Nassif,

Nos últimos dias de dezembro, vivenciamos dois eventos que possivelmente espelham a incapacidade das empresas em lidar com o novo momento vivido pela sociedade brasileiro. No dia 24, a Redecard não suportou a enorme quantidade de transações demandadas pelos consumidores brasileiros e entrou em colapso, gerando prejuízos incalculáveis e aborrecimentos para os lojistas e consumidores. Outro caso marcante foi a pane expressiva ocorrida no sistema de captação de apostas de loterias da Caixa Econômica Federal, nos dias 30 e 31. Não estando preparada para a demanda, aparentemente a Caixa optou por derrubar (retirar do ar) milhares de terminais de captação de apostas nas loterias de todo o país. Na minha loja, trabalho com 4 terminais. No dia 30, foi paralisado um terminal no período da tarde. No dia 31, começou tudo bem de manhã, mas por volta das 10 horas fui perdendo terminais até ficar com somente um funcionando, e o caos da fila para administrar. Este dois eventos parecem ser bastante reveladores da incapacidade dos gestores das empresas em preparar seus recursos tecnológicos para essa nova era da economia brasileira.

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Caro Edmilson

Vou te dar um consolo, se tu achas que está ruim, alegra-te, pois vai ficar pior!

O que estás vendo é o produto da falta de investimento no ensino superior de boa qualidade e do domínio do mercado na escolha da profissão.

Por anos as nossas Universidades Públicas mantiveram constantes as vagas para cursos de Engenharia e muitos dos melhores quadros de engenheiros foram coptados pelo setor financeiro (remunera melhor).

Como cursos de Engenharia são caros (laboratórios, computadores, etc) e os candidatos não estavam dispostos a pagar muito para depois ganhar pouco, ás Universidades Privadas tiveram pouco interesse em criar cursos de engenharia.

Aliado a tudo isto, estas últimas gerações se internacionalizaram e partiram para outros países que ofereciam melhor remuneração (tenho um parente muito próximo que é Engenheiro de Computação trabalhando na Inglaterra).

Continuando o show de horrores, como os cursos são trabalhosos, há uma evasão de praticamente 50% dos alunos.

Fechando o ciclo perverso, a profissão de engenheiro é completamente desvalorizada em termos de políticas públicas e aceite dos particulares. Para não ficarmos na discussão se é ou não valorizada posso dar dois exemplos: Secretários de obras públicas em Estados e Municípios são na maior parte dos casos um vereador ou deputado qualquer que não tem nenhum curso de Engenharia ou Arquitetura. Já do lado privado, quantas vezes se contrata um “empleitero” para fazer um “puchado” na casa economizando a custa da segurança o serviço profissional. Isto tudo é desvalorização, já viste um Secretário da Saúde que não fosse médico ou alguém leva o seu filho para consultar com um auxiliar de enfermagem?

Caso continuarmos com a economia aquecida haverá um “apagão” de técnicos, por isto digo que vai ficar pior. Um Engenheiro leva no mínimo seis anos para se formar (numa boa universidade, somente uns dez por cento se forma em cinco anos), se pensarmos que somente daqui a um ano os alunos de fim de segundo grau começarão a se interessar pela engenharia, teremos um aumento no número de engenheiros daqui a sete ou oito anos.

O governo Federal vem de forma meio atabalhoada correndo atrás do prejuízo, estão sendo criadas escolas de engenharia em regime de urgência, que o mais surpreendente de tudo, não terão professores para lecionar! Isto eu posso dizer com segurança, pois mesmo há uns dois anos vários concursos que exigiam Doutorado como titulação mínima ficaram sem candidatos para as vagas. O problema é tão sério que cursos de pós-graduação estão quase escondendo os seus melhores alunos para reservá-los para repor a velhacada que está se aposentando.

Este é mais um resultado do neoliberalismo aplicado a educação, o mercado era fraco, o interesse era baixo, o investimento também, pois quando o mercado exigisse ele daria uma resposta. Claro que dá, mas com seis anos de atraso.
Rogério,

Nada mais real, a valorização dos profissionais estão em declínio, mas não só do engenheiro de muitos outras matizes do conhecimento.

As universidades estão formando pessoas com cada vez menos qualidades e não podem forçar a barra, se não a coisa tende a fechar. Lembro-me que minha turma era de 40 alunos, destes formamos 5 no tempo regular e mais uns três ou quatro depois, o restante desistiu, muitos não conseguiram acompanhar...

Tinha um professor de resistência dos materiais que nos dizia, cada turma que entra vem com o nível pior. Pra você ter uma ideia, no curso de pórticos e grandes estruturas, fizemos um trabalho em grupo para cálculo de pontes, descobrir que alguns colegas não era capaz de calcular o volume de algumas figuras geométricas, por não enxergar espacialmente. Apesar de termos estudado dois semestre de geometria descritiva.

Em ciências da computação, a parte profissional e a lógica de programação derruba a maioria da turma e quando em normatização de bancos de dados derruba o resto. Infelizmente.

Abraço
Edemilson,

Você melhor do que ninguém deve saber que qualquer esforço que se faça, o dimensionamento tecnológico nas empresas está sempre aquém de momentos de pico. Alias, isto é normal em todo mundo, só que quando acontece o problema, os extremos é que sofre, seja, nas pontas a coisa pega e a administração do imprevisível é cruel.

No caso da RedeCard, não sei, mas CEF você ainda tem que agradece-la por ser atendido, metástase dos gerenciadores.

Falou...
A questão é menos minha, mas dos milhares de consumidores que ficaram sem jogar.

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