carícia

areia que se fez densa
sob os macios pés
sob o caminhar lento
moldando-se nos rastros
que ficaram
sem a onda obrigatória
que apaga e se reconstrói
no novo caminhar

a brisa acaricia o copro
a água banha os pés
o sol distante morre no horizonte
para que a noite se faça sonho
até o próximo amanhecer

hora de encontrar a mão que foi negada
hora de ouvir a voz que foi calada
hora de beijar a boca amordaçada
para que a hora passe
e não nos afastemos de tudo o que amamos
nem no próximo passo apagado na areia

hora de sentir a última fragrância
hora de lembrar o resto de infância
hora de romper toda a distância
para que a hora passe
e não nos afastemos de tudo o que amamos
nem no próximo passo apagado na areia

hora de sorrir o riso encantado
hora de de querer o amor desmesurado
hora de cantar o verso improvisado
para que a hora passe
e não nos afastemos de tudo o que amamos
nem no próximo passo apagado na areia

macio o pé acarecia a areia
porque a noite acaba
porque a manhã rompe
porque o pesadelo adormece
até o próximo entardecer

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