Guerrilha Informativa: Uma Campanha de Alternativa à "Grande Mídia"

Saiu no Azenha a divulgação de uma campanha sugerindo meios de boicotarmos a Grande Mídia e disseminarmos materiais alternativos no lugar. Achei importante e divulguei aqui no Grupo ontem. Nao criei um tópico porque já havia outro sobre o assunto. Mas o "dono do tópico" achou por bem fechar o tópico e transferir manualmente todas as postagens para outro só para apagar a minha. Seja. Posto entao aqui:

Guerrilha informativa: A campanha Veja outras Caras
Atualizado em 01 de março de 2009 às 20:16 | Publicado em 01 de março de 2009 às 20:13

27/02/2009 às 4:16 pm

Campanha Veja outras Caras

Por: Vincius Souza e Maria Eugênia Sá – Jornalistas e fotógrafos independentes
http://mediaquatro.sites.uol.com.br

De nada adianta berrar contra a mídia hegemômica se não houver alternativas à disposição da população. Se a televisão brasileira e os jornalões são dominados por um punhado de famílias, e as rádios comunitárias e livres continuam sob repressão de políticos e igrejas que não querem dividir o dial, as publicações dos trabalhadores em papel não sofrem a mesma perseguição. Mas a distribuição em bancas também é dominada por um cartel que se recusa a entregar as revistas de maior circulação para quem insiste em vender material de “concorrentes”. Já que os donos de bancas não podem prescindir economicamente das hegemônicas e as tiragens das populares são menores, estas, quando são vendidas, normalmente ficam de fora das prateleiras mais visíveis e quase nunca nas vitrines. Além disso, devido aos custos de papel e produção, os preços também não podem ser muito diferentes…

Como, então, levar ao público leitor uma informação alternativa de qualidade e de graça? Nossa humilde sugestão é a singela Campanha Veja outras Caras! A ideia é simples: trocar algumas publicações da mídia hegemônica disponíveis em lugares públicos, por revistas, jornais, boletins e outros materiais de conteúdo diferenciado. Afinal, quem já não teve de ficar horas na sala de espera de um consultório, escritório ou repartição tendo à mão para leitura apenas revistas sobre a vida das “celebridades” ou panfletos da direita disfarçados de semanários pseudo-informativos? E o que é pior: essas publicações normalmente são antigas, perpetuando sua condição hegemônica (como se não houvesse alternativa) e reafirmando conceitos e ideologias que quando não são francamente mentirosos ou preconceituosos, são contrários aos interesses dos trabalhadores, como o estímulo ao consumismo e à manutenção do status quo.

A Campanha Veja outras Caras não requer prática nem tampouco habilidade. O investimento financeiro, quando ocorre, é irrisório por ser distribuído entre vários agentes e sempre absorvido intelectualmente pelos autores antes das ações. Pode ser considerada uma prática de guerrilha midiática, mas não é ilegal nem traz danos às pessoas atingidas, a não ser talvez ao seu preconceito. E você ainda pode se livrar do acúmulo de papel em casa, que na era da Internet serve mais para juntar poeira e atrair cupins.

Para fazer parte da Campanha Veja outras Caras, basta simplesmente levar consigo, sempre que for passar por uma sala de espera, algumas boas publicações já lidas, atuais ou não, ou até mesmo textos interessantes de sites e blogs impressos em papel reutilizado (verso de sulfite já usado). Também valem fanzines, revistas semanais ou mensais que você considere de real credibilidade, jornais de bairro, quadrinhos, publicações sobre cultura, música, literatura, culinária, viagens e até livros que estejam apenas ocupando lugar nas estantes. Aí é só “trocar” seu bom material de leitura pelo lixo que estiver disponível. E dar um fim decente ao papel “recolhido”, como mandar para reciclagem, forrar a caixa de areia do gatinho, fazer esculturas de papier mâché, acender o carvão do churrasco…

PS: infelizmente ainda somos usuários da UOL, assim como da teleAfonica, mas estamos buscando alternativas…

do blog Nas Retinas

Exibições: 151

Respostas a este tópico

Oi, Guará
Respeito seu ponto de vista. Mas nao me parece que se possa caracterizar o que a Campanha está pregando propriamente como uma destruição de publicações (eles falam isso, eu sei; mas nao é o essencial da coisa). Acho apenas que estao propondo que "disseminemos" coisas melhores do que Vejas e Caras. E há publicações menores boas: Carta Capital; Revista Fórum; Brasil de Fato (esta nao conheço, mas já ouvi várias coisas sobre ela, e parece boa, embora tz um pouco radical); Caros Amigos; Mente&Cérebro; Scientific American; História; Pensando a Educação; e várias outras do mesmo tipo. Podemos apenas colocá-las nesses baús de salas de espera, mesmo sem tirar as Vejas, se você acha melhor assim.
Um grande abraço
AnaLú
Guará
Nós temos boas publicações menores,sim Por esxemplo; Caros amigos, Carta Capital, Revista Fórum, etc... Mas achei interessante que cada um de nós leve umartigo de blog impresso e deixe numa sala de espera de médicos, dentistas, etc... Não nos custa nada e estamos ajudando a muitos lerem coisas que prestam.. Eu, por exemplo ja dei para meu médico algumas destas revistas para que colocasse na sala de espera. E ele gostou da idéia.
Beijos
Na verdade, já faço isto. Levo exemplares da Carta Capital, bons artigos da internet e xerox de textos do Luís Fernando Veríssimo ( quem não gosta?) para consultórios médicos e, semanalmente, à minha veterinária, que aceitou meu pedido de exclusividade quanto a fornecimento de " material de leitura" ( exceto, claro, as revistas de cães e gatos), cedendo-me todo seu material descartável. E não vejo qualquer problema nisso, nem nenhum desrespeito. Eu peço aos donos das revistas para substituí-las. Eles concedem. Logo, passam a ser minhas. Assim, o fim que dou a elas é de meu livre-arbítrio. E vários pacientes das clínicas elogiam os textos que levo. Parabenizo a colega pela iniciativa.
Obrigada, Marco.
Apenas para elucidar, quando escrevi " minha veterinária", referi-me à do meu Mastim Napolitano. Para que não pairem dúvidas sobre minha classificação no reino animal.
Boa proposta, Anarquita Lúcida. Sou repórter de um jornal de bairro em Campinas e pratico essa tática de guerrilha. Estou gestando uma revista cujo título seria "Sala de Espera", com a colaboração de mebros da comunidade e o objetivo é distribuí-la gratuitamente nas salas de espera. Não vou alongar mas a idéia é fugir da senzala midiática e dar voz e vez aos cidadãos, sem preconceitos políticos, religiosos e etc.
Essa é uma ótima idéia, que talvez pudesse ser copiada por outros colegas jornalistas, e mesmo nao jornalistas, mas habitantes de cidades menores onde esse tipo de distribuição fosse mais fácil.
Faço isto, sempre que a oportunidade surge.
minhas Carta capital não mofam na prateleira.
a idéia é esta. e sempre um papo com quem aparece... marketing boca a boca...
Guará e amigos,
Guará, você está certo. Está certíssimo! Por trás de todas as publicações, grandes ou pequenas, de direita, de esquerda ou mais ou menos para um lado ou para outro existe uma legião de trabalhadores sérios, honestos, que sobrevivem e alimentam suas famílias com muitas horas trabalho duro e mal pago. Mas estão lá, firmes e fortes, produzindo o noticiário que é reproduzido nas rádios e nas TVs. E nos blogs também! É preciso respeitá-los. Não existe blog com equipe de reportagem própria -repórter, redator, fotógtafo, viatura etc, uma unidade de cada que seja. Ou existe e eu não sei?
Qualquer campanha deve saber exatamente quais são seus objetivos e que consequências terá. Se não tem pleno domínio sobre isso, a camanha é irresponsável e pode acabar favorecendo precisamente quem quer combater. Isso quanto à estratégia.
Já quanto à tática, são bem poucos os que frequentam sempre consultórios médicos, dentistas e veterinárias. Não sei quanto a vocês, mas prefiro não ter que frequentar tais ambientes. Mas sei que pessoas doentinhas não gostam de leirura e que cães e gatos não sabem ler. Além disso seriam necessários muitos meses para explicar a operários e homens comuns do povo o que significa "verso de sulfite já usado".
Mas há outra discussão que merece tratamento mais cuidadoso. Refiro-me ao que comumente se chama de "imprensa alternativa". Alternativa a quê? Ou a quem? Se a pretensão for desbancar a grande mídia de negócios será um furo n'água, como sempre foi. Se é o que estou pensando que seja ela já existe e é pujante. Não vende em banca, e se vendesse não seria alternativa. As mídias comunitárias (rádios, jornais, intranet etc), jornais sindicais, de classe e estudantis chegam a muito mais pessoas do que a internet com seus portais, sites e blogs. No entanto, jamais pretenderam substituir os jornalões. Sua função e seus objetivos -inclusive políticos- são outros. Este tema está na pauta do grupo.
Abraços
Henrique Marques Porto
Guará,
A propósito Alberto Dines publica hoje no Observatório um artigo intitulado "MUDANÇAS NA FOLHA - A reforma (prevista) já começou". Em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527IMQ001
Ainda no Observatório vale a pena ler o artigo de Eugênio Bucci, que mexe em casa de moribondo no “DITABRANDA” EM DEBATE - A briga em que todos perdem". Em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=527JDB001
E acabo de ler uma pequena mas interessante entrevista de Noam Chomsky ao El Pais que também toca no assunto. Em http://www.elpais.com/articulo/cultura/soy/Don/Quijote/molinos/vien...
A condição para quem busca informação é a pluralidade.
Abraço,
Henrique Marques Porto
Guará, você estã exagerando. Ninguém está falando em invasoes, nem truculencias nem nada parecido, apenas em trocar certas publicaçoes por outras, ou apenas adicionar outras alternativas. E a Veja e a Folha sao órgaos golpistas, que estao incentivando golpes. Se outro tipo de imprensa ganha força, os jornalistas da Veja e folha poderao se empregar nesses outros órgaos, e fazer um trabalho melhor. De qualquer forma, entre o emprego deles e evitar a disseminaçao desse lixo de imprensa, a escolha me parece clara.
Oi, Guará, desculpe nao ter te respondido antes, mas é que estive fora, e com enorme dificuldade de acesso.

Olha, nao acho que recolhendo esse material estejamos sendo golpistas. Ao contrário, é uma defesa contra o golpismo. Nao se trata de querer impedi-los de circular: quem quer lê-los, compra em banca ou assina. É apenas uma questao de evitar uma "mais valia" de leitura dos exemplares, que ficando em salas de espera em condições em que as pessoas nao têm outra coisa para fazer acabam sendo lidos por pessoas que nao realmente escolheram lê-los. Entao, é dar-lhes material menos pernicioso a ler...

E nao seria necessário recolher os exemplares; apenas alguns "truquezinhos" para torná-los menos atraentes. Por exemplo: bastaria tirar a capa da Veja e Isto É, e deixá-las por baixo de outras coisas que houvesse (mesmo besteiras como Caras, e coisas semelhantes, podem ser um lixo, mas sao menos perniciosas, pelo menos do ponto de vista político). E é difícil alguém pegar para ler uma revista sem capa, e o próprio dono do consultório se encarregaria de retirá-las.

Enfim, acho isso. Esse pessoal da Veja nao tem escrúpulos para nada, e pega pesado. Nao acho que devamos agir como eles. Mas "pureza" demais tb é negativo, a gente deve lutar contra esses caras.

Um abração
AnaLú

RSS

Publicidade

© 2022   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço