exclusivo: UM DIA NA CASA DE REMBRANDT, NA HOLANDA

Antonio Barbosa Filho (*)

Aberto ao público em 1911, o museu Casa de Rembrandt (Rembrandthuis) em Amsterdam reserva boas surpresas a quem admira o genial pintor holandês. Uma visita proporciona não apenas a visão de belos quadros de contemporâneos e alunos do maior pintor da Era de Ouro da pintura holandesa, como demonstrações didáticas dos seus métodos e materiais.

Rembrandt ficou famoso no seu tempo pelas suas gravuras, tanto quanto pelos seus quadros que hoje todo o mundo admira. E o museu guarda nada menos que 250 das 290 gravuras produzidas pelo gênio, inclusive quatro placas de cobre usadas por ele. As gravuras eram feitas com a aplicação de uma pasta de cera, asfalto e resina. Sobre esse material, o artista desenhava com fina agulha de material mais duro. A seguir, a placa era mergulhada numa solução de ácido, que corrói as partes e linhas expostas pelos riscos da agulha.

Colocava-se a placa numa prensa, um papel molhado sobre ela, e rolava-se a prensa sobre o conjunto, pressionando o papel sobre a placa. O resultado era a gravura impressa. cada placa podia ser utilizada até 100 vezes, mas quando os traços eram muito finos (como na maioria das criações de Rembrandt, super-detalhadas), não se consegue mais do que dez cópias. E Rembrandt colocava sempre algum pequeno detalhe na placa antes de cada impressão, de maneira que cada cópia tinha algo de original.

Alguns quadros de Rembrandt aparecem entre vários de alunos e contemporâneos que ele colecionava.

A casa-museu foi comprada por uma fortuna, que levou o pintor a fazer um pesado empréstimo. Ele estava no auge da fama, produzindo muitos retratos para os nobres e grandes mercadores de Amsterdam, cidade que centralizava grande parte do comércio internacional. Rembrandt mudou-se para cá em 1639, e aqui viveu até que a propriedade e seus bens foram leiloados para pagar suas dívidas, em 1658, quando ele e sua terceira mulher mudaram-se para uma casa alugada na mesma região.

A oficina de gravura, onde a demonstrações e imprime-se uma gravura com os métodos do século XII.

Nesta casa, ele produziu algumas de suas obras mais importantes, como “A Ronda Noturna”, hoje no Rikjsmuseum, aqui em Amsterdam; um Auto-Retrato de 1640; “Aristóteles”, em 1563; “Mulher Banando-se”, de 1654; e “O Retrato de Jan Six”, 1654. O visitante percorre a cozinha; o Hall de Entrada; a Ante-Sala (nesses dois cômodos o pintor exibia seus quadros e recebia os clientes para negociar encomendas); o Salão; o Grande Estúdio; o Gabinete; e o pequeno Estúdio. Passa-se a seguir ao prédio ao lado, uma ampliação moderna, de onde se pode ver o pátio (onde presume-se, foi pintada a enorme “Ronda Noturna”), e onde está sempre exposta uma parte da grande coleção de gravuras. Como o papel não resiste bem à luz, apenas algumas gravuras são expostas de cada vez, ficando a maior parte na reserva técnica.

Vale a pena ver essas raridades, as gravuras originais de um dos maiores artistas da História.

Monitor explica e demonstra a preparação das tintas a partir dos pigmentos minerais e biológicos da época.

Neste pátio da casa, Rembrandt teria pintado o clássico  Ronda Notu...

(*) Antonio Barbosa Filho é jornalista e editor do valepensar.net

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