Julio Cezar Pizzano Moreira
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Crônica:


- Amigo do Chico

Chico Buarque, em meio à turnê nacional do show "Paratodos", em 1994, fez três apresentações no Teatro Ópera de Arame. O artista e sua trupe ficaram na Capital paranaense ao longo de uma semana, hospedados no Araucária Flat Hotel.

A casa hoteleira, que havia vencido a concorrência para hospedar o cantor, não imaginava que, ao pé do hotel, Chico imporia mais três condições para concretizar seu check-in. O artista não abriria mão da pelada nos dias intercalados dos shows; do acesso livre à cozinha do hotel para preparar, ele próprio, seu misto-quente; e da preferência pelas portas abertas do hotel para os fãs que se fizessem presentes, pois atenderia a todos que por ele procurasse. Por isso, o hotel, além de abrir portas, teria que conseguir um campo society para a trupe bater uma bolinha. O pessoal do hotel poderia jactar-se do sucesso imediato da missão, não fossem os percalços para conseguir um lugar reservado para se jogar bola, com a privacidade que o protagonista dispensava. Exigências atendidas, o convívio do artista no hotel não poderia ter sido melhor.

O fã incondicional de Chico se esforçava para ficar à margem do gerente de hotel, embora este hospedasse aquele. O “chicólotra”, que ardia latente, inflamava o gerente, antes discreto, fazendo-o exibir tiques nervosos atípicos.

Mas Chico, num gesto que só os grandes possuem, como se ardilosamente tivesse descoberto o fã no âmago do gerente, convida-o para disputar uma “pelada” com ele e sua trupe.

O gerente... Isto é! O fã, atropelando o gerente, aceita de chofre o convite do Chico. O artista deve ter se orgulhado do nobre gesto, se bem que, no momento em que levou uma “caneta” do convidado, deve ter se arrependido do convite, pensou o convidado insolente.

Na esteira do bom relacionamento, Chico encomendou ao gerente do hotel um divã para colocar no seu camarim e, também, recomendou que provesse a adega com o vinho italiano “Valpoliccella Bolla”. Foi prontamente atendido.

Naquela manhã primaveril, Julio Cezar ainda não acreditava que, dois dias atrás, havia jogado bola com seu ídolo. Fazia força para desanuviar as vistas, cair na realidade e voltar ao trabalho. Afinal, andar em nuvens não é um bom programa para quem vive às tontas com seu labirinto. Entrou no hotel e, pouco depois, no café da manhã, topou com o artista, que já se encontrava no seu desjejum. Convidado, sentou-se à mesa do ídolo. Travava diálogo amistoso com ele, burlando a conduta de um fã que se preza. Ruborizou quando perguntado se iria à estreia do espetáculo, naquela noite. Não havia conseguido comprar ingresso para o show, mas ancorado em seu profissionalismo, não revelou o infortúnio ao Chico. O que pensaria o artista? Provavelmente, que o gerente estaria tentando conseguir convites para o show, na base do jeitinho. Por anos acalentava o sonho de ir a um show do seu ídolo, mas, vê-lo ali, tomando café da manhã em sua companhia, ter disputado uma pelada com ele e, de quebra, ter dado uma “janelinha” no “Pagão do Politheama”, já estava de bom tamanho. Quem haveria de acreditar? São imprevisíveis os caprichos da sorte. Portanto, o show poderia ficar para outra oportunidade, que por certo calharia. Porque Deus é pai!

O papo corria animado naquela mesa. Era notório que Chico havia nutrido simpatia pelo gerente. Chico percebia o tratamento diferenciado que lhe era destinado, no hotel. Talvez, por isso, tenha passado ao gerente dois ingressos de plateia, na área VIP, aquela que acabou com a fila do gargarejo, incontinenti à resposta se iria ou não ao show. Deixou o gerente sem palavras.

Julio Cezar assistiu a um show antológico, casa cheia, público satisfeito e animado. Nem parecia que o cantor vinha de um jejum dos palcos, de quatro anos, tal era a sua desenvoltura, espantando a fama de tímido. Além de realizar o sonho de ir a um show de seu ídolo, Julio Cezar, ainda, fez um “h” com a namorada. - Chico fez questão que eu fosse ao show! Agora somos amigos!

A pianista Bia era uma anciã que, de quando em quando, apresentava-se no piano-bar do hotel. Na manhã de sábado, dia da terceira e última apresentação de Chico, em Curitiba, ela foi até o hotel para fazer um pedido, pra lá de difícil, ao qual chamou de especial, ao “amigo do Chico”. Sabia que o carinho que o gerente tecia, em seu íntimo, por ela, era o mesmo que, descaradamente, nutria por ele. Então, em nome de vossas amizades, pediu ao gerente que convencesse o autor de “Choro Bandido” de tocar em sua companhia, na boate do hotel, logo mais, após o show do artista. Bia, uma provecta e persuasiva senhora, argumentou que seria a coroação de uma extensa carreira de pianista amadora – Com as argumentações ad popolum: “Sabe-se lá quanto tempo me resta de vida?” e “Será que não é esse meu último desejo?”, pois termo à conversa. A única certeza que a pianista tinha é que, o “amigo do Chico”, faria de tudo para concretizar um pedido seu, por mais bandido que esse pedido parecesse. E isso, por si só, já era garantia de uma boa, longa e lenta sesta, naquele dia.

Até o sol, de saída, debruçado no horizonte, parecia curioso com os desdobramentos daquela história. Julio Cezar soube logo que Chico havia lhe deixado um recado, na recepção, para que o procurasse em sua suíte. Ele não procurou Chico de imediato, protelou ao máximo, para ganhar tempo; havia sido pego no contrapé, precisava arquitetar sua fala, para que Chico não declinasse do pedido. Será que os astros estavam conspirando a favor? Bem! Bem-vinda seria a ajuda daquele astro hospedado no hotel. De tanto pensar em como fazer o pedido a Chico, foi sem saber o que iria dizer. Teria que ser de improviso mesmo.

Chico, como de costume, iria jantar com sua trupe, após o show, num daqueles bons restaurantes da “Cidade Sorriso”. Mas estava inclinado a ficar, recluso, no hotel, por conta de uma leve indisposição. Faria o show e depois daria o cano no pessoal, voltaria ao hotel e pediria a refeição em sua suíte. O ocaso flamejava na janela da suíte, o outro astro descansava solitário, alheio ao espetáculo do deus-sol, quando bateram na porta. Chico, de súbito, acorda e, a muito custo, vai atender o intruso. – Ah, sim! O gerente! Pois é cara! Tô querendo ficar no hotel depois do show e preciso que providencie jantar para mim, aqui mesmo no hotel. - Bem, Chico! O hotel não serve jantar. Mas, coincidentemente, hoje, haverá um jantar de despedida para nossa querida pianista, que será servido no nosso piano-bar, para não mais de dez pessoas. E, pasme, você é o ídolo da nossa velha cantora. Acho que posso mandar sua refeição... - Espera! Você disse que sou “o ídolo”... “da velha cantora”? – Sim! Ela é octogenária e está cansada de tocar na noite, vai parar. Mas ela nem desconfia que você esteja hospedado aqui. Só não afirmaria que ela ignora sua presença na cidade. – Bem! Aceito o jantar! Mas com uma condição! Farei a refeição com vocês, quero dar um abraço na minha colega. – Mas, Chico! Você está indisposto! O pessoal pode te importunar e... – Eu não vou incomodar, vou? – Claro que não! – Então, reserve minha mesa, “falô"!?

Julio Cezar conseguiu realizar o difícil pedido da pianista. Chico iria encontrar Bia. Mas a custo de uma tremenda mentira. E agora? - Deus do céu, me ajude!? Agora, o gerente teria que dar a luz à sua mirabolante invencionice. Para tanto, foi buscar a conivência de seu fiel mestre-cuca, que há tantas andava de folga. Com o mestre-cuca recrutado, sucedeu que, o gerente, sem alternativa, fazendo pouco caso do caranguejo que trazia por estima, meteu a mão no bolso e puxou a mufunfa. Passou a grana ao mestre-cuca que, sem perder tempo, foi à feira. O gerente convidou alguns amigos para a boca livre, não sem antes comunicar à pianista da sua “derradeira apresentação”... Com o Chico, é claro!

O show que sucedeu ao show foi um barato. Chico ficou na boate madrugada adentro, comendo, bebendo e cantando, acompanhado de um grupo pequeno mas muito animado. Confidenciou que adorou a noite e se deliciou com o prato servido: filé de frango ao molho de manga. Mas o que mais encantou o artista foi a pianista e, assim, saldou-a com um piropo: - Bia, uma artista de mão cheia, uma pessoa cativante e uma mulher encantadora.

A jovial anciã não cabia em si de contentamento, era a sua realização profissional; as horas já se encostavam à manhã e era ela uma das mais animadas da festa. Cantou e tocou, com Chico, de “Beatriz”, consagrada canção do artista, a “Tempo e Artista”, música do último álbum, escolhida por Chico para homenagear a pianista, na sua despedida. No Gran Finale, Bia desabafou ter sido o melhor dia dos seus 29.350 dias de vida. E declarou a todos que iria se aposentar. – Deu pra minha bola! Puxou o gerente de lado e murmurou ao pé do ouvido, - falei sério! Parei mesmo! Como, antes, supor viver o que acabo de viver? Quando eu iria ter uma despedida destas? Fazer dueto com Chico Buarque? Tê-lo a tiracolo? Quando? Muito obrigada!

Na despedida, meio sem jeito, meio sem graça, o gerente, enfim, soltou o angustiado fã, e este não desperdiçou a chance e pediu para que Chico autografasse o livro “Estorvo”, que trazia meio escondido, sufocado no sovaco. E é claro que foi atendido!

De partida, já no aeroporto, Chico lembrou-se de não ter acertado a conta do frigobar. Ligou para o hotel e falou com o gerente. Desculpou-se e pediu o valor de seu débito e número da conta bancária, para que efetuasse o pagamento. Recebeu um não como resposta do gerente, que completou: se havia alguém em dívida, esse alguém era o hotel, por ter tido o privilégio de ter hospedado o grande nome da MPB, e de quebra levar os louros. Chico agradeceu e falou: - Pô, cara! Obrigado! Obrigado, mesmo! Pega o meu telefone e aparece lá no Rio, para bater uma bolinha. Mas não pensa que vou dar mole, novamente, e deixar você fazer fama em cima de mim? Tá legal?

Cinco anos depois, Julio Cezar não trabalhava mais com hotelaria, morava no litoral do Paraná, recém chegado de uma temporada, de alguns anos, nos Estados Unidos. Ele já havia se acostumado à condição de fã, e apenas fã. Mas, no início do mês de agosto, desse mesmo ano, ouviu no rádio que Chico, em sua nova turnê, “As Cidades”, iria fazer uma única apresentação na “Cidade Sorriso”. O show seria no famoso Teatro Guaíra, velho conhecido do artista. Julio Cezar relembrou o encontro, naquele ano distante, com seu ídolo e, instintivamente, correu para rever o livro autografado, que, na verdade, não se tratava de um autógrafo, como pode se certificar: “Para o Julio, com a amizade de Chico Buarque. Obrigado por tudo!”. Bateu novamente a vontade de ir ao show, mas jogou de lado o desejo, deu de ombros e sentenciou: – Não vou!

Na boca de cena, à espera do ídolo, com uma namorada, Julio Cezar não acreditava que estava ali novamente. Havia relutado muito para não abandonar a condição de fã, porque fã que se preza não pode ter intimidade com o seu ídolo, tem que mantê-lo num patamar superior, como uma entidade. Mas, a vontade de ver o show falou mais alto. Ele ligou para o hotel em que o artista estava hospedado e, sem demora, por intermédio de sua assessora, falou com o próprio Chico. – E aí, cara? Ainda mora em Curitiba? Olha, você é meu convidado especial para assistir ao show. Venha mais cedo e entre pelos camarins para batermos um papo,”falô”? O fã resolveu continuar na condição de fã e não importunou o ídolo, e da boca de cena pulou para o palco e desceu para a plateia, de onde assistiu ao show, anonimamente.
(Julio Cezar Pisano Moreira)
28/04/2009

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ENTREVISTA DO AUTOR DE "AVIZINHADOS DO AMOR" COM A EDITORA SCHOBA

Editora Schoba Fale um pouco sobre você?

Sou neto de italianos e portugueses. Oriundo de família tradicional de

Guarapuava. Filho de Wellington e Maria José. Ele conhecido e

reconhecido como um dos baluartes do esporte de Guarapuava. Festejado e

homenageado por diversas entidades do município por ter sido o precursor

de diversos esportes na cidade e, ainda, ter aberto a primeira academia

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trouxeram… Continuar

Postado em 18 julho 2010 às 22:29

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Às 20:19 em 26 setembro 2009, Antonio Barbosa Filho disse...
Olá Júlio Cézar! Convido-o a participar do grupo "La Pátria Grande", nesta comunidade. Um abraço.
 
 
 

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