Uma política para evitar tragédias como as que estão ocorrendo.

Fala-se muito da culpa de agentes públicos nas tragédias das chuvas de verão na Serra do Mar, se o problema é recorrente vamos procurar entendê-lo para sugerir alguma coisa para discussão na ideia que esta atinja ouvidos de pessoas que possam decidir.

 

Uma coisa é a política de contensão de encostas em morros como os do Rio de Janeiro, são problemas localizados em verdadeiros blocos de rocha desnudos com alguns pontos com possibilidade de deslizamentos, outra coisa é a realidade de toda a Serra do Mar com áreas mais ou menos alteradas pela mão do homem.

 

Na Serra do Mar se fossemos tentar mapear todas as áreas de risco, praticamente várias cidades deveriam ser riscadas do mapa, pois com maior ou menor probabilidade tanto as encostas como nos VALES há riscos de deslizamentos ou serem atingidas as regiões dos vales por “mud flows” ou “debris flows” (a diferença não é bem clara).

 

O que se deveria fazer para poupar as pessoas de desastres como os que estão ocorrendo é o estabelecimento de planos de emergência para desocupar áreas sujeitas a risco na eminência dos mesmos. Como? Muito simples. A base de ocorrência deste tipo de desastre em áreas amplas é a ocorrência de chuvas contínuas que saturam o solo e o liquefazem, provocando desde pequenos deslizamentos como grandes correntes de densidade que vão atingir as partes baixas (os vales). Para isto poder-se-ia ter uma política de alarme e prevenção que deveria ser baseada na União, nos Estados e nos Municípios.

 

Á União, através de seus institutos meteorológicos poderia estabelecer um centro de previsão interligando todas as informações dos radares dopplers existentes e a onde não houvesse cobertura adquirir e colocar em funcionamento radares para este fim. Da mesma forma utilizando todo o conhecimento das universidades, institutos de pesquisa e outras instituições, estabelecer protocolos de identificação de áreas de risco, classificando-as corretamente.

 

Aos Estados corresponderia a identificação das áreas de risco conforme os protocolos estabelecidos bem como montar o sistema de alarme que repassaria aos municípios as informações. Também aos Estados caberia o deslocamento de forças de segurança para a região de provável desastre.

 

Aos Municípios caberia a retirada das pessoas das áreas de risco com a posterior recolocação dos mesmos em áreas seguras.

 

Como estão vendo proponho uma ação articulada que custaria muito menos aos órgãos confederados do que custa as ações de emergência hoje em dia e o mais importante, evitaria centena de mortes.

 

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Respostas a este tópico

Prezado Rogério, boa noite e que belo texto informativo. Só podia ser professor!

Caro amigo, será que n~eo se pode desenvolver "algo" eletrônico para acompanhar áreas de risco? Tempos atrás eu fiz a proposta de desenvolver um equipamento para acompanhamento remoto de infiltração da água de chuva em aterro sanitários e o professor queria um sistema para prever a movimentação da "barragem" do aterro. Sei que a sugestão morreu no ninho. Mas, creio que uma supervisão remota de umidade, movimento de terreno não seria algo impossível de ser realizado.

Yes, I know. I´m a dreammer! (Sorry Supertramp) Mas...

Lacyr

 

Pode-se colocar "strain gages" no caso de movimento de maciços rochosos (ou até em massas de solo) entretanto se o movimento começar em outro local (mais a montante ou mais a jusante) será tarde para fazer alguma coisa quando começasse o movimento. Colocar sensores de umidade no solo poderia ser feito, mas se tem o mesmo problema, ter-se-ia que fazer uma análise (talvez por modelo numérico) para saber a onde estaria o ponto que indicasse a situação de perigo, porém sensores de umidade não são tão baratos e precisos como "strain gages". Acho que o mais seguro seria o estabelecimento de patamares de chuva para a evacuação da região. Poderia ter inclusive grupos técnicos que acima de determinada quantidade de chuva fosse a região para avaliar melhor. Em resumo o melhor mesmo é tirar o pessoal em função do volume de chuva.

 

Só uma informação, esses sensores de umidade, eu acho (aqui não tenho a mínima certeza) deveriam ser capacitivos que são mais caros do que sensores resistivos, se tu tens informação quanto a isto podes me dar um retorno.

Mais caros sim Rogério. Mas dependeria de pesquisas, pois na automação hoje tem tudo o que se imagina. Tenho amigo aqui que se especializa em monitoramento de oleodutos pra vc ter uma idéia.

 

Numa situação de risco perfeitamente definida, era o caso de pensar em algo, porém não se pode testar hipóteses em casos deste tipo, ou seja, uma pesquisa deste tipo não poderia chegar a seguinte conclusão:

 

Não deu certo, morreram 10 pessoas.

 

Afinal somos engenheiros e não médicos!

Por isso que falei em pesquisa, muita pesquisa.

Rogério querido,

 

Lí seu texto...e concordo em parte.

 

Talvez você se interesse em ler o texto (testemunho) que coloquei agora a pouco.

 

Conheço a região como poucos,  o que aconteceu é CÍCLICO e de conhecimento de todos da região.

 

Abs.

 

Dulce.

Dulce.

Olhando um texto que foi publicado numa revista técnica da USP há algum tempo atrás (Revista USP, São Paulo/SP, nº 41, março/maio de 1999) vi que o geólogo (Milton Vargas) que escreveu o artigo ao falar sobre escorregamentos na Baixada Santista diz textualmente ""São escorregamentos múltiplos e simultâneos devidos às chuvas de enorme intensidade concentradas em áreas restritas, com períodos de recorrência de 700 a 2.000 anos, as quais produzem verdadeiras demolições hidráulicas" São períodos de recorrência relativamente curtos, longos para se pensar que nunca ocorreram e curtos suficientes para se saber que a probabilidade de qualquer um ser atingido é relativamente alta.

Rogerio

Concordo plenamente contigo, a trabalho deve ser focado na prevencao, previsao dos fenomenos, rapido aviso e retirada das pessoas das areas a ser atingidas.

Catastrofes sempre houveram e sempre haverao de existir, com os meios atuais de comunicacao com muito pouco recurso da para se montar um plano desses, utilizando ate mesmo seu esboco da estrutura com as devidas competencias da uniao, estados e municipios.

Como voce falou, culpar A ou B de ter aplicado tal recurso ou deixado de aplicar, isso alem de desnecessario, sera apenas utilizado como debate politico sem resultado pratico. Mesmo porque tambem como voce disse, areas de risco na serra do mar, teremos que evacuar cidades pois toda regiao pode-se considerar como de risco.

 

abracos, otimo final de semana

Rogério,

 

Tecnicamente tem sentido. 

 

Resta saber como frear os paladinos da bonomia com o dinheiro público, para que pensem no povo e não em se manter no poder.

 

Falou...

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