Temos um gigantesco potencial hidráulico, que pode e deve gerar energia, mas temos um modelo de geração que gera alagamentos gigantescos e obras faraônicas, além dos custos de transmissão. Não está na hora de repensarmos este modelo e partirmos para novos modelos?
E quanto à energia eólica? Já não passou da hora de investirmos mais nessa que é a forma mais limpa de produção de energia?

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Respostas a este tópico

A pergunta que não quer calar sobre a CELG: por que Cachoeira Dourada, sua principal geradora, foi privatizada? Que empresário venderia sua fábrica a um concorrente, para em seguida comprar o produto dele?
As alternativas de energia devem respeitar cada região e seu respectivo potencial. No meu modo de ver, o Brasil tem um grande potencial inexplorado em torno da biomassa, dos ventos e do sol.

A biomassa rural, compreendendo bagaços e esterco animal, podem ser gaseificados e tratados para um equivalente do gás natural, o biogás. Assim também acontece com o lixo orgânico não-reciclável e com esgoto doméstico em zonas urbanas. Menos poluente do q o petróleo e renovável. Algum dia, o gás natural do pré-sal e da Bolívia vai acabar, mas uma estrutura de gasodutos e e produção industrial à base de gás vai permanecer. Deveríamos paulatinamente adotar a produção de biogás e seu consumo e reservar gás natural para o papel de compensar o aumento de demanda. Mais, usar a produção e comercialização de biogás de dejetos e lixo para financiar projetos ambientais e a expansão da rede de coleta. Problemas ambientais urbanos só serão resolvidos quando se der a valorização dos resíduos. Fora a utilização renovável dos restos orgânicos do processo de gaseificação para produção de fertilizantes.

No caso da energia eólica e solar, acredito q esse potencial se resume ao Nordeste, embora boa perspectiva para a energia eólica no Sul. Coincidentemente, o Nordeste sofre com a desertificação, em especial na Região do Polígono da Seca, com aquíferos subterrâneos de água salobra e com intensa radiação solar. A dessalinização solar, em si, é uma solução mais dispendiosa do q a técnica de membrana osmótica e a geração termossolar isoladamente é uma alternativa polêmica. Mas a junção dessas funções em uma usina solar ideal permitiria abastecimento de água e eletricidade e ainda insumos para uma indústria química local (sais são melhores do q bombril: tem mais de 1001 utilidades na indústria química). Quando eu digo uma usina solar ideal, refiro-me a um projeto de máxima eficiência, usando espelhos de alta reflexão para aquecer óleos de grande absorção térmica, caldeiras para armazenar calor (à base do próprio sal e escória), turbinas e motores stirling de alto desempenho para cogeração e reaproveitamento do calor. A própria característica do Sistema Integrado permite q usinas solares funcionem a plena carga durante o dia e início de noite e reservem hidrelétricas, térmicas e nucleares para suporte (claro, o consumo de energia não permite depender só de solares e eólicas, mas o potencial permite poupar muito dos outros recursos).

Muito se fala no custo dessas obras. Mas é maior do q o custo de hidrelétricas? Numa relação inicial, pela geração e potência, talvez. Mas a manutenção ao longo dos anos é barata e as ramificações industriais compensam. Tudo é questão de projetos e compromissos políticos, uma visão de desenvolvimento q não passa por interesses só da indústria do cimento e de empreiteiras. O gás natural (ou o biogás, no caso) é um combustível muito menos poluente do q a gasolina e, quando não usado na combustão, escapa para a atmosfera e é muito mais prejudicial do q o gás carbônico. A radiação solar e o regime de ventos é algo permanente, sofrendo variações mas previsíveis. O desenvolvimento tecnológico ainda vai permitir uma melhor relação custo-benefício, mas ninguém deixou de comprar carro 40 anos atrás para esperar por freios ABS, injeção eletrônica e motor flex. A demanda existe em toda a América Latina (vide Argentina e Venezuela) e o Brasil tem um grande papel na exportação de energia, mesmo se tornando um grande consumidor.
Caro Jefferson

Há uma pequena confusão conceitual no que escreves, geralmente se da o nome de gás natural ao gás proveniente de afloramentos naturais do mesmo tipo que provém o petróleo, o gás natural é composto principalmente de metano, etano e propano (aproximadamente 85,00 - 90,00 %, 5,00 - 6,00 % e 1,50 - 2,00 % % respectivamente). Já o biogás que falas não são a mesma coisa, a composição do biogás depende da proveniência do mesmo e do estado de composição que este se encontra. A percentagem de gás combustível (metano) presente no biogás varia da ordem de 50%.

O problema do biogás que junto ao metano há outros que devem ser retirados do processo antes da combustão (CO2, gás sulfídrico). Fazendo que o biogás tenha um poder calórico em torno de 6.000kCal/m³ enquanto do gás natural é da ordem de 10.000kCal/m³. Isto, por exemplo, levaria que para o biogás ser utilizado em veículos todo o CO2 e outros gases deveriam ser retirados. Este processo inviabiliza hoje em dia a sua utilização longe do local de produção. Devido essas limitantes a utilização do biogás fica geralmente restrita as regiões próximas a zona de produção.

Nada impede que o Biogás seja utilizado como combustível, mas o custo não é baixo e os processos para a retirada de outros gases não combustíveis, reduzem em muito o poder calórico líquido deste combustível.
No interior do Brasil a incidência de ventos é muito mais limitada, além da intensidade também menor. Não seria economicamente viável instalar cataventos, mesmo para atuarem na geração complementar. A energia renovável tem restrições devidas à sazonalidade da fonte geradora, seja ela eólica, hidráulica ou biomassa. Vento, vazão e produção de cana obedecem a ciclos sazonais em escala anual, mas o consumo de energia tem também um problema cíclico em escala diária, que é o famoso horário de pico. Por isso temos o horário de verão. O horário de pico é aquele em que todos nós chegamos do trabalho, ligamos a TV, jantamos e tomamos banho. Ele vai das 18h00 às 22h00. Depois o consumo de energia cai. O setor precisa atender aos dois ciclos, por isso precisamos das usinas hidrelétricas que regularizam vazão , aquela que o ex-minitro de meio ambiente (que nada entende de energia) execrou. Curiosamente, nesse horário de pico, ao menos no interior do país, raramente venta forte e de forma contínua. Nos meses de abril a agosto, então, pode esquecer.
O vento é contínuo no litoral porque vem do oceano, um superfície sem relevo para bloqueá-lo. Há uma velocidade padrão de pelo menos 6,5 m/s (foi o que li algum tempo atrás). Há regiões no Ceará em que a média é 8,5 m/s. Nesse caso o rendimento é maior, há maior geração. A costa brasileira é um dos maiores parques eólicos do mundo, mas já está ocupada por cidades, pontos de relevante beleza natural e áreas de preservação permanente, onde a construção é resrita, se não proibida.
REcentemente alguém comentou que em um país europeu se colocam cataventos sobre edifícios. Para isso ocorrer no Brasil e o condomínio se tornar um gerador autônomo, é necessário mudar a lei que regula o setor. Não é má idéia, a descentralização da energia pode nos fazer economizar uns 20% de investimentos em grande projetos, mas eles continuarão necessários porque essas microunidades são limitadas em geração e também em quantidade. A gente pode imaginar centenas de cataventos sobre ediíficios, mas isso porque não moramos debaixo deles.
A energia que produzimos vai basicamente para a indústria, e a energia da indústria tem que ser firme, constante. Uma solução é reduzirmos nosso nível de consumo de energia em casa, e nosso consumo de bens. Só que isso também freia a economia. que é baseada no consumo. Sinceramente eu não tenho a solução para esse problema, a não ser migrar para o interior e adotar um estilo de vida totalmente diferente, bem mais rústico. Quanto topariam a idéia? Por isso eu sou um defensor da energia nuclear, apesar de trabalhar com hidrelétricas, e mesmo sendo biólogo. Para alguns colegas, sou um herege.
Abraço
Em realidade a questão da velocidade dos ventos e capacidade de geração eólica sofreu muitos avanços e existe um novo mapa de áreas favoráveis desde 2008, salvo engano.
Existem, somente na Bahia, três projetos em andamento, e todos à distãncia de mais que 500 Km do litoral.
Concordo com você, Rogério. Além de ser mera jogada de marketing, ela tem efeito devastador na formação da opinião pública. Os ambientalistas leigos - e também jornalistas - abraçam essas idéias estranhas e passam a exigí-las como alternativas para projetos de grande porte.
Prezados, gostaria lhes relatar algo que ouvi recentemente que explicaria a expansão das eólicas no Brasil.

Os grandes fabricantes de geradores eólicos se prepararam para atender o mercado europeu e asiático, e os produziram em grande quantidade, porém a crise de 2008 retraiu expansão e houve cancelamento de investimentos. Esses fabricantes então descobriram a demanda do Brasil e, ansiosos por desovarem o que já foi produzido, estariam despejando aqui os equipamentos antes previstos para os outros mercados, à base de uma grande liquidação pós-Natal, do que ficou encalhado nas prateleiras. Bom para nós, que estamos ampliando a oferta de energia eólica a um preço mais adequado para nossos consumidores. Não estão nos vendendo entulho, quero destacar, mas equipamentos de primeira linha. E eles não ofertam somente o equipamento, mas também todo o projeto e o gerenciamento da construção, por isso as grandes construtoras e projetistas brasileiras não entram nesse mercado, porque é mais barato para o investidor comprar o pacote completo. Enfim, de acordo com essa análise, o preço das eólicas não caiu por causa da ampliação do mercado, mas por causa de uma expectativa não realizada. Seja como for, nós nos beneficiamos disso, e pode ser que, no médio prazo, os fabricantes passem a incluir o mercado brasileiro entre seus clientes e os custos da produção de equipamentos de fato se reduza, devido ao aumento da escala de produção. Se isso ocorrer, será ainda melhor para nós.

Com relação à comparação entre os custos de geração hidrelétrica apresentados pelo Rogério Maestri, como trabalho em empresa projetista, acompanho mais de perto as reclamações, especialmente dos custos ambientais nem sempre computados pelo leilão. Vejam o caso de Belo Monte, que o mercado sempre dizia custar 30 bilhões de reais, mas que o governo fixou em 17 bilhões. Estão refazendo as contas e o valor já está chegando na casa dos 30.

Ainda sobre os custos ouvi uma análise curiosa - e preocupante: o governo estaria adotando uma política de impor às novas hidrelétricas um preço inicial já muito baixo, de modo que a taxa de retorno dos projetos ficaria aquém da necessária para um investidor privado. Com isso eles perderiam o interesse de serem majoritários e as estatais voltariam a dominar o mercado. Uma espécie de estatização disfarçada. Se é verdade, eu não sei, essa não é a minha praia.

Um dos pontos mais importantes que diferenciam hidrelétricas de eólicas é a "energia social". A energia social equivale a 70% da geração da usina, que deve ser vendida no mercado pelo menor preço, definido no leilão (cujo valor máximo é definido pelo governo). Todas as hidrelétricas acima de 30MW seguem essa regra. Além disso, elas devem pagar também compensação financeira aos municípios, se não me engano, equivalente a 6% da geração, a título de compensar a área inundada. Esse montante é rateado proporcionalmente entre eles, quem tem a maior área inundada ganha mais.E também têm que pagar a compensação ambiental - 0,5% do valor total do empreendimento - para a implantação ou manutenção de unidades de conservação.

A concessionária ainda banca o reforço na infraestrutura de educação, segurança e saneamento dos municípios que sediarão a mão-de-obra, e também reforçam a estrutura viária. Enfim, uma hidrelétrica costuma ser vista como uma benção para os governantes locais, tamanha a quantidade de dinheiro que entra na cidade, ao menos durante a construção. O ICMS da geração é destinado somente ao município que detiver a casa de força em seu território.

De acordo com as regras do setor, se a usina for concluída antes do prazo estabelecido pela concessão da ANEEL, toda a energia gerada nesse intervalo pode ser vendida diretamente no mercado livre. Para se ter uma idéia, Jirau e Santo Antonio adiantaram seu cronograma de construção em mais de um ano. É essa geração livre que vai garantir retorno financeiro aos investidores, públicos e privados, envolvidos nas duas usinas.

No caso de PCH e eólica, não existe compensação financeira nem ambiental, e toda a energia é vendida no mercado livre. Para os municípios que recebem esses empreendimentos os benefícios não são muito claros, pois eles não fixam mão-de-obra (hidrelétricas podem ser operadas remotamente).

Como já foi dito diversas vezes nesse fórum, as eólicas não se destinam à geração de base. No Brasil esse papel cabe às hidrelétricas, não fossem elas estaríamos queimando petróleo ou gás natural. É preciso entender issso, não é possível o país se sustentar nos cataventos. A frequência de ventos oscila tanto sazonalmente quanto no curto prazo, A propalada média de 8,5 m/s em algumas regiões no Brasil é exatamente isso: MÉDIA!

Com as hidrelétricas ocorre a mesma coisa: o rio tem uma vazão MÉDIA. Só que as hidrelétricas não são projetadas com base nela, mas com base numa série histórica de muitos anos. PAra que se tenha uma idéia da complexidade desse trabalho, uma usina hidrelétrica pode levar dez anos ou mais para sair do papel. Ninguém desenha uma barragem da noite para o dia. E ninguém constrói usina num rio temporário. Essa é a diferença entre as duas fontes de energia.

Como já afirmei em outras mensagens, é necessário que tenhamos usinas hidrelétricas de regulação para manter a estabilidade do sistema. E foi graças a duas dessas usinas - Serra da Mesa e Furnas - que o racionamento no período de 2001 não se transformou em uma catástrofe. Essas usinas chegaram no final de 2002 quase no limite de suas reservas. Até mesmo Itaipu, que não tem função de regulação, teve seu nível rebaixado. Nos anos posteriores ao racionamento, quando tudo parecia estabilizado, os ventos derrubaram as torres de Itaipu que transmitem energia para o Sudeste. Mais uma vez Serra da Mesa foi acionada e teve sua reserva de água utilizada para suprir a demanda. Por isso acho um desrespeito de muitos ambientalistas criticarem o setor elétrico brasileiro e criticarem as usinas hidrelétricas. Infelizmente essas situações críticas não são noticiadas corretamente pela imprensa, ou a imprensa simplesmente a ignora porque seu parque gráfico não foi comprometido.

Saudações Sr. Luiz Augusto e demais.

Verdade que o Brasil encontra-se em situação privilegiada na geração de energia elétrica advinda de fontes alternativas. Em recente pesquisa constatei que existe em nosso país excelentes matrizes energéticas de fontes alternativas e renováveis em que pese não somente a eólica.A energia das marés, energia das correntes e a energia das ondas, o conjunto de energia maremotriz desenvolvida largamente no Japão, Portugal, França encontrariam em nosso litoral infinita possibilidade de geração, salvo engano a Universidade do Federal do Maranhão vem debruçando estudo acerca do tema. Aqui próximo a Bom Jesus da Lapa- Bahia- terá inicio um empreendimento no sentido de gerar energia atravéz do vento com capacidade de geração de 117 megawatts com 40 torres na cidade de Caetité e 78 torres na cidade de Igaporã.A Bahia encontra-se em uma localização favorável para esse desenvolvimento assim como outros estados da região nordeste:.Certamente o custo de transmissão e perda na rede dá ao investimento ares de oneroso.Em relação a perda de potencia na transmissão estão sendo testados em São Paulo e também em Curitiba o sistema Smart Grid http://www.redeinteligente.com/   .Enfim o tema não exauri em uma janela, porém é empolgante perceber tantas pessoas atentas a questão que envolve inúmeras questão desde saúde, a desenvolvimento.

Luis Augusto de Jesus Carvalho concordo com sua concepção. Veja a situação atual do RN e uma entrevista importante com um especialista no tema.

http://blogln.ning.com/forum/topics/investimento-em-energia-e-lica-...

 

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