"ORIGENS DA EXCLUSÃO NA ZONA LESTE"

A arquiteta Mônica Virgínia de Souza, da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), moradora da Zona Leste, elaborou uma pesquisa com conhecimento de causa. Ela que morou em Cidade A. E. Carvalho, e hoje vive em Artur Alvim, mostrou nesse estudo com foco na história e na evolução do lugar que a falta de infra-estrutura é reflexo da história de cada bairro da Zona Leste.

Pouca gente sabe que nas décadas de 20 e 30 a Zona Leste fornecia flores , legumes, hortaliças e frutas à população dos bairros nobres de São Paulo. Nos anos 30 e 40, as indústrias começaram a se instalar em Itaquera, Penha e São Miguel Paulista, com produção de tijolos, extração de areia e pedregulho. No entanto, os projetos de urbanização e embelezamento da década de 40, passaram longe da maioria dos bairros deste extremo da cidade.

GOLPE MILITAR e FALTA DE PLANEJAMENTO:
Com o golpe militar de 1.964 a situação se agravou; o distanciamento entre ricos e pobres aumentou, impulsionada pela migração acelerada. A falta de planejamento urbanistico em bairros como Guaianazes e Itaim Paulista resultou em crescimento desordenado, à medida em que a cidade foi ganhando vilas e bairros, a divisão sócio territorial da população ficou mais evidente: "lugar dos grupos dominantes e lugar dos grupos dominados".

GEOGRAFIA E TOPOGRAFIA DA REGIÃO:
No início do século passado, poucos bairros da Zona Leste tiveram oportunidade de se expandir de forma planejada. No passado a urbanização só acontecia mediante trocas de favores políticos. Segundo a arquiteta, além disso a distância do centro e a geografia da área, composta por poucas colinas, não teria agradado aos governantes da época...

URBANIZAÇÃO DE BAIRRO RICO, VOLTADA PARA BAIRRO POBRE:
Na mesma pesquisa, Mônica ressaltou que a falta de planejamento urbanistico não acontece em todos os bairros da periferia. Segundo a pesquisadora, alguns bairros e distritos, como por exemplo A.E Carvalho e Cidade Patriarca, seguiram padrões de urbanização de bairro rico, voltados para a população pobre. Observem por exemplo o traçado de ruas, bem como a largura das mesmas nessa região.

O PODER PÚBLICO AUSENTE:
A ausência do poder público na Zona Leste, fez com que a população, no final dos anos 70, se organizasse em movimentos populares, exigindo moradia, saneamento básico, escolas e hospitais públicos. O que reflete hoje em melhorias e em condições mínimas de sobrevivência para a população dos bairros mais afastados. Porém passados quase 40 anos, e com o aumento da população desta região, as melhorias alcançadas não acompanham o desenvolvimento populacional. Embora o recolhimento de impostos, em nossa região (guardadas as proporções), seja equivalente ao recolhidos nos bairros nobres da Cidade de S. Paulo, continuamos assistindo a ausência do poder público, que opera no sentido, de sempre fazer a transfusão de sangue do médico para o doente, nunca dando solução de fato para os problemas.

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