Somente 16% da população mundial, localizada nos 65 países onde o consumismo é predominante, representa 78% dos gastos de consumo globais. O dado é referente ao ano de 2006 e faz parte do relatório Estado do Mundo – 2010, produzido pelo Instituto Akatu e o Worldwatch Institute, com sede em Washington (EUA), e divulgado nesta semana. Levando em conta apenas os Estados Unidos, o país apresentou um gasto de US$ 9,7 trilhões em consumo naquele ano, o equivalente a cerca de US$ 32.400 por pessoa. Esse número representa 32% dos dispêndios globais feitos por apenas 5% da população mundial.

O autor do artigo que traz os números, Erik Assadourian, revela que, se todos na Terra vivessem como americanos, o planeta poderia sustentar apenas 1,4 bilhão de pessoas. No caso de uma
leve diminuição do consumo, ainda assim, sómente 2,1 bilhões de pessoas seriam sustentadas.

Consumo desenfreado

Um montante de US$ 30,5 trilhões – analisado em dólares de 2008 - em bens e serviços foi consumido por pessoas de todos os cantos do mundo. Esses dispêndios referem-se a necessidades como alimentação e moradia.

O estudo chama a atenção em torno do aumento da renda discricionária, que elevou o gasto das pessoas com alimentos mais pesados, moradias maiores, carros, eletrônicos e viagens.

No que se refere ao ano de 2008, 68 milhões de carros, 85 milhões de geladeiras, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de celulares foram adquiridos por pessoas de todo o mundo.

Se compararmos com o ano de 1996, houve um crescimento de 28% em relação aos US$ 23,9 trilhões gastos naquele ano e seis vezes mais do que os US$ 4,9 trilhões gastos em 1960. O resultado mostra que os gastos com consumo por pessoa praticamente triplicaram.

Perigo

De acordo com o Indicador de Pegada Ecológica, que compara o impacto ecológico humano com a quantidade de terra produtiva e área marítima disponíveis para o abastecimento de ecossistemas centrais, a humanidade utiliza hoje, recursos de 1,3 Terra.