O som do Rio é diferente de tudo o que se ouve por aí. Não tem comparação com nenhum outro. É distintivo em qualquer ritmo. É carioca antes de tudo. Talvez seja isso que o faz diferente, já que a cidade do Rio de Janeiro é diferente, no Sol, no sal, na Zona sul e no mar azul – que também é diferente. O mar de Niterói é outra coisa com uma poça dágua divisória.
Como diria Julio Barroso, a Guana Bay Area divide a sonoridade da música feita na região. Dalto é diferente de Lulu Santos. Um fala da alma e acha tudo muito estranho. O outro procura um certo alguém para dividir com ele os tesouros da juventude.
O som do Rio passa por Tim Maia, Trio Esperança e os Golden Boys, vai a Renato & Seus bluecaos, vêm a Erasmo e a Luiz Melodia, num mix de tendências que faz tudo ficar estiloso e diferente, um som único- nos sons que a cidade apresenta como seus.
O som do Rio tem a metronímia ferroviária dos trens suburbanos, ligando a Serrinha à Gamboa, fazendo Madureira chorar a morte de Záquia Jorge e os Trigêmeos Vocalistas irem até Jacarepaguá, completamente neurastênicos, numa chanchada sonora com Oscarito imitando Elvis, Cyll Farney dando solo numa bateria cinematográfica e Sonia Mamede desfilando repleta de Plumas , Paetês, figurando entre as certinhas do Lalau- tudo regado na cervejinha gelada do Pantera, Rei do Angu na Praça XV ou tendo como trilha sonora o chorinho do Sovaco de Cobra.
Joel do Nascimento, Jacob do Bandolim, Zé da Velha e muitos chorões frequentaram aquelas duas portas embaixo da Igreja da Penha, em saraus memoráveis onde um dos sons que fazem a música carioca existir como entidade, dançava no terreiro ao lado de outros orixás de respeito, com a mesma dignidade encontrada nos batuques existentes nos terreiros da Serra dos Pretos Forros ou na casa de Tia Ciata.
No Samba Enredo da existência, o Som do Rio faz a Marques de Sapucaí no tempo certo, mostrando orígem e toque pro santo.- Saravá Mestre Fuleiro! Salgueiro manda lembranças, dirigindo a harmonia das irmãs e iguais, da Tijuca à Braz de Pina e de Botafogo á Santa Cruz. Viradouro e Beija Flor que me desculpem- uma é da baixada e outra é de Niterói- e ai dói não ser carioca, pois o Som do Rio é o antigo Distrito Federal, município neutro e sem igual.
No Som do Rio tem bairrismo e cor local, teve Pier e Circo Voador, teve Blitz e Dancin days, numa agitação frenética que sacudiu o Morro da Urca e o Parque Lage, foi a Lapa e ao Rock in Rio. Hoje ainda tem Canecão, alguns halls e o sambódromo, fazendo sala para todos se mostrarem, seja em lugar fechado ou na praia.
Tudo é som no Rio.Mas nem tudo é o Som do Rio, pois a região é exigente na composição de sua trilha sonora. Alguns vêm, alguns vão, todos querem ficar.Difícil é permanecer e figurar na memória, pois o Som do Rio é outra história.
O primeiro a descobrir isso foi Dorival Caymmi. Porisso ele tinha saudade da Bahia. Outro foi João Gilberto, que nunca cantou no céu aberto, para poder botar a culpa no som e no ar condicionado, que o deixa desafinado e sem poder cantar o cancioneiro deTom Jobim- um carioca fazendo arroz no piano assim, assim. E das teclas saindo coisas como a garota de Ipanema, Ela é carioca, a sinfonia do Rio de janeiro e outras peças que fazem do Som do Rio um verão sem fim.

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Comentário de Helô em 12 outubro 2008 às 13:30
Luiz
Sua crônica está perfeita para o meu blog Rio em Disco.
Posso?
Bjs.

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