os nossos governantes,mesmo num país láico,de que a governança jamais esqueça que os pobres são a presença de Deus na terra.
Hoje ao almoçar na casa de um participante da reunião,um "picadinho de peba"nome que se dá aqui à carne de tatú cozida com muitas ervas e bastante tempêro,que excetuando a têxtura um tanto quanto dura da dita carne,é deliciosa,tive a certeza de que mesmo distante das facilidades que a cidade grande nos proporciona,a vida sem o falso luxo que ostentamos nos grandes centros,é possível de ser vivida na mais plena intensidade,se tivermos alem da ganancia material,o sentimento que somos responsáveis pela confraternização entre os povos,e esta reunião mostrou que isto é possível de ser feito,se o compromisso cristão prevalecer,nas nossa relaçoes com os "diferentes"' E como são próximos de nós,os "diferentes" habitantes deste longínquo Brasil,que quase ninguem conhece !

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Respostas a este tópico

Esperança de que?
Oi Raí,

é, como o Alessandro, eu também penso que sua proposta nao ficou muito clara.
Esperanca (desculpe-me pelas faltas de acentos e cedilhas, um pequeno problema com esse teclado) de melhorar o sistema político, a desigualdade social, esperanca em ver algum tipo de salvacao teleológica na religiao?
Bom, em todo caso vou dizer o que penso.
Cresci em uma família também do interior, embora nas Gerais. Tive uma educacao regrada nas regras católicas, assim como tinha de ser e geralmente acontece na minha família.
Hoje nao frequento nenhuma religiao, nao sou religiosa e nao creio em Deus. A igreja tornou-se pra mim algo visto como espaco social. Lugar onde parece ter pouco espaco pra uma discussao aberta ou exposicao de pensamentos livres.
A esperanca que a meu ver a religiao pode oferecer é o conforto de que tudo será melhor. O problema é que a prática acaba por ser anulada. Ou pouco se faz.
Sinceramente, nao vejo muita esperanca em uma instituicao que tornou-se também mercadoria.
Mas para muitos as religioes podem trazer sim conforto ou uma forma de enfrentar a vida de uma forma melhor. Eu nao sei. Pode ser que isso se materialize em esperanca de que algo vai ser melhor.
Cara Walkiria,permita-me estender o meu raciocínio sobre a esperança de que a "religião"nos tranforme em melhores pessoas,tambem ao ateu Alessandro Machado,que questionou sobre qual esperança eu confiava. E respondo-os: Se perdermos este pequeno fio de esperança na conquista da salvação e da eternidade,depois de uma vida cheia de desencontros como a que vivemos,qual seria o interesse do "Criador"em colocar na terra as pessoas,com a responsabilidade de levar a sua mensagem a todas as criaturas ?
Seguir uma religião qualquer,não importa o nome desta,é a única razão da nossa vã existencia,pois ao contrário dos animais irracionais,temos alma e compromisso com o criador de nossas vidas,vocês não acham ? E assim,mesmo que demoremos a encontrar o "nosso momento" de reflexão e cumprimento com nossas missões para com Deus,ele virá,e neste momento,lamentaremos não termos acordado para esta realidade antes.
Quando convivemos(embora por apenas 4 dias com milhares de católicos e não católicos,embora seguidores do mesmo Deus)como neste encontro do qual acabo de participar em Porto Velho,e vemos a esperança refletida na cara de cada partícipe deta reunião,sentimos embora tardiamente,que Deus está presente nas nossas vidas,e exige de seus seguidores um mínimo de responsabilidade pela professia do seu evangelho.
E a repeito da sua não crença de que a esperança seja fundamental,eu digo-lhe:sem esta esperança,qual o sentido desta vida ?
Somos esperançosos pelo reencontro com Deus,após a nossa morte; Temos que ter esperança de que após esta atribulada vida,sejamos reconhecidos pelo criador,de que fizemos o melhor do que estava ao nosso alcance,para sermos mais fraternos e justos;Esperamos enfim ter a vida eterna,afinal,após a morte(do corpo)a alma precisa de paz e de amor dos Ceus.
Caro Raí

Como o tema lhe é caro, sugiro a leitura de ''Em que crêem os que não crêem'' (Ed Record), livrinho belíssimo constituído de um diálogo entre Umberto Eco e Carlo Maria Montini. Tenho certeza que vc vai gostar.

De minha parte, creio que há, sim, outros sentidos para a vida, também transcendentes à nossa precária condição humana, que não passam pela religião.
Olá Raí,
Acho que quanto mais cristão menos ingênuo.
A espritualidade, na minha opinião é individual.
Como diz Arturo Paoli em "Um encontro difícil" um homem não é cristão por se achar "bom"
mas o é por querer e tentar se aproximar de Deus.
A formação de grupos religiosos pode existir, mas todos os integrantes têm o mesmo objetivo?
Abraços,
Desculpa ,sou cristão e tambem não me considero igenuo.Quando voce é cristão de verdade e busca a biblia não só como fonte de benção e enriquecimento ou mesmo para paz interior ,mas sim como motivação para as lutas que poderão levar a mudança das mais variadas situações de uma sociedade então oque passa é que o verdadeiro cristão não se acovarda diante da luta que é a busca da igualdade e da justiça.Para mim religião tem que ser vivida com criticidade e não com subimisão,não pode ser oque hoje os neo petencostais que dizem que por la se encontra a riqueza material,que no fundo não leva a nada.
Boa noite Raí,

Você considera-se portador dessa mensagem?
E porque não ?
Quando Jesus enviou os seus primeiros discípulos na difusão da "nova igreja"disse: Ide e pregai o evangelho,a todas as criaturas. Não temais quando não forem bem recebidos,quem vos ouvir,estará ouvindo ao filho de Deus,através de suas bocas. Quem crer e for batizado por vos,em meu nome, será salvo,quem não crer,será condenado.
Sou um ínfimo multiplicador do evangelho de Jesus Cristo,e dentro das minhas pequenas qualidades,está a missão de evangelisar aos carentes da palavra de Deus,e repito: a vida atribulada que estamos vivendo,perde toda sua importancia,se esquecermos de quem a ganhamos,e se não dermos um pouco do nosso tempo,para sermos o portador da "mensagem"do salvador.
Que Deus o abençõe !
Olá Raí,
obrigada pela sua resposta.
Nao sou radical e, justamente por isso, respeito opinioes e crencas. E o respeito às crencas faz parte do meu cotidiano.
Voce colocou o sentido de sua esperanca como a "esperança na conquista da salvação e da eternidade". Mas veja, voce acabou por optar por uma "ética dos fins últimos", transferindo para uma outra vida o objetivo da vida "real". E é esse um dos meus questionamentos. E como fica a vida real? O que faco , ou melhor, o que fazemos pra modificar a realidade do nosso cotidiano, fazendo dele algo possivelmente melhor independe de religiao ou da crenca no divino. Esse era meu problema quando ainda frequentava a instituicao Igreja Católica. No fim parecia-me que muito pouco era feito para melhorar a realidade em si. A Igreja como lhe disse , dissolvia-se em espaco social, refletindo a mesma hierarquia social, apenas de um modo diferente, embora dentro dela.
Seguir uma religiao nao é a única razao da minha va existencia. E talvez há uma característica comum que nos liga, como voce bem disse: A racionalidade. Embora ela nos coloque em caminhos contrários. Voce na crenca e eu fora dela.
Voce perguntou-me qual o sentido da vida quando nao se tem esperanca na eternidade. O propósito da minha existencia nao está centrado na conquista da eternidade, justamente porque nao creio que a mesma exista. A minha esperanca está na melhoria da realidade, e na medida do possível tento faze-la melhor, mesmo que seja por pequenos gestos.
No mais nao quero impor minha opiniao. Todas as discussoes sao deveras saudáveis. Acredito que devemos seguir aquilo que condiz com nosso pensamento. Naquilo que acreditamos, independente se essa crenca está ou nao guiada pela idéia da existencia de Deus.

"Há em cada canto de minha alma um altar a um Deus diferente." (Fernando Pessoa)
EU TOMO A LIBERDADE DE AFIRMAR DENTRO DO QUE VIVI NA IGREJA ENQUANTO COMUNIDADE DE BASE E INFELIZMENTE NÃO VIVO HOJE DENTRO DA MESMA IGREJA POREM PÓS JOÃO PAULOII,QUE A ESPERANÇA PARA MIM CONTINUA APROPOSITO ENVIO UM PENSAMENTO MEU A RESPEITO DA IMPORTANCIA DA FÉ E DA ESPERANÇA


Todo ato humano é um ato político, basta que o homem tenha uma consciência que o faça agir dentro de uma obrigação moral, e ele estará tendo extensão social e política.
A política é considerada a arte das artes, porque tem como objetivo a justiça no sentido mais abrangente, o do bem comum de toda a sociedade.
É chamada a Arte das Artes porque todas as artes dependem de tal sorte da política, que se esta for para o abismo todas às outras também irão.
Mas como arte necessita de artista, são estes artistas que a sociedade tem que formar e incentivar para que participem da política.

A responsabilidade política e imensa diante das necessidades de centenas de milhares de trabalhadores, comerciantes, industriais, enfim de toda a sociedade.
Um partido político tem que Ter dois pés um calcado naquilo que e’ imutável o direito universal da pessoa humana o outro pé na participação do povo, para o povo, neste sentido com a verdade que diz (POLÍTICA-POLIS =CIDADE e DIKAIOUSINE= JUSTIÇA) sendo assim teríamos justiça na cidade dos homens.
Libertar o povo dos interesses mesquinhos e pessoais, alargando seus horizontes para o bem comum de todos, é indispensável para termos eleições de pessoas dotadas não só de capacidade, como de honestidade.
Quando o Vaticano diz: “COM EMPENHO SE DEVE CUIDAR DA EDUCAÇÃO CIVIL E POLÍTICA, HOJE MUITO NECESSÁRIA PARA O POVO COMO SOBRETUDO PARA A JUVENTUDE AFIM DE QUE TODO O CIDADÃO DEVE DESEMPENHAR SEU PAPEL NA VIDA DA COMUNIDADE”.
Dom Oscar Romeiro chamava a politica de a Pastoral da Trincheira.
Che Guevara costumava dizer: “A revolução latino-americana será invencível no dia que os cristãos entrarem na massa”
Procuremos meditar e descobrir os pontos de contato, a abrangência sobre a política e buscar entender o que o Evangelho pode e deve envolver a política, a ponto de esta receber o titulo de cristã, e pôr isto de humana e finalmente de caminhos de DEUS.

Antonio Carlos Gomes
Fonte de consulta, Frei Leonardo Bof.
Meu caro Antonio Carlos,o homem sempre precisou acreditar em "algo"para ter fôrças para lutar,e a maior fôrça que o ser humano pode ter,é a crença,ou a religiosidade,pois os temas meramente materias são efemeros superficias,daí que desde o mais longínquos tempos,os homens sonhavam com a "libertação" Esta veio(embora não tenha sido entendida nos seus conceitos)com a vinda de Jesus Cristo à Terra,e após sua volta,ficou a missão dos seus seguidores,que como "crentes" num futuro melhor para sua geração,e em alguns casos,na sonhada slvação,após a morte terrena,dram sus vidas pelos seus próximos. Exemplos: O próprio Jesus; Che Guevara;Chico Mendes;Pense nisto.
Caro amigo Antonio Carlos,ontem estava sobrecarregado de trabalho,e quase que não tive tempo de responder sobre o tema proposto por mim, na página da Comunidade,e fui pouco claro. Então,o que acho,é que independente de praticarmos (ou frequentarmos)qualquer religião,a fé em algo superior,que nos deu a vida e a inteligencia,é fundamental,e sem isto a vida fica um vazio só,você não acha ? Será que após esta (às veses) infrutífera existencia,simplesmente fechamos os olhos,e acabou ? Grandes pensadores,e o seu exemplo do Frei Leonardo Boff é muito pertinente,pensam a religiosidade como um meio de servir a Deus,enquanto somos fortes e produtivos,e almejamos com isto,uma recompensa no ceu,vamos assim dizer. Ninguem escolhe tomar partido em qualquer luta em prol do nosso próximo,se não para ser útil à sua geração,e se não para termos a certeza de que cumprimos nossa missão na terra. Assim fizeram Gandi,Martin Luther King,Mandela,e outros estão fazendo,embora não sejam reconhecidos no momento,e mesmo professando cada um dos citados crenças diferentes,todos tinham ou têm como razão da existencia,o compromisso com o criador de serem seus representantes na terra,na implantação de uma vida não somente material.
Qual a razão,por exemplo,do Che Guevara,ter trocado a comodidade do poder em Cuba,como fizeram seus colegas de revolução,pela luta pela liberdade dos seus irmãos sulamericanos ?
Qual a razão do líder sindical Lula,de sair da comodidade do sindicalismo paulista,para ter que conviver diariamente com a "imundície"deste Congresso,que nas suas próprias palavras,é "um covil de ladrões,travestidos de parlamentares,e com aneis de doutores nos dedos"?
A escolha da Teoria da Libertação,pela qual o nosso Frei Leonardo Boff,e seu discípulo Frei Betto foram expurgados da (conservadora)igreja católica,mostra que nem sempre é de flores o caminho da religiosidade usada para conquistar alguma coisa de bom,para os nossos semelhantes ,enquanto por aqui estivermos.
Espero ter sido mais claro,quando tento explicar,que sem este mínimo de religiosidade(não fanática)e sem a fé numa existencia futura para a alma,a vida terrena seria mais que uma utopia,seria ao contrário do que pregou Marx,um ópio da raça humana.

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