Música é a janela da alma. É a abertura pela qual o sentimento transborda e faz de alguém um ser a caminho do conhecimento. O músico, intérprete e o compositor são considerados especiais. Tanto assim que na maioria das culturas a música está sempre ligada a religião e a representação de alguma realidade. Só na nossa cultura é que a música tem duas vertentes: a religiosa e a profana, na estrita expressão de arte pura.
A música e o rádio são as duas únicas formas de expressão cultural que permitem ao ouvinte desempenhar uma atividade paralela. Qualquer outra prende totalmente os sentidos do espectador. E, já que estamos falando em ouvir música, essa atividade também é uma arte. Sem atenção nas suas nuances, ela vira passatempo. E por ela, o tempo passa, o tempo voa........
Sempre gostei mais de música do que de letra. Considero letra uma poesia musicada e, no meu entender, isso é outra forma de arte. O primeiro compositor do qual eu guardei o nome completo foi John Phillips Souza, o compositor mestre da música marcial. Conhecia todas as suas marchas. Tinha um EP 10” com oito delas- as mais executadas. De tabela, gostei do Dobrado 83 da Banda do Corpo de Bombeiros que, nos anos 50, gravou um Lp famoso, com “Jesus Alegria dos Homens”, traduzido poeticamente por Vinicius e que, rebatizado de “Rancho das Flores” foi sucesso no rádio da época. Mais tarde, fui apresentado a “The Count Von Radetzky March”, feita por Strauss em homenagem ao Marechal Comandante do exército Imperial Austro-Húngaro. Também fui admirador da “suite do Tenente Kijé”, feita por Prokofiev e aproveitada magistralmente por Woody Allen em “A ùltima Noite de Boris Gruschenko”, naquela batalha bem estilo Eisenstein.
A participação da música instrumental na alma minha gentil cresceu junto com este que aqui digita. Gershwin foi um dos passos, seguidos por Rachmaninoff, Stravinsky, Schoenberg, Mussorgsky, Ravel, Satie, Varèse,Richard Strauss e num último passo, John Cage e Karlheins Stockhausen. Nos três anos de Regência que cursei, fiz arranjos, harmonias e ensaiei escritas, todas rasgadas sem nenhuma possibilidade de registro, todas sem a mínima condição de chegar aos pés do mais chinfrim dos eruditos, clássicos ou qualquer rótula para a alma, quanto mais uma janela panorâmica.
Já o primeiro músico do qual eu guardei o nome foi Benny Goodman. Mamãe tinha todos os eus discos, incluindo o ao vivo no Carnegie Hall em 1938, com todo o quinteto original, incluindo Gene Kruppa na bateria.Depois vieram Henry Jerome(“O Homem do Braço de Ouro”), Altamiro Carrilho e sua bandinha, com destaque para os dois Sutis(Pai e Filho).
Falando neles, fiquei surpreso ao ver o velho Suti tocando na orquestra que figura em “Alô Alô carnaval”, filme de 1938- quando Ademar Gonzaga restaurou o filme e o recolocou em cartaz nos cineclubes do RJ , ainda nos anos 70.O então Suti num tremendo exibicionismo, fazendo malabarismo com as baquetas. O músico se coloca pela sua técnica e sentimento. Tanto Benny quanto Suti passavam um astral legal com suas “mis-em-scénes”.
No meu caso particular, quando pego minhas harmônicas e sento para dar uma tocadinha, escancaro as janelas da alma num “Cat´s Squirrel” ou num “Little Red Rooster” e penso em todos os meus amores e mulheres que passaram pela minha vida triste de apaixonado abandonado. Na verdade, it is my cross to bear, man. Nothing to do.

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Comentário de Helô em 2 outubro 2008 às 0:51
Luiz
Música une corações, congrega sentimentos... Desde a nossa mais remota infância já ouvíamos as cantigas de ninar. E quantas vezes o poder da música nos acalmou, acalentou. Que bela crônica você escreveu.
Pra você escutar, uma das marchas que muito tocava na minha casa paterna.
Parabéns pelas lindas palavras.

Abraços.

Comentário de luiz sergio lindenberg nacinovic em 2 outubro 2008 às 9:28
Obrigado mesmo!

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