Toda vez que penso em Samba, a primeira coisa que me vêm a cabeça é a introdução daquela orquestração de Severino Araújo( “Que bonito é”......) que o Carlinhos Niemeyer usava no CANAL 100 para prefixo do Flamengo, com o inevitável gol da estrêla do clube no momento. O texto do Carlos Leonam, narrado pelo Cid Moreira era fundamental para que eu, Botafoguense que vi Garrincha jogar, me enfiasse puto na cadeira do cinema ao ver a bola bater na rede em slow motion.
Os arranjos da Orquestra Tabajara e o samba sempre andaram de braços dados na minha cabeça. A abertura do “Noite de Gala” na TV RIO era a mesma simbiose de Severino com o “Hino ao Samba”.
O Slideshow se segue com a imagem de Ataulfo Alves e suas pastoras, cantando músicas das quais sempre assobio trechos e , na sucessão de imagens, surge Elizeth Cardoso cantando “Cidade do Interior tem a sua Estação....de Trem”( a pausa era dela), se alternando para a magistral interpretação que ela dava para “Eu bebo sim....E vou vivendo....Tem gente que não bebe e está morrendo”.....
Na sequência, Jorge Veiga e os bigorrilhos da vida, a gozação feita pelo Luis Reis para o Gonçalo Bola, famoso no Jóckey Club e nas narrativas de Teófilo de Vasconcellos. Era o final da minha era do rádio e cantoras como Ruth Veiga, Mara Silva, Luciene Franco ou vozes masculinas como a de Risadinha, Gordurinha, Luiz Wanderley, Carlos Gonzaga e outros que se perderam entre circuitos defeituosos e válvulas queimadas dos aparelhos de rádio de minha avó- minhas primeiras e fascinantes caixinhas pretas, onde ouvia de tudo que o dial conseguisse sintonizar e colocar ao alcance do ouvido de um garoto que sabia as músicas de cor, cantava a plenos pulmões e era a alegria de um avô de neto único que ria as gargalhadas ao ouvir meus tropeços em palavras que eu não compreendia, mas tentava repetir que nem eu ouvia.
“Atenção comandantes das aeronaves......Aqui fala Jorge Veiga pelo Microfone da Rádio Nacional....Queiram dar seus prefixos e suas coordenadas!....”, ou então os Quatro Ases e Um Coringa em “Essa canção é só prá quem quiser cantar......Cantamos Nós, cantamos eu cantam vocês”..... na abertura do programa César de Alencar – que eu fui várias vezes com a Maria Botafogo, minha iniciadora em várias coisas fantásticas, incluindo ser Botafoguense com B Maiúsculo e que sempre vai ter um lugar de destaque na saudade que eu trago dentro de meu baú de ossos mais empoeirado que o do Pedro Nava.
Esse é o meu samba que pede passagem e que continua a ser meu batuque na cozinha, que não há sinhá que proíba. Se recordar é viver, estou vivinho, vivinho, num samba sem breque e de roda livre, que vai sempre descer minha ladeira, sem eira e nem beira prá me segurar.

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Comentário de Helô em 13 outubro 2008 às 1:42
Assim eu choro. Acho que quando a gente passa dos 50 começa a ficar mais emotivo.
Falar em Canal 100 é falar dos cinemas da nossa juventude, dos namoricos escondidos na sessão das 6, da gritaria na hora do futebol. Hoje os cinemas não existem mais. Alguns, viraram igreja evangélica, outros... supermercados. Cinema de shopping não vou, é fast food (argh). E tem o Botafogo, o meu glorioso, que sempre eu queria ver jogar na TV. A sala de minha casa ficava cheia de meninos e eu, coitada, era expulsa de campo nos primeiros minutos do primeiro tempo por dois irmãos mais velhos dizendo que futebol não era coisa de menina.

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