Tocata e fuga em Dó menor, de Joaquim Sebastião Bach, para os dois lados do cérebro.

http://youtu.be/ipzR9bhei_o

 

Sidarta, estimado, pensei em ti quando vi este magnífico vídeo. A melodia da Tocata e Fuga em Dó Maior, de Bach, é triste e insinua uma transcendência gloriosa, talvez temida, talvez com percalços, certamente tributária do platonismo para as massas, na sua melhor interpretação reformada. Em música, é o que Kant foi em filosofia racional cheia de deidades categóricas, disfarçadas em aparente racionalismo. Kant, afinal, é o São Tomás da Reforma.

Mas, não é isso que interessa, por aqui.

O vídeo e a música fazem pensar em limites e possibilidades das linguagens. Por um lado, o que se vê é matemática pura, porque tempos, tons e semitons, na escala cromática, são questões de divisões. Interessante é um mesmo significado ser apresentado por três significantes, ao mesmo tempo, o que nos permite perceber as diferentes abordagens que podem resultar dos hemisférios esquerdo e direito.

Vê-se, sob um aspecto, e escuta-se, também sob um aspecto, matemática. E com uma clareza imensa.

Ao mesmo tempo, o que se vê, os pontos e barras com tempos e intensidades e, mais, cores, é percebido espacialmente, em uma competência especial do hemisfério direito.E com a melodia, dá-se o mesmo, porque ela percebe-se em três dimensões, certamente em função das competências da metade direita dos lobos frontais.

Mas, esse lobos comunicam-se, por meio dos corpos calosos, e tudo percebe-se como um e vários! Já imaginaste como isso seria visto por alguém submetido a calosectomia? É pena que não se possa mais perguntar a Roger Sperry!

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Como foi montada a Métrica Musical dessa Melodia por Bach, se em linhas horizontais, verticais ou com um cálculo matemático perfeito, não tenho a menor idéia, tampouco consigo ou me preocupo em entender sobre isso, só sei que a adoro. Essa é a beleza da arte, podemos senti-la profundamente sem compreendê-la.  

É fantástico, na linha do que disseste, que transcende a linguagem do significante. Como se a apreensão do significado fosse imediata.

Aprendi sobre a importância do sentimento ao ver uma Obra de Arte mais ou menos aos 15 anos.

Fui assistir Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman, com algumas colegas de Colégio. Adorei o filme. Elas diziam que não haviam entendido nada, por isso detestaram. Perguntavam o que eu tinha entendido. Eu não havia entendido a lógica histórica do filme para descrevê-la, mas amei.

Fizeram chacota comigo um tempão, mas, não abri mao de minha opinião.

Foi um dos filmes que mais me marcou na vida. Lembro até hoje de cenas como numa fotografia.

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