Temos um gigantesco potencial hidráulico, que pode e deve gerar energia, mas temos um modelo de geração que gera alagamentos gigantescos e obras faraônicas, além dos custos de transmissão. Não está na hora de repensarmos este modelo e partirmos para novos modelos?
E quanto à energia eólica? Já não passou da hora de investirmos mais nessa que é a forma mais limpa de produção de energia?

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Respostas a este tópico

Caro Luiz

A energia eólica está na moda mas ainda tem custos muito superiores a energia hidráulica. Acredito que o Brasil tem muito a aproveitar das hidrelétricas e tem uma matriz interessante, mas só lamento os últimos investimentos em termoeletricas a carvao (alto indice de poluiçao).As termoeletricas a gás natural podem ser utilizadas trazendo menor impacto ambiental.
Caro Herbert,
Os caminhos que inicialmente parecem caros, podem, com o tempo, serem os menso dispendiosos.
Na geração hidroelétrica temos os enormes custos da obra em si, os elevados custos de ditribuição e os custos ambientais de desmatamento, alagamento e transferência de pessoas.
Com a geração a gás, temos a finitude do combustível fóssil, os custos de transporte e manutenção e os problemas de mercado.
Na geração eólica, com o crescimento da produção, o preço pode cair. Pode-se incentivar a indústria a se instalar no País e diminuir os custos, além do fato de que a manutenção não é tão cara, não há logística para combustível.
Luiz Augusto

Tem um pequeno problema com a energia eólica, como armazenar a energia, quando venta tem energia, quando não venta o que se faz?
Se faz o mesmo que nas hidrelétricas Rogério - algumas delas operam a baixas porcentagens na época de menor vazão hídrica!! E o mesmo significa aproveitar com inteligência a dinâmica da natureza!
Transcrevo parte de um documento produzido pelo Senado (http://www.senado.gov.br/senado/conleg/textos_discussao/NOVOS%20TEX...):

O Diretor-Geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp19,
alertou para a redução da capacidade de regularização plurianual do sistema, resultado natural dessa tendência, em apresentação no 5º Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico. Chipp mostrou dados que indicam que a relação entre a energia armazenável (em MWmédios) e a demanda (também em MWmédios) tem uma queda estimada de 6,7, em 2000, para 4,5, em 2012. Em outras palavras, o índice que expressa a capacidade total de armazenamento de água do sistema hidrelétrico nacional frente à demanda vem caindo gradativamente, quer pelo aumento da demanda, quer pela falta da construção de novas usinas hidrelétricas com reservatórios.
Outros estudos apontam na mesma direção. Mário Veiga e Rafael Kelman20
estimam que haverá uma perda na capacidade de regularização do sistema hidrelétrico da ordem de 10%, entre 2010 e 2020. Essa perda terá que ser compensada pela construção de usinas termelétricas, com o conseqüente aumento de emissões de gases de efeito estufa, o que coincide com as previsões contidas no Plano Decenal de Energia 2008-2017. Os autores afirmam que cada 1% de perda da capacidade de regularização equivalerá a um aumento de 23% nas emissões.

Isso é reflexo da falta de conhecimento de supostos especialistas a respeito de como funciona o setor elétrico brasileiro. Há uma irracionalidade inaceitável por parte de ambientalistas radicais, especialmente os seguidores do ex-ministro do meio ambiente, que nada sabe sobre energia, mas ficava vociferando bobagens sobre o assunto. O resultado é esse, teremos que construir térmicas, porque as eólicsa não cumprem a função de dar estabilidade para o sistema.

As hidrelétricas são projetadas com base na vazão mínima do rio. As represas de cima guardam água para o período seco, estabilizam a vazão e todas as que estão abaixo geram energia de forma otimizada. A usina de Furnas, por exemplo, regulariza a vazão do rio Grande para que outras 19 usinas se beneficiem. dom ponto de vista ambiental, o impacto é concentrado em cima e atenuado abaixo.
As críticas às hidrelétricas chegam às raias da estupidez. Concordo que é necessário diversificar, mas todos devem saber que se quisermos nos manter ligados ao mundo, se quisermos a universalização do bem-estar, do desenvolvimento humano, da assistencia social, do lazer e da cultura, VAMOS PRECISAR DE CADA VEZ MAIS ENERGIA! E não será a eólica que resolverá o problema. Ela é uma energia excelente, mas tem limitações na geração. Seria bom que os defensores da eólica acordassem para a realidade, porque não será a energia solar, nem a eólica que sustentará o crescimento economico do país. Ela ajudará, sem dúvida, mas não é a soluçao definitiva.
Rodrigo

Colocas exatamente o problema, ambientalistas estúpidos, e consórcios privados de energia simplesmente estão tirando do Brasil exatamente a característica principal do seu sistema de geração de energia, a regularização das vazões. Cito o exemplo da usina de Passo Real no Rio grande do Sul, ela foi construída no tempo em que não se falava falsamente da estupidez que se chama o aumento do efeito estufa provocada pelos reservatórios. Se quiseres saber por que chamo estupidez porque os mesmos não computam a quantidade de calor que é retirada do rio com uma usina hidrelétrica. Eu postei no meu blog uma pequena explicação de como é feito isto, se tiveres algum interesse olhe AQUI.
Caro Rodrigo, a engenharia, assim como todas as ciências me fascinam. Todos nos temos uma vontade incondicional de ver um país com pessoas educadas formalmente, sem problemas na saúde, sem violência e com plenitude energética. A energia permite o conforto e qualidade de vida. E não acredito que você pense de forma diferente.
No entanto, sem polemizar questões muito técnicas, por hora; você afirmou que o "ex-ministro do meio ambiente, que nada sabe sobre energia". Bom, ai temos o dilema, pois os engenheiros nada sabem sobre Ecologia, a mais complexa das ciências (Ernest Mayr).
E, enquanto debatemos assuntos importantes de forma civilizada e aprendemos uns com os outros fica a verdade: nós sobreviveríamos em um mundo sem hidrelétricas, mas não sobreviveríamos sem os serviços ambientais mais básicos promovidos pelos recursos hídricos, relembrando pensamentos do engenheiro Marcondes Ferraz.
Adilson, eu não sou engenheiro. Pasme, eu sou biólogo e lido exatamente com avaliação de impactos ambientais de hidrelétricas, e com monitoramento limnológico e da qualidade da água dos reservatórios. Minha crítica ácida ao Minc é proposital. Ele demonstrou uma arrogante ignorância ao dizer que as usinas reguladoras eram coisa do passado, de governo militar. Ele faz parte do coro que critica hidrelétricas sem ter o menor conhecimento de causa, inclusive vários colegas de profissão.
Você não sobreviveria num Brasil sem hidrelétricas. Elas correspondem a 76% da geração de energia do país. Bastou o linhão de Itaipu cair para o país inteiro parar. Você talvez não saiba, mas o regime hidrológico no Sul é diferente do Sudeste, por isso nosso sofisticadíssimo sistema integrado impede que São Paulo e Rio de Janeiro tenham falha no abastecimento.
Na UFRJ há dois laboratórios com equipamentos sofisticados que consomem muita energia. Os dois laboratórios têm que combinar horários para produzirem suas pesquisas, caso contrário toda a energia do bloco cai. Esse é exatamente o cenário do Brasil sem hidrelétricas. Sem elas, precisaríamos do carvão e do gás. Sem elas precisaríamos de usinas nucleares. Eu tenho 52 anos, eu vivi minha infância no interior de Minas com interrupções diárias. Recentemente estive no interior da Bahia, onde também ocorria o mesmo problema. A população não queria uma usina lá, mas reclamava da falta de energia. O Sudeste se abastece principalmente de Itaipu, do Triangulo Mineiro e das usinas paulistas. Sem isso como seria o país? Sem elas não estaríamos aqui, no computador, sem estabilizador (no meu caso). Porque hoje o sistema é confiável em quase todo o país, ninguém percebe como ele funciona.
Além disso, usinas hidrelétricas são reserva estratégica de água, principalmente para as regiões mais áridas. Os usos múltiplos são permitidos, o turismo é desenvolvido, industrias e tudo o mais. A vazão regularizada reduz o risco de enchentes. Portanto as hidrelétricas se encaixam perfeitamente no pensamento de Marcondes Ferraz.
Não meu caro, o Brasil estaria no mesmo padrão da década de 1959 não fossem as hidrelétricas. Você até poderia viver sem elas, mas com uma expectativa de vida muito menor.
Adilson

Numa hidrelétrica pode-se armazenar água, numa eólica não se tem como armazenar vento.
A ídéia nunca foi armazenar energia eólica, mas economizar energia hidráulica nos horários de maior deslocamento de massas de ar. Principalmente nos periodos "Secos", quando temos mais vento e menos chuvas!
Sim, especialmente nos meses de agosto e setembro temos bastante vento, mas também durante os meses chuvosos. Enfim, as eólicas poderiam atuar nesses meses para evitar que os reservatórios se reduzam muito durante a seca. Não se pode descartar nenhuma fonte energética porque no horizonte de 20 anos precisaremos de todas elas, inclusive da nuclear. Ao menos será assim até que se desenvolva uma forma revolucionária de geração de energia. Mas a estratégia ambientalmente burra não prevê a construção de usinas de regulação, que estocam volume e mantêm a estabilidade do sistema quando as pás param. Se não forem elas, terão que ser as térmicas e nucleares.
Caro Rodrigo

De onde tiraste esses dados da perfeita complementaridade das eólicas com as hídricas. Nunca vi este valor em destaque exceto na região nordeste, mas como nesta região o potencial hídrico é muito pequeno realmente as eólicas são complementares, porém gostaria de saber se nas regiões sul e sudeste, onde se justificaria a complementaridade há o mesmo regime.

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