Depois de anos focados em alcançar mestrado e depois doutorado, os acadêmicos encontram dificuldade de conseguir uma vaga profissional condizente com a sua formação. Rafael Prikladnicki, diretor da Agência da Gestão Tecnológica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) conta que nos Estados Unidos, por exemplo, é comum o mercado buscar profissionais com alto nível acadêmico. "Temos que acabar com essa ideia de que doutor só trabalha em universidade", lamenta o diretor.

No Brasil, quem segue a pesquisa normalmente acaba encontrando vagas apenas em instituições de ensino, ou recebe salários mais baixos. Pesquisa da agência de recrutamento Catho indica que, para cargos de diretoria, a média salarial de quem tem MBA é maior do que as dos que são doutores ou mestres (R$ 18 mil, em média, contra R$ 17 mil).

Por isso, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS) lançaram o projeto Doutores nas Empresas, com a ideia de aproximar academia e mercado.

O projeto começa em julho e concede bolsas a pessoas com doutorado para que possam promover a sua qualificação e levar o seu conhecimento para dentro de micro e pequenas empresas. No pagamento dos salários, as organizações vão contribuir com um terço do valor e o restante será custeado pelo Sebrae/RS e pela Fapergs em um período de 24 meses.

Encontrar esses doutores é também um desafio, e nisso a PUCRS está dando apoio. Os pesquisadores podem ser de qualquer área do conhecimento, desde que haja empresários interessados em trazê-los para o seu negócio. Porém, a maior dificuldade agora é encontrar esses acadêmicos, já que o edital pedia pessoas sem vínculo empregatício.

"Tínhamos uma boa quantidade de gente para iniciar o projeto, mas boa parte era docente. E não podia ter nenhuma relação remunerada com empresas", lembra Prikladnicki sobre um item que já está sendo revisto para que a ideia tenha sucesso.

A doutora em psicologia Hericka Dias é professora da PUCRS e se encaixa nesse perfil. A psicóloga acredita que há uma distância entre o mundo acadêmico e o mercado, especialmente na área das Ciências Humanas. Porém, gostaria de participar da iniciativa se aparecesse uma boa proposta. "Vejo como uma ideia desafiadora e adoro desafios", afirma. "A gente estuda uma grande amplitude de temas e me interesso por muitas áreas da psicologia", diz.

 

Portal Terra - 24/03/2011

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Trabalho no setor privado e tenho uma hipótese para o maior interesse do mercado pelos profissionais que fizeram MBA: todos assumem função gerencial. As empresas optaram por valorizar o gerente, não o especialista. Aliás, o especialista é contratado como Pessoa Jurídica, por tempo determinado, apenas para dar uma resposta específica. Assim a equipe da empresa é menor ela não precisa reter um especialista quando não houver demanda. Já um gerente pode cuidar de qualquer projeto, pois os procedimentos aprendidos nos MBA são similares.

Doutores não sabem gerenciar projetos, às vezes sequer conseguem conduzir uma discussão técnica mais abrangente que a sua experiência específica. Em suma, um título de Doutorado é de pouca utilidade para a maioria das empresas. 

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