uma das pouquíssimas administrações petistas,

do partido que pretendeu mudar o pais,

escancara essa viagem rumo ao Infinito.

 

Falamos da cidade que nesse momento

é pauta nacional, revelando que outra

 saída não haveria a não ser o lockdown.

Aqui está um Festival que escancara o

Resultado de um país sem política social,

essencial (saúde e cultura) (*).

 

ACESSEM O VÍDEO CLICANDO AQUI

Estabelecer uma diferença entre a Lei Rouanet e Lei Aldir Blanc nos dias de hoje, talvez não seja tão difícil como possa parecer. O grande entrave é fazer a “revelação” dessa fotografia projetando, na realidade, que até parece estarmos vivendo no tempo do Império.

 (*) na foto acima do espetáculo Eles Não Usam Black-Tie no Teatro de Arena SP

é possível ver Lélia Abramo, Guarnieri (de costas), Vianinha, Dirce Migliacio e Miriam Meller (de lado).  1958.

A imagem dos artistas, sob o domínio da Rouanet, era de que na sua maioria não passavam de magnatas, exploradores dos cofres públicos, vivendo uma vida semelhante dos barões do narcotráfico, como Escobar, Miguel Angel e El Chapon. Pior ainda, parte da sociedade brasileira, reacionária, a favor da pena de morte (para os pobres) e adepta da sonegação fiscal, acobertada por uma Imprensa Escrita lacaia de interesses inconfessos, tributavam aos artistas de “esquerda” a maior parte do enriquecimento ilícito.

 

Quando a casa “caiu”, em meados do primeiro semestre de 2020, com a chegada do tsunami COVID-19, não mais do que de repente anunciado pelo mestre de cerimônia, Miguel Falabella, na entrega On Line dos prêmios aos atores no Rio de Janeiro, revelou que milhões de pessoas, direta ou indiretamente viviam da atividade artística e cultural no Brasil. A partir daí esses mesmos artistas passaram, na visão dos anteriormente citados, para o lado oposto, ou seja, na prática e na visão de gregos e troianos passaram a ser um bando de miseráveis, que precisava de ajuda financeira para não morrer de fome. Paradoxal, porque nesse mesmo momento um escândalo Nacional prosperava, envovendo o próprio compositor Aldir Branc que, assim como a população em geral, foi obrigado a passar pelo sofrimento de morrer literalmente sufocado à procura de uma UTI. Socorrido tardiamente, ou por motivos correlatos, Aldir não sobreviveu e foi escolhido como o patrono do que veio a se chamar Lei Aldir Blanc. Patético.

 

Esta é uma empreitada que não tem mocinhos, só tem bandidos ou, na melhor das hipóteses, “inocentes úteis”. Depois de muito “Fuá”, destinou-se três bilhões de reais como se isso pudesse ser a salvação da lavoura. Não foi. Muita gente “do bem” viu ai a possibilidade de se projetar politicamente e até, por que não, eleitoralmente. O preço é muito mais caro para a sociedade que vai pagar, em especial, justamente os artistas de menor visibilidade com o passar dos tempo. Alguns já começam a procurar outra profissão. Isso é um crime contra um seguimento Nacional, e não há indenização que pague. Pior do que as vítimas da Ditadura Militar, não temos dúvida disso.

 

Era a tarde que desaba como um viaduto, tendo como início uma longa noite e extenuante. Este espetáculo não tem hora para acabar. A ajuda, distribuída como se fosse sopa em pó misturada a água, para a grande maioria dos municípios brasileiros. Num desses, que poderia ser, se a esperança equilibrista por aqui ainda existir, um Museu da República Brasileira, informal, onde destroços de décadas de luta e trabalho braçal existe, formando um cenário “chocante”. De qualquer forma tentamos ao menos registrar que “se vamos todos morrer, que nos deixe ao menos persistir e resistir”.

 

(*) São eles, a atriz Lelia Abramo e o escritor chinês Liu Sai Yam que, segurando bravamente seu testemunho de vida, tanto ou mais virulento que Neruda; que confessou ter vivido.

 

Outra coisa não nos resta, a não ser convidá-los para acessar o testemunho dessa jornada.

Jair Antonio Alves - dramaturgo

Festival Aldir Blanc - Viagem ao Fim do Mundo

 

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