que temos problemas devido a desastres naturais, não é segredo. o que nem todos sabem é que esses problemas poderiam ser bem menores se usássemos a cabeça pra fazer obras preventivas, em vez esburacar a rua em ano de eleição.

chato é que, além do típico desvio de verbas, tem um problema mais sutil. quem manda não é afetado por problemas como engarrafamentos, enchentes ou até deslizamentos, pelo menos não na mesma medida da população.

basta ver a (in) frequência de vereadores, deputados, senadores etc. tomemos por exemplo um político de uma área sujeita a enchentes, como Rio de Janeiro ou São Paulo. choveu? o cara não aparece no trabalho. simples. quem vai cobrar dele?

agora experimenta fazer isso se você trabalha num escritório, restaurante, obra etc. você ganha uma chamada, quando não uma demissão por justa causa.

logo, a enchente não é problema desse político. não é uma coisa com a qual ele tenha que se virar. ele não precisa acordar muito mais cedo, escolher sua rota com cuidado, encarar condução lotada (dá-lhe metrô!) e por aí vai.

nós, quando elegemos nossos representantes, estamos acostumados a vê-los faltar, sair em longas averiguações e ter períodos de férias tão generosos que "precisamos" bonificá-los para que trabalhem - coisa que seus salários, convenhamos, já fazem muito bem.

posso dar outros exemplos, mas acho que o das enchentes explica muita coisa. não só da impontualidade e ausência dos nossos gestores, como também porque dificilmente moram em área de risco, não têm problemas de saneamento etc etc etc.

em suma, se os políticos não sabem pelo que passamos, podem não ter a mesma disposição pra resolver nossos problemas. a solução pras enchentes, por mais difícil que pareça, começa com uma cobrança maior aos nossos representantes.

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