Acho este tema importantissimo. Eu sou pesquisador no exterior e tentei voltar ao Brasil em 2006, quando terminei o mestrado, e o máximo que consegui foi um cargo de professor substituto numa Federal. Estou de volta à Europa e pretendo,
já no ano que vem quando terminar o doutorado, tentar outra vez retornar ao
Brasil. É muito difícil para alguém sem vínculo institucional conseguir voltar
ao Brasil. O Nicolélis e seu centro de neurociência em Natal são constantes nos
papos dos pesquisadores com banzo aqui na Europa.


Há vários problemas relacionados a essa dificuldade, como a burocracia para revalidação do diploma obtido no exterior, as panelinhas que funcionam nas universidades, onde para alguém de fora passar num concurso, salvo as poucas
mas honradas exceções, ele tem que, além de ser muito bom, ter a sorte de ter
um perfil parecido com o do peixe (tenho uma amiga que ficou em segundo lugar
num concurso, foram chamados o primeiro e o terceiro lugares, e ela... aguarda
na justiça), ainda há a falta de confiança que as empresas têm nas
universidades (elas preferem ter seus próprios centros de pesquisa do que fazer
parcerias com as universidades), enfim. Acho que vamos ter muita conversa por
aqui. Mas o mais interessante é que depois que o Brasil começou a crescer, com
a divulgação do pré-sal, o Lula mandando brasa nas relações internacionais, são
vários os gringos que me procuram querendo aprender português e saber do Brasil,
por razoes que transcendem os estereótipos de carnaval, mulata...

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Respostas a este tópico

Discordo.

Primeiro: quando se fala em retorno/atração de cientistas estamos falando de doutores. Gente com doutorado + alguns anos de experiência de post-doc ou em algum contrato de duração determinada. Voltar com o mestrado é inócuo, a maioria dos empregos acadêmicso no Brasil pede doutorado.

Há muitos empregos de professor universitário no Brasil, sobretudo nos dois últimos anos, com os novos contratos nas universidades federais. a maioria dos concursos não é dirigida. As tais "panelinhas" não são tão poderosas assim.

Acho, porém, legítimo que um departamento queira conhecer os candidatos a professor/pesquisador. Isso se faz amiúde nos EUA e na Europa. que muitas vezes pedem para os candidatos darem seminários antes do concurso. Assim, fazer um contacto prévio é algo normal.

PS: nunca soube de ninguém que não tenha conseguido emprego por conta de ter um diploma estrangeiro...
Acho que a burocracia para reconhecimento de diploma obtido no exterior é inacreditável no Brasil.

Eu faço pesquisa no exterior desde o curso de graduação. Estudei em uma universidade federal brasileira e fiz o trabalho de conclusão do curso no exterior. Tiive muita dificuldade em reconhecer esse trabalho, apesar de ter ido fazê-lo com a prévia autorização da universidade. Foi um processo muito desgastante, onde a última coisa levada em consideração para o reconhecimento do trabalho foi seu conteúdo e sua contribuação para a escola onde estudei. Consegui o reconhecimento, mas me dá até arrepios quando penso em tentar reconhecer meu mestrado e doutorado no Brasil.

Já no exterior, nunca tive o menor problema no reconhecimento do meu diploma brasileiro. O máximo que tive que fazer foi uma tradução juramentada.

Acho que se fosse levada mais em consideração a contribuição técnica do cientista que quer voltar a trabalhar no Brasil ao invés de carimbos, teríamos um fluxo bem mais equilibrado de cérebros indo e voltando.
Levei anos para conseguir validar o meu Ph.D. obtido em Londres pela UCL. Vários departamentos, vários carimbos, põe burrocracia nisso! E depois tem a história dos tais créditos os quais não existem no Reino Unido, leia o O Ph.D. x Doutorado
Quanto às panelinhas, espero que você esteja certo. Mas conheço um sem número de casos de pessoas que só conseguiram entrar nas universidades após vários anos de luta na justiça, por conta de uma exigência qualquer no edital, mesmo com o saber comprovado e, principalmente, tendo sido aprovados em concurso. Acompanho esses concursos há anos e vejo que, por exemplo, para uma vaga de professor de geografia se exige a graduação em geografia, de forma que, por exemplo, um economista com mestrado e doutorado em geografia não pode concorrer. É reserva de mercado, e isso não existe nas universidades por onde passei na Europa.

Com relação ao retorno após o mestrado, na minha área de pesquisa ainda há vagas para professor assistente com mestrado, já que há carência de doutores. Não consegui prestar nenhum concurso porque as universidades federais requerem documentos que não são emitidos nas universidades onde obtive o mestrado, para a revalidação. Até advogado tive que contratar na Alemanha para arranjar o documento, e ainda não consegui. Meus colegas brasileiros passam pelo mesmo sufoco. Mas como meus documentos valem em qualquer outro país, consegui dar aulas e fazer meu doutorado numa universidade européia. Se isso não é exportação de professores, não sei o que é.

O contato prévio é normal em uma situação de contrato temporário de pós-doc, e mesmo assim vi muito pesquisador bom, saindo dos laboratórios de ponta na Alemanha, com doc, pós-doc, e tentando retornar ao Brasil, mesmo que com bolsa do CNPq para aguardar concurso, e desistindo, indo para os EUA, ou ficando na Alemanha. Mas contrato temporário é distante de um concurso público para professor. Esse último não pode ser direcionado, e deve ser aberto para privilegiar o mérito, no meu ponto de vista, ainda mais em tempos de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.
Prezado Mozart, o mesmo aconteceu na Escola de Direito de uma importante universidade em Minas Gerais. O candidato do departamento ficou em terceiro lugar, por isso a banca recomendou que se contratasse o primeiro colocado e também o terceiro. Isso numa faculdade de DIREITO! Que senso de justiça eles ensinam para os alunos?
Rodrigo, o caso que conheço é no nordeste. Já vi gente de departamento tendo facilidades em concursos públicos no Brasil inteiro, mas também já vi falsas acusações. Eu consigo perceber uma mudança positiva nesse sentido, mas esse procedimento ainda é um obstáculo ao retorno de pesquisadores brasileiros sem vínculo institucional no Brasil.

Parece-me que ainda há resquícios dessa cultura de “ajudar os amigos”, de “dar um jeitinho” para que fulano passe no concurso, enfim. Eu não vejo problema em se querer trabalhar com determinadas pessoas com quem se tem afinidade. Acho inclusive que muita pesquisa boa sai da boa relação entre pesquisadores. Entretanto há outras formas de se fazer isso, diferentes da manipulação de concursos. Mas como já disse, já foi pior. O Brasil vem melhorando muito nesse sentido.
A realidade dos concursos está mudando principalmente em áreas técnicas. Atualmente em engenharia há uma verdadeira caça a professores, me arece que esgotou o estoque de doutores na Engenaria.

Diversas universidades estão abrindo vagas para professor adjunto (titulação doutorado) e no mesmo edital tão colocando um item que na inexistência de candidatos, abre-se vagas para professores assistentes (titulação mestado). Logo as panelinhas que tantos reclamam estão deixando de existir pois não há mais candidatos. No IPH-UFRGS nos últimos concursos apareceram e realizaram provas até o fim 2 (dois) candidatos num concurso e 1 (um) noutro. Prevê-se em função das aposentadorias e vagas a mais, nos próximos dois anos mais de 5 concursos (conforme até 8). Até seria bom ter alguém por perto para garantir que não fique desocupada a vaga, mas nem isto tem.

Acho que em outras áreas o cenário não seja tão dramático, mas na parte de Engenharia foi aberta a temporada de caça a candidatos, e quem tem um bom aluno de doutorado está escondendo para que as outras universidades não os pegue.

Estamos com um bom problema nas mãos, a falta candidatos, pior seria se estivesse sobrando!
Quanto à revalidação de diploma, diplomas de graduação são mais complicados, pois se tem que fazer uma equivalência entre disciplinas cursadas e carga horária, já revalidação de diplomas de doutorado, dependendo o país que ele foi feito é bem mais simples, quase que imediato.

O problema principal na área de engenharia, por exemplo, está nos Conselhos de Classe (CREA), há um pouco de corporativismo por parte dos colegas, entretanto como o mercado está ficando aquecido e falta em várias áreas profissionais capazes (e incapazes também), acredito que continuando o mercado da forma que está em seis meses ou um ano os Conselhos ficarão bem mais abertos.

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