Sérgio Malbergier, a crise do Neoliberalismo e a 'morte' da Esquerda!!

O texto do Sérgio Malbergier, publicado dia 26/02 na 'Folha Online', é sério candidato a ser eleito uma das 'pérolas do ano', tal a quantidade de absurdos que o mesmo escreveu. Abaixo, comento o texto, colocando as minhas observações logo abaixo do que o Sérgio escreveu.

Texto:

Crise capitalista mata a esquerda

1) "Você conhece alguém que tenha se tornado "de esquerda" (como isso soa antiquado!) com a atual crise do capitalismo?".


R- Não, mas sei que milhões de trabalhadores estão ficando desempregados no mundo inteiro em função da crise e a imagem que eles têm do 'livre-mercado' não deve ser das melhores, para dizer o mínimo.

2) "O sistema mais uma vez agoniza. Mas se nos anos 1930 essa agonia fortaleceu totalitarismos à esquerda e à direita, desta vez a saída é para o centro. Ainda bem.".

R - Falta combinar isso com os governos que estão adotando práticas protecionistas e com os trabalhadores que estão cada vez mais irritados com a presença de trabalhadores estrangeiros em seus países.

3) "Ninguém que conta quer revolucionar nada, mas aperfeiçoar (o que por enquanto significa limitar) as poderosas forças do mercado e da livre iniciativa.".

R - E quem garante que esse 'aperfeiçoamento' será suficiente para superar a crise? E desde quando a imposição de limites para a atuação do mercado representa um aperfeiçoamento do mesmo?

4) "A crise global serviu para mostrar os limites atuais do liberalismo econômico, assim como os ataques do 11 de Setembro frearam o avanço das liberdades individuais.

Mas são dois movimentos convergentes, inevitáveis em nossa cultura individualista, baseados na percepção, cada vez mais óbvia para mais gente, de que quanto menos o governo interferir em nossas vidas e quanto mais formos donos dela, melhor.".

R - Então, deve ser por isso que os banqueiros do mundo inteiro estão implorando por ajuda estatal a fim de salvar as instituições financeiras, não é mesmo? E deve ser por isso que o Estado, no mundo todo, já injetou um valor gigantesco, de vários trilhões de dólares, para evitar uma Depressão econômica, correto? Está explicado...

5) "Pois por mais que se fale da importância do Estado neste momento, ninguém o defende como solução permanente para as necessidades de desenvolvimento das nações. Muito pelo contrário".

R - Então, porque o Estado é que está novamente, tal como ocorreu na década de 1930, na época da Grande Depressão, socorrendo o setor privado falido do mundo todo? E também ninguém defende, com exceção dos xiitas de sempre, a manutenção da desregulamentação desenfreada e que foi um dos fatores principais que desencadeou a crise. Muito pelo contrário.

6) "A emergência da China capitalista fechou o círculo econômico global. O capitalismo foi flex o suficiente para abraçar o maior Partido Comunista da história que conduz a maior expropriação de mais-valia do mundo para lucro de grandes corporações ocidentais.

E todos estavam felizes com o casamento. Até o colapso do sistema financeiro como o conhecíamos e sua dolorosa recomposição.".

R - O colapso do sistema financeiro está diretamente relacionado justamente à expansão da economia chinesa, que atraiu empresas de setores inteiros das economias dos países ricos (automóveis, tecidos, calçados, etc) e forçou a queda da renda dos trabalhadores nos países ricos. Daí, para poder crescer com a renda da população estagnada, os países ricos apelaram para a especulação financeira e o endividamento (público e privado, principalmente privado) para continuar crescendo. E tal financiamento foi bancado pelos países que têm grandes superátivs comerciais com os EUA, principalmente a China, Japão, Rússia, Coréia do Sul e Alemanha. Enquanto eles emprestaram para os norte-americanos, a economia dos EUA cresceu. Agora, que chegou a hora de pagar as dívidas acumuladas, a economia dos países ricos cai na pior crise desde a Grande Depressão. Assim, a exportação de empregos para a China foi um dos fatores que contribuiu para o início e o fim dessa farra de especulação e de endividamento. E a China ainda mantém restrições à entrada e saída de capitais e o governo controla o sistema financeiro, além de possuir ainda milhares de estatais. Portanto, a China está muito distante de adotar políticas neoliberais.

7) "Nos Estados Unidos de Barack Obama, o maior líder global e sua equipe deixam claro sempre que podem que o estatismo da hora é tão inevitável quanto indesejável no longo prazo. A Europa também está fincada do centro para a direita, como na Alemanha, na França, na Itália e no Reino Unido (sim, o trabalhismo britânico é de direita).".

R - O estatismo pode ser indesejável, mas quem disse que ele não será necessário e por um bom período de tempo? Muitos economistas respeitados já acreditam que a economia norte-americana irá crescer muito pouco e isso irá persistir durante muito tempo. Muitos, inclusive, temem que os EUA enfrentem uma situação semelhante à do Japão durante a década de 1990/2000, quando o país asiático ficou estagnado. E a escolha de responsáveis pela eclosão da crise para superar a mesma não é, exatamente, uma atitude muito inteligente de Obama.

E quem disse que o fato de tais países (Alemanha, França, Itália, etc) ter governos de Direita os impedirá de fazer aquilo que for necessário para sair da crise? Afinal, não são estes mesmos governos que estão estatizando o sistema financeiro (vide Gordon Brown) e defendendo uma refundação do capitalismo e com uma regulamentação muito mais rígida da economia do que a que existe atualmente, como fez a União Européia recentemente?

8) "Na Ásia, o capitalismo enriqueceu os principais países da região, com a exceção óbvia da obscurantista Coréia do Norte, que repele pelo exemplo.".

R - E quem, afinal, defende o modelo norte-coreano como solução para alguma coisa?

9) "Na América Latina, os dois líderes mais populares são Lula e Álvaro Uribe, o presidente da Colômbia, ambos também de centro-direita no diapasão macroeconômico.".

R - Mas, os governantes que estão ganhando TODAS as votações e eleições na região são Chávez, Morales e Rafael Correa. Chávez já venceu 14 de 15 votações que disputou. E em quase todos os países latino-americanos estamos assistindo a vitórias de partidos de Esquerda e de Centro-Esquerda nas eleições. Até na Guatemala e no Paraguai, que sofreram duramente, por várias décadas, com ditaduras violentas de Direita, isso aconteceu. E a Colômbia é uma ditadura disfarçada, na qual são assassinados, todos os anos, centenas de militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda, de direitos humanos, etc. Belo exemplo, esse, não? Quanto à Lula, ele mesmo já declarou que não acredita que o mercado resolva tudo sozinho e afirma claramente que o Estado têm um papel importante a cumprir na promoção do desenvolvimento econômico e social. Mas, parece que você não ficou sabendo disso.

10) "A tal Revolução Bolivariana de Hugo Chávez e Cia parece mais uma paródia da paródia, "Bananas" de Woody Allen levado à vida real por personagens ainda mais autênticos, dirigidos por Zé Celso Martinez.

O petrocaudilho venezuelano, por exemplo, apenas clona o modelo da antiga República venezuelana que dividia a renda da venda do petróleo aos EUA entre os apaniguados de AD e Copei. Agora a divisão é entre os favoritos do ex-coronel que quer ficar eternamente no poder, como seu ídolo Fidel Castro, o ditador de pijamas, que colocou seu irmão Raúl no comando modorrento de um regime moribundo. Quem quer isso?".

R - Faltou você dizer que os favoritos de Chávez são os pobres e miseráveis venezuelanos, que representavam a maioria da população quando ele tomou posse na Presidência, no início de 1999, e hoje são uma minoria, pois o governo Chávez reduziu substancialmente a taxa de desemprego, elevou o poder de compra do salário mínimo (que é o maior da América Latina), aumentou fortemente os investimentos em Saúde e Educação. E isso explica porque Chávez venceu 14 de 15 votações realizadas no país desde que se elegeu Presidente, em 1998. Então, parece que o povo venezuelano é um dos que quer isso que você tanto critica.

11) "Quem quer a rigidez, a prepotência, a ineficácia e a corrupção inevitáveis dos governos pantagruélicos? Ninguém. Ou quase ninguém.".

R - E quem quer a continuidade do livre-mercado, da livre-especulação e da visão de que o 'Governo é o problema e não a solução', como dizia Reagan? Ninguém. A não ser você e mais alguns poucos neoliberais xiitas que não percebem que o mundo mudou.

12) "As viúvas mais enrustidas da foice e do martelo tentam gritar que a solução para a aguda crise do capitalismo são as antigas ilusões socialistas tão desacreditadas pela história. No último Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, até as mangueiras perceberam quão esvaziado está o movimento esquerdista global em plena crise capitalista.

A mão invisível que pune financistas inescrupulosos e suas muitas vítimas também golpeou, mortalmente, as pretensões da antiga esquerda de se reerguer como opção ao sistema hegemônico.".

R - Esse é o típico discurso anti-comunista histérico e rasteiro, que convence apenas os eternos manipuláveis e desinformados. Parece que você acredita que o Capitalismo neoliberal está ganhando cada vez mais adeptos no mundo. Deve estar, mesmo, principalmente entre os milhões de trabalhadores que estão ficando desempregados, entre a classe média que vê o seu padrão de vida despencar e entre os contribuintes, cujo dinheiro que pagam para o governo sob a forma de impostos está sendo utilizado maciçamente para salvar especuladores e bancos falidos, como o Citigroup, que acabou de ser (parcialmente) estatizado pelo governo Obama. Calcula-se que o novo pacote de salvamento dos bancos privados falidos poderá chegar a ter um custo total de ‘apenas’ US$ 2 Trilhões. Haja imposto para bancar (com trocadilho) tudo isso.

13) Um ganho colateral importante nessa triste crise transformadora.

R - Ganho colateral para quem? Só se for para os especuladores e financistas que enviaram as fortunas que pilharam para os paraísos fiscais e que ganham bônus bilionários enquanto dezenas de milhões de trabalhadores perdem os seus empregos mundo afora?

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/sergiomalbergier/ult1001...

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Respostas a este tópico

Marcos, morte da esquerda é uma falácia! Você fez muito bem em comentar as afirmações uma a uma. O que há é uma falta de pensadores para pensar o nosso tempo. Tanto se tentou desviar as atenções, relativizando as principais questões, que tem sido preciso retomar grandes pensadores como Lukacs, Gramsci, Meszaros, sem deixar de ler Lenin, Marx, Engels e mesmo Hegel. São referências importantes, como os clássicos e textos épicos de Homero, Virgílio e Dante Allighieri. Abraço, Ivanisa
Ivanisa, há um retorno, sem dúvida, às grandes contribuições destes pensadores que você citou, e que foram relegados a último plano na época da hegemonia do 'pensamento único'.

A crise do Neoliberalismo destruiu com essa hegemonia e abriu novas possibilidades e perspectivas de mudança, fazendo com que o estudo do pensamento destes intelectuais se torne essencial.
Marcos
Esse pobre coitado é tão desinformado que desconhece que até mesmo a Folha publicou textos de Marx para que se possa entender as crises do capitalismo, em especial essa advinda da globalização e da financeirização exarcebada. Os "teóricos" da direita não estão dando conta do recado...
Tb desconhece que os partidos de esquerda na Europa estão ganhando impulso, livrando-se da capitulação do eurocomunismo.
Não por menos, Berlusconi está fazendo de um tudo para criminalizar a esquerda "indócil", que aumentou em 15% as intenções de voto.
Da AL nem é preciso dizer, mesmo os governos mais híbridos, como o nosso, estão sendo cada vez mais pressionados a valorizar o "capital" humano.
O que não significa que é preciso deixar de pensar e de agir cada vez mais estrategicamente para quebrar o poder de reação da direita na manuntenção da hegemonia, até antes dessa crise muito bem sucedido. O que inventarão agora, depois que o neoliberalismo que postergou a crise dos anos 70 faliu?
Isso mesmo, Luiza. Há um crescimento significativo das Esquerdas na Europa, hoje.

Além da Itália, que você já citou, temos o caso da França, onde foi criado um partido anti-capitalista.

Na Alemanha, temos o Partido de Esquerda (um dos principais líderes é Oskar Lafontaine, ex-líder do Partido Social-Democrata alemão), que já conta com cerca de 15% das intenções de voto no país e que pode vir a se transformar no fiel da balança da política alemã, além de ter condições de crescer ainda mais.
Marcos, sempre que ouço alguém dizer que não há mais esquerda e direita, que a esquerda acabou e coisa assim, fico a me perguntar o que será que essas pessoas entendem por direita e por esquerda. Eu, acompanhando o que asseverou certa vez Norberto Bobbio em um artigo que publicou no Jornal do Brasil na época da queda do Muro de Berlim, considero que essa distinção subsiste e que está mais viva do que nunca. Grosso modo, diria que é de direita a corrente política que refuta o conceito segundo o qual civilização é o estado em que o mais fraco é respeitado e de esquerda quem pugna para fazer desse conceito uma prática de vida.
Aliás, chamou-me especialmente a atenção o teor do item 3 do texto do Sérgio Malbergierno, que diz: 3) "Ninguém que conta quer revolucionar nada, mas aperfeiçoar (o que por enquanto significa limitar) as poderosas forças do mercado e da livre iniciativa." Ao lê-lo, fiquei com a nítida sensação de que eu e o citado autor não comungamos da mesma concepção sobre "quem conta". Parece-me que a idéia contida nessa expressão do autor "quem conta" traduz a essência do pensamento da direita - ou seja - apenas alguns de nós contamos.
A vida é um sistema de seres interligados e interdependentes. Pena que muitos de nós insistamos em querer ignorá-lo.
Abraços,
ilva
"Parece-me que a idéia contida nessa expressão do autor "quem conta" traduz a essência do pensamento da direita - ou seja - apenas alguns de nós contamos.".

Exatamente, Ilva. Você 'matou a pau' no seu comentário. E se pensarmos bem, todo o restante do artigo do Malbergier é decorrência desta visão de que apenas alguns 'contam' e entre esses alguns, evidentemente, que não estão incluídos os trabalhadores, os camponeses, os estudantes, os intelectuais. Apenas a burguesia de sempre é que 'conta', é claro, para o Malbergier.

E é justamente isso que diferencia, no fim das contas, a Esquerda da Direita. Para a Direita, apenas alguns 'contam'. Para a Esquerda, todos 'contam'.
Essa história da morte de esquerda e direita é muito simples: quem diz isso é de direita. Quem é de esquerda, sabe que direita e esquerda existem, e se diz de esquerda; quem é de direita diz que a História acabou, que nao há direita e esquerda, etc.
Perfeito, Anarquista Lúcida. E ao negar ac existência da divisão entre Esquerda e Direita, o que esta faz é exatamente dizer que não existe Esquerda e que todos, portanto, seriam de Direita.
Procura-se sofisticar muito a definição de esquerda e direita política para confundir e para se situar numa posição confortável.
Várias pessoas confundem esquerda com socialismo, mas a origem da definição clássica de esquerda não o faz. Esta diferença fica clara citando-se o nome do famigerado Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP (ou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou simplesmente Partido Nazista). Este partido tinha no seu nome a palavra Socialismo por sugestão do próprio Hitler. Da mesma forma Mussolini aceita em parte as idéias socialistas negando a luta de classes e o materialismo dialético. Em resumo tanto um como outro movimento se denominavam simpáticos a teses socialistas e negando o que caracteriza a esquerda (desde os tempos da Revolução Francesa), a mudança de classe dominante.
Usando os contra-exemplos acima, que são facilmente identificados como extrema direita, pode-se identificar o que se chama direita e esquerda, atenção não se pode reduzir este argumento dizendo que toda direita é fascista ou nazista, isto é mais utilizado como discurso político do que explicação científica da política. O Que se pode identificar como direita são movimentos que pretendem sem intervenção do governo (movimentos liberais) ou com forte intervenção (ou mediação, como diziam os antigos trabalhistas) manter as estruturas de classe social como estão.
Voltando a discussão quanto ao fim esquerda ou direita, enquanto houver alguém que quiser manter o “status quo” e outro que queira modificar a relação de poder, tem-se um direitista e um esquerdista. O que se denomina atualmente de centro geralmente pode-se caracterizar como uma pessoa de direita, pois o imobilismo nas propostas de mudança da sociedade caracteriza uma personagem de direita.
Voltando ainda mais um pouco, ao texto do Sérgio Malbergier, vê-se claramente que este senhor pode se classificado como alguém de direita, à medida que o mesmo propõe políticas de defesa da estrutura política resolvendo os problemas econômicos via intervenção do estado.
Não estou aqui fazendo nenhum juízo de valor sobre todas as ideologias acima citadas, estou simplesmente simplificando o debate, definindo-se melhor as posições fica claro o que todos querem.
Para não adotar uma postura em cima do muro sobre os princípios abordados no texto do Sr. Sérgio Malbergier e seus detratores (Marcos Donizeti a AnaLu), podem-se fazer algumas críticas.
1. O sistema capitalista não está agonizando, pois quando alguém está agonizando ele está à beira da morte, e não se vê evidências disto.
2. Estamos no início da crise, e quem tem capacidade de profetizar que a saída será pelo centro, e se a saída for pelo “centro”, significando nenhuma mudança, o capitalismo que “está agonizando” continuará. Ou seja, ele deve escolher, ou está agonizando ou não?
3. “A crise global serviu para mostrar os limites atuais do liberalismo econômico”, pode ser um consenso generalizado (até não tanto, existem economistas ortodoxos que preferem à crise total a intervenção), mas dizer que “os ataques do 11 de Setembro frearam o avanço das liberdades individuais” como um consenso é um absurdo, o problema do terrorismo empregado contra as torres gêmeas não tem nada com liberdades individuais, tem mais com a incapacidade dos sistemas de segurança americano na época não avaliarem corretamente os reais inimigos.
4. Quanto aos banqueiros e demais detentores do capital não defenderem a interferência do estado nos seus negócios é claro e evidente, durante aos períodos de crescimento econômico procura-se a privatização dos lucros, na época das crises a socialização dos prejuízos, ninguém é bobo de colocar o seu dinheiro para resolver os seus problemas.
5. Dizer que quem se diz de esquerda é esquerda e quem não diz nada é direita, trata-se de um reducionismo em extremo, pois veremos logo as hostes da esquerda serem engordadas por oportunistas de plantão.
Rogério, discordo totalmente de que Esquerda e Socialismo não estão ligados desde a sua origem. Afinal, é a Esquerda quem sempre defendeu o Socialismo, sim.

Com relação a Hitler e ao Partido Nazista, que usava da expressão 'Nacional-Socialista', nada é mais contraditório com o Socialismo do que o uso desta expressão. E por um motivo muito simples: o Socialismo era, por definição, um movimento Internacionalista, não havendo nenhuma ligação com qualquer tipo de nacionalismo em particular. E Hitler era um Nacionalista extremado. Somente isso já é suficiente para demonstrar que o uso da expressão 'Socialismo' nada tem a ver com o Socialismo propriamente dito. Foi apenas uma jogada política oportunista de Hitler.

Hitler e Mussolini gostavam das técnicas de mobilização e organização dos Socialistas (as manifestações populares, a propaganda maciça, etc) mas jamais sequer pensaram na possibilidade de mobilizar e organizar os trabalhadores a fim de promover uma Revolução Socialista que destruíssem com o Capitalismo. E é justamente isso que caracteriza a Esquerda: a luta pela construção do Socialismo, algo que Hitler e Mussolini nunca fizeram. E não se pode esquecer que quem sempre apoiou o Fascismo e o Nazismo, ostensivamente, foi a classe média e não a classe operária. As classes médias é que apoiaram intensamente tais movimentos, pois se sentiam ameaçadas pelo crescimento do forte e organizado movimento socialista da Alemanha e da Itália. Fascismo e Nazismo foram, de fato, movimentos contra-revolucionários que visavam destruir com o movimento socialista. Tanto que foi exatamente isso que Hitler e Mussolini tentaram fazer quando chegaram ao poder em seus países.

Logo, nunca houve simpatia ideológica alguma de Hitler e de Mussolini pelo Socialismo.

Eu jamais disse que toda Direita é fascista ou nazista. Não sei de onde você tirou essa idéia. Do meu texto é que não foi.

Para mim, o que caracteriza Direita e Esquerda não é a vontade de manter o 'status quo', mas qual o objetivo de ambos os movimentos. O objetivo da Esquerda é criar uma sociedade igualitária e o da Direita é o de eternizar as desigualdades. E é isso, e não os métodos de luta dos quais se utilizam (que são os mesmos, já que a Direita os copiou da Esquerda, como fizeram Hitler e Mussolini), que define uma e outra, a meu ver.

O Capitalismo pode não estar agonizando, mas que está enfrentando uma séria crise, a pior em 100 anos, isso está, sim. E como a crise ainda está no começo, creio que é cedo para prever qual o rumo que a mesma tomará. Têm muito banco e empresa esperando pela falência ou pela estatização, ainda.

E qualquer uma destas saídas implicará num enfraquecimento do Capitalismo, pois teremos um setor privado mais fraco e um setor estatal muito mais forte no mundo todo e por um bom período de tempo.

Não há nenhuma garantia que a saída da crise se dará pelo centro. Ela poderá se dar pela Esquerda ou pela Direita e em ambos os casos o capitalismo neoliberal, do Estado Mínimo, sairá derrotado.

Mais do que falhas dos sistemas de segurança norte-americanos (que foram muitas, sem dúvida) o ataque às torres gêmeas têm a ver é com as políticas imperialistas dos EUA, que geram inimigos no mundo todo.

Quanto à privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos pelos capitalistas, foi justamente isso que eu disse no meu texto. Então, isso significa que você concorda comigo neste ponto. Mas, que isso é hipocrisia total dos capitalistas, isso é, sim.

E o que eu disse é que faz parte da estratégia política da Direita dizer que não existe conflito entre Esquerda X Direita e que isso é uma maneira de dizer que a Esquerda não existe e que todos são de Direita.

Espero que tenha entendido, agora, o que eu afirmei.
Oi, todos
Pus há algum tempo atrás o seguinte post num tópico do Weden no Grupo Mídia; acho que ele serve para o que estamos discutindo aqui:

Há já algum tempo, o blog O Biscoito Fino e a Massa, do Idelber, publicou um "teste" de posicionamento ideológico, mas nao num eixo só (esquerda-direita) e sim em 2 simultaneamente (esquerda-direita E autoritário-libertário). O interessante da coisa é que o posicionamento ocorria num ponto discreto, mas dentro de um contínuo (a superfície inteira de um quadrado cujas "linhas centrais" horizontal e vertical representavam os 2 eixos acima. O teste colocava alguém num ponto do quadrado depois de que a pessoa respondesse a várias perguntas sobre temas diversos. Creio que as perguntas eram um pouco orientadas pela realidade americana, mas acho que seria interessante a análise dessas perguntas, para ver os discursos subjacentes a elas, que por sua vez permitiam a depreensao do posicionamento de cada um.
Um abraço
AnaLú

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