Na matéria¹ abaixo, o professor Kjell Aleklett, presidente da ASPO, comenta artigo de sua co-autoria sobre o futuro da aviação:
O "Pico da Aviação" - Combustível aeronáutico e cenários da futura produção de petróleo
http://resistir.info/peak_oil/aleklett_03mai09.html
O artigo "Aviation fuel and future oil production scenarios" na íntegra.
http://www.tsl.uu.se/uhdsg/Publications/Aviation_EP.pdf
Eis um tema para refletir sobre as conseqüências imediatas do Pico do Petróleo na sociedade moderna. Ele põe de pé no chão algumas ilusões e sonhos de substituição imediata ou soluções simplórias ao uso do petróleo.

As possibilidades de fontes alternativas ao petróleo na aviação são muito estreitas. Não há uma aviação movida à energia nuclear, por exemplo, nem aceitaríamos engenho dessa natureza voando sobre nossas cidades. Vai que caia, vaze e espalhe seus resíduos nas imediações de uma grande metrópole.

Emprego de energia geotérmica, de marés e fluvial por definição não podem ter emprego direto em aviação. Difícil imaginar aviões decolando com pesadas baterias. Também fica no campo da imaginação aviação movida a carvão ou lenha. Outro tipo de combustível sólido deixaria a aeronave com aspecto de um buscapé, para vôo balístico. Seria difícil convencer passageiros embarcarem em tais coisas.

Energia fotovoltaica só para céu de brigadeiro em horários próximos ao meio dia. Não haveria vôos noturnos ou decolagem com tempo encoberto; se o tempo fechar depois da aeronave ir para o ar, a saída será o pára-quedas, pois não haveria energia para permitir o controle da aterrissagem. Aeroportos de cidades como Londres são praticamente inviáveis para tais geringonças, em compensação elas encontrariam um grande potencial na vastidão do Saara, onde companhias aéreas se especializariam em levar ninguém a lugar nenhum.

Energia eólica é muito bonito e prático nas pipas da meninada. O hidrogênio foi usado na história da aviação na era do Zeppelin, com as conseqüências conhecidas; o gás liquefeito está sujeito a produzir o mesmo resultado. Sobra os combustíveis líquidos nas condições normais de ambiente. Não há aviação sem hidrocarbonetos líquidos.

Desculpe-me o tom jocoso no trato das fontes alternativas. Nós pessimistas muitas vezes parecemos ranzinzas e sisudos, uma intervenção bem humorada torna mais leve um texto carregado de dose necessária de ceticismo. A intenção é mostrar a limitação desses meios energéticos, face à versatilidade insubstituível do petróleo e seus derivados líquidos. Elas poderiam de forma indireta fornecer hidrocarbonetos para aviação, mas teriam inevitáveis perdas no processo de conversão ocasionando balanço energético diminuto ou mesmo negativo. Não teria a mesma qualidade do petróleo. O retorno energético sobre a energia investida desfavorável tornaria esse combustível demasiadamente caro. Além disso, num cenário de retração do petróleo, todas essas fontes serão acionadas para substituir o óleo em outras frentes.

O cenário da aviação limitada a um determinado teto dá a medida do mundo sem petróleo. Com o ocaso do petróleo o teto também rebaixa. Isso traz a mente uma frase de Yves Cochet, ex-ministro francês do meio ambiente: "Não será o fim do mundo, será o fim do mundo tal como o conhecemos".

1 Ilustração da matéria: http://resistir.info/peak_oil/imagens/aleklett_1.jpg

Exibições: 307

Responder esta

Respostas a este tópico

O sistema do Voto Distrital Misto foi criado na Alemanha, logo depois da II Guerra Mundial. Neste sistema metade das vagas é distribuída pela regra proporcional e a outra metade, pelo sistema distrital. O eleitor tem dois votos para cada cargo: um para a lista proporcional (lista fechada) e outro para a disputa em seu distrito. Na maioria dos países, adota-se o voto distrital. O país ou o estado (se houver) é dividido em distritos eleitorais: regiões com aproximadamente a mesma população. Cada distrito elege um deputado e, assim, completam-se as vagas no parlamento e nas assembléias legislativas. Dentro do sistema do voto distrital, a eleição pode ser feita pelo processo de maioria absoluta ou não, ou seja, pode haver vários candidatos no distrito e será eleito o mais votado ou pode-se exigir a maioria absoluta: depois da eleição, os dois mais votados disputam em um segundo turno.

Vantagens e Desvantagens

O sistema distrital assegura identidade entre eleitores e deputados, dando a legitimidade indispensável ao parlamentarismo. O deputado é diretamente fiscalizado por seus eleitores, que moram no seu distrito. Por outro lado, a qualquer momento, o deputado pode ter de concorrer a uma nova eleição e, por isso, está sempre prestando contas de sua atuação. Dentro do sistema do voto distrital, a eleição pode ser feita pelo processo de maioria absoluta ou não, ou seja, pode haver vários candidatos no distrito e será eleito o mais votado ou pode-se exigir a maioria absoluta: depois da eleição, os dois mais votados disputam em um segundo turno. O voto distrital dificulta a radicalização política, já que, pelo sistema distrital, o candidato precisa ter maioria em seu distrito. Em qualquer comunidade, dificilmente a maioria é radical, e, assim, a política do país tende a criar e fortalecer lideranças mais estáveis e menos passionais. Mas, por outro lado, o voto distrital pode criar legisladores que estejam sempre voltados aos problemas locais, relegando assuntos internacionais ou que não dizem respeito ao seu distrito e criando uma continuidade de cargo, com as mesmas pessoas nos mesmos cargos por várias eleições seguidas. Tendo em vista essas considerações, os teóricos e estudiosos especializados no trato da matéria têm defendido a maior viabilidade da adoção de uma espécie temperada, em que uma fração dos candidatos é eleita de acordo com a lógica proporcional, referente ao mecanismo da apresentação partidária de listas fechadas, de sorte a proporcionar a seleção na escala dos votos recebidos; e a outra é eleita de acordo com a dinâmica do voto distrital.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Voto_distrital
O que aconteceu aqui? Acho que colocaram um comentário no lugar errado, seria melhor alguém arrumar!
Deixa pra lá esse comentário.

O articulista esqueceu de citar os aviões movidos a hidrogênio. Existiam protótipos VOANDO na década de 80. Depois, o petróleo barateou demais...
Isso substitui o petróleo sem problemas. Basta o petróleo acabar :)
Citei o uso do hidrogênio no Zeppelin, foi a única experiência COMERCIAL na aviação, não era um PROTÓTIPO. A tragédia é conhecida.
O hidrogênio tem problemas técnicos de manipulação incontornáveis. Na forma líquida requer instalações criogênicas e um volumoso vaso de depósito. Na forma de gás requer vaso de alta pressão, com paredes reforçadas que lhe dão peso, o que confere uma restrição de projeto para a aeronave.
Outros problemas surgem. O hidrogênio vaza com muita facilidade em vasos de alta pressão. Não se trata de problema que se resolva com melhoria na tecnologia de vedação, ele vaza até pelas paredes do vaso. Com seu diminuto diâmetro atômico, bem menor do que dos outros elementos, ele penetra nos espaços existentes da rede cristalina dos metais da parede do vaso, difunde nos metais, então surge um segundo problema. O hidrogênio tende a formar compostos com os metais onde se difunde, com o tempo isso fragiliza as propriedades mecânicas dos metais, os vaso tem de ser periodicamente trocado. E há um problema sério com os vazamentos em grande escala de hidrogênio na atmosfera. É sabido que compostos de hidrogênio interferem na camada de ozônio, imagine em estado puro. Como um gás muito leve, ele sobe rapidamente para as camadas mais altas da atmosfera.
Gases têm natureza volátil, são de alto risco de inflamabilidade e explosão. Existem gases menos complicados de manusear do que o hidrogênio, como o metano, propano, butano, estes últimos são líquidos em baixas pressões na temperatura ambiente. Por causa dos riscos, ninguém até agora cogitou de empregá-los na aviação.
Eu não ficaria tão preocupado com a aviação, por um simples motivo, os aviões podem gastar muito menos. Até hoje em dia aperfeiçoa-se os aviões para um vôo numa dada velocidade conveniente sob o ponto de vista comercial, com isto procura-se reduzir ao máximo o consumo de combustível partindo-se de uma premissa de velocidade de cruzeiro pré-estabelecida. Se a premissa for menor consumo, modificando-se todo o perfil aerodinâmico das asas e fuselagem poder-se-á obter maior economia de combustível.

Outra coisa que as pessoas esquecem quando olham um avião voando é o óbvio que é tão óbvio que todos esquecem. Um avião não precisa de estradas! Qual a importância disto? Simples, a construção e manutenção de estradas requerem muita energia (retro-escavadeiras, asfalto,....). Esta energia consumida quando se trata de um curto trajeto com grande tráfego não é significativa, entretanto quando se trata de grandes distâncias tudo isto tem que ser considerado. Por exemplo, se quiséssemos implantar um trem bala para movimentar pessoas do Rio Grande do Sul até a Bahia, consumiríamos mais energia do que transportando de avião todos os futuros usuários.

Quando se fala de ecologia, de economia de energia ou de penúria de recursos naturais fósseis a idéia de balanço energético global tem que estar clara. Não adianta se comparar o consumo de um carro com o de um avião, ou até de um trem de alta velocidade, pois há uma série de variáveis que tem que ser computadas.

Na penúria de um recurso nobre, como é o petróleo, será necessário verificar os balanços energéticos dos vários modais de transporte. Se formos nos basear só pelo consumo por quilômetro deveríamos ficar no transporte aquaviário, ou seja, para ir d Porto alegre a Salvador todos teríamos que nos contentar com uma bela viagem de alguns dias, para turismo seria excelente mas para negócios muito ruim.

RSS

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço