Sob O Olhar Impotente - Ou Complacente - Da Justiça Eleitoral, O Juiz Sérgio Moro Envolve A Sucessão Presidencial Em Uma Atmosfera De Terrorismo Midiático

"É melhor - e mais nobre - ceder à força do que ao medo."

Friedrich Schiller


Valendo-se de vazamentos pontuais e seletivos de um processo que, segundo consta, deveria correr em segredo de justiça, o exército de jornais, TVs e mídias diversas empenhados em fazer do senador Aécio Neves o próximo Presidente da República, custe o que custar, tem incendiado as bancas de jornais e telas de TV do país com uma ininterrupta avalanche de acusações bombásticas que omitem nomes mas referem-se - fazendo uso de um generalismo canalha - ao "PT e seus aliados."

No contexto de uma assim chamada "delação premiada," o escroque Paulo Roberto Costa é nomeado como o autor dessas denúncias, e aqui cabem algumas perguntas que precisam ser urgentemente respondidas. Foi a reportagem da edição nº 2390 da revista Veja em 10/09/2014 caprichosamente agendada para coincidir com as eleições presidenciais? Sabendo-se que o processo é supostamente "sigiloso," quem é o pilantra responsável pelos sucessivos "vazamentos" que vêm incendiando a mídia desde então? Sejam quais forem as respostas a essas perguntas, esse processo vem sendo conduzido de forma certamente irresponsável e - possivelmente - criminosa.

A recente crise na Ucrânia é uma prova concreta de que golpes de estado frequentemente degeneram em guerras civis e, aparentemente, há por aí uns e outros aventureiros determinados a correr esse risco. O jornalista Fernando Brito pronunciou-se com mais detalhe sobre esses acontecimentos, e a esse respeito também o governador Tarso Genro expressa a sua preocupação mais abaixo.


Justiça em Campanha

©Fernando Brito, no Tijolaço, em 9 de outubro de 2014 (todos os direitos reservados)

Inacreditável o papel a que a Justiça Brasileira está se prestando.

Um vídeo (sem imagens, apenas o teto de uma sala) onde o ex-diretor ladrão da Petrobras – que aliás, admite ter sido enfiado na companhia a contragosto de Lula, por pressão de outros partidos – diz, sem apresentar um mísero dado concreto, o que dirá uma prova, que "o comentário que pautava dentro da companhia" é que na diretoria das áreas de Gás e Energia, Serviços e Exploração e Produção, "os três por cento ficavam diretamente para o PT".

Vejam bem, os jornais afirmam que havia este desvio com base na declaração de Paulo Roberto Costa de que "o comentário que pautava dentro da companhia".

Será que existe um lugar no mundo, repartição ou empresa, onde não haja "comentários"?

Conheço dois dos diretores mencionados e quem os conhece não pode deixar de achar um absurdo. Na diretoria de Gás e Energia, então, o diretor era Ildo Sauer, um professor universitário (da USP) e hoje um colaborador de Marina Silva. Na de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, um geólogo de carreira da empresa, aposentado, que voltou à Petrobras e liderou a equipe que descobriu o pré-sal. Voltou à aposentadoria e cuida do jardim de sua casa, em Nova Friburgo, com a mesma simplicidade que cuidava antes.

Pois estes dois homens de quem nunca ouvi falar um ai contra a honradez de suas condutas, sem um fato, um papel, um depósito, um e-mail que seja, estão expostos hoje no que só se pode definir como um comportamento indigno da Justiça e do jornalismo.

Na Folha, com base em uma suposta gravação do depoimento de Alberto Yousseff, doleiro já condenado, figura manjada que voltou às falcatruas depois de outra "delação premiada", no caso Banestado, diz o seguinte:

"Tinha uma outra pessoa que operava a área de serviços (da Petrobras), que se eu não me engano era o senhor João Vaccari".

Como assim "se não me engano"? É "acho que era"? Qual é o valor disso para acusar uma pessoa, em letras garrafais e um partido político?

Eu também poderia achar que o finado Sergio Motta, tesoureiro do PSDB "operava" para os tucanos, mas eu achar e nada é a mesma coisa, salvo se eu tiver provas. E se não as tenho, como é que vou dar uma manchete destas?

É inexplicável o papel do Juiz Sérgio Moro, sobretudo depois de ver que surgiram versões clandestinas de outros depoimentos de Paulo Roberto Costa à Polícia, de permitir gravações editadas, com trechos do teor que citei, num processo que, pelos valores e gravidade que envolve, está sob sigilo, ou deveria estar.

O seu tribunal é uma "peneira" de furos seletivos.

Seria melhor que o juiz chamasse logo toda a imprensa para assistir e perguntar, pois talvez – só talvez – saísse alguma indagação sobre "que provas os senhores têm disso"?

A delação premiada, para ser válida, tem de ser acompanhada da produção de provas, não pode ser apenas concedida pela disposição de alguém, que ia ganhar anos de xilindró e agora vai ser solto, sair atirando acusações para todo lado na base do "que se comentava na companhia" ou do "se eu não me engano".

Que Paulo Roberto Costa metia a mão na bufunfa para se beneficiar e aos seus padrinhos políticos – que não eram do PT, como ele próprio admite – está claro. Mas que um imoral destes possa sair acusando sem qualquer prova todo mundo e isso, também sem critério algum, seja publicado e transformado em matéria prima eleitoral, sob o patrocínio do Judiciário, é um escândalo.

Reflitam: não foi a "cavação" de um repórter furão que obteve o teor das declarações: elas foram feitas e divulgadas, quase que numa "coletiva", nas barbas do juiz que sustenta que aquilo corre sob sigilo.

E, com mais de 30 anos de profissão, garanto a vocês, estes "furos coletivos" só acontecem quando acontece, também, uma armação inconfessável, embora evidente a qualquer pessoa decente.


Veja abaixo as denúncias do governador Tarso Genro.

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Para uma melhor compreensão dos "horizontes" do juíz Sérgio Moro, leiam este esclarecedor artigo de Luís Nassif.

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