Aécio faz o que Dilma não fez e propõe medidas para o ‘Brasil novo que emerge das ruas’

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), em pronunciamento nesta terça-feira (25), apresentou uma série de propostas que, em sua avaliação, permitirão responder às demandas das ruas e promover o “reencontro da sociedade brasileira com seus representantes”. Ele chamou a oposição a cumprir seu papel na democracia, e classificou o plano de reformas anunciado na segunda-feira (24) pela presidente Dilma Rousseff como parte do “monólogo protagonizado há dois anos”.

- O que eu vi foi o Brasil velho falando para o Brasil novo que emerge das ruas – resumiu.

Aécio criticou o que interpretou como tentativa presidencial de transferir responsabilidades para o Legislativo, citando propostas que, em sua avaliação, dependem apenas do governo federal e de sua base no Congresso. Ele contestou os argumentos de Dilma sobre os obstáculos que tem encontrado para a realização de reformas, lembrando que nunca um presidente teve tanto apoio do povo e dos membros do Congresso. O senador ainda criticou o governo por não chamar a oposição para o debate.

- É essencial que a voz das oposições, que representam segmentos expressivos da sociedade brasileira, também possa ser ouvida – lamentou, dizendo que teria levado suas propostas a Dilma se tivesse sido chamado para um grande pacto nacional.

No plano que apresentou, Aécio propôs a proibição de acesso de pessoas condenadas por corrupção a cargos de livre nomeação pelo governo, e cobrou transparência sobre os gastos presidenciais, incluindo despesas em viagens ao exterior e cartões corporativos. Ele também pediu a eliminação dos orçamentos secretos permitidos pelo Regime Diferenciado de Contratações e uma ampla auditoria dos gastos de recursos públicos na Copa do Mundo.

- Surpreende-me ter visto a presidente da República ao longo dos últimos seis meses inaugurando estádios por todo o Brasil como se as obras suas fossem, e depois apresentar-se em cadeia de rádio e televisão como alguém que não tem qualquer responsabilidade por esses gastos – disse o senador.

Aécio pediu o apoio do Senado a auditorias dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos no exterior e dos investimentos da Petrobras nos últimos dez anos, e pediu reredução pela metade do número de ministérios e de cargos comissionados. Outra proposta de Aécio prevê a revisão da dívida dos estados, uma proposta objetiva sobre mobilidade – ele chamou de “requentado” o plano de Dilma para o setor – e a conclusão das obras de transporte planejadas para a Copa.

O senador concluiu exigindo o arquivamento do projeto do trem-bala, que considera um “desatino”, uma política de controle do aumento dos gastos correntes e de “tolerância zero” com a inflação, e a aplicação de 10% do produto interno bruto (PIB) em educação. Entre outras sugestões, Aécio propôs ao governo federal dobrar seu investimento em segurança, desonerar empresas estaduais de saneamento básico, e rejeitar as PECs 37 e 33.

Constituinte exclusiva

A proposta de constituinte restrita para a reforma política foi fortemente contestada por Aécio, que criticou Dilma por apresentar o plano “como num passe de mágica” sem consultar seus líderes no Congresso. Ele lembrou que a presidente tomou posse prometendo discutir a reforma política no Brasil.

- Talvez tenha sido o momento de maior convergência de todos que ouviam a presidente da República. De lá para cá, nenhuma palavra mais se ouviu do governo federal e da própria presidente em relação à reforma política – assinalou.

Ao classificar a constituinte exclusiva como “juridicamente duvidosa”, Aécio citou o vice-presidente Michel Temer, para quem a proposta representa “desmoralização absoluta da atual representação”, e o ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto, segundo o qual “nenhuma Constituição tem vocação para o suicídio”. Além disso, para o senador, Dilma precisa ir além da retórica e dizer ao Congresso qual é a reforma política que propõe.

Apartes

José Agripino (DEM-RN) saudou a análise de Aécio, salientando a inquietude do povo das ruas e a “indignação da oposição” diante das palavras de Dilma. Ele também manifestou apoio ao STF, que “lavou a alma” do povo brasileiro ao condenar os mensaleiros. Eduardo Suplicy (PT-SP) acredita que está ao alcance do Congresso votar emendas constitucionais que realizem reformas políticas importantes. Para Aloysio Nunes (PSDB-SP), a presidente “anunciou a promessa de terrenos na lua” em seus discursos, enquanto as propostas apresentadas por Aécio, em sua avaliação, atendem a um amplo anseio da sociedade.

Pedro Taques (PDT-MT) criticou a falta de vontade política para aprovação de reformas, citando a PEC que muda a tramitação das medidas provisórias – a proposta, segundo ele, está “dormindo” na Câmara há mais de um ano. Cristovam Buarque (PDT-DF) repudiou o “instinto de sobrevivência” dos velhos políticos e defendeu uma reforma política desenvolvida por um grupo explicitamente dirigido para esse fim. Cyro Miranda (PSDB-GO) cobrou “atitude republicana” de Dilma diante da oposição e reclamou do fato de que o governo aprova o que quer no Congresso.

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) associou a crise atual ao modo de governar do PT, considerando que o partido deixou de ter um projeto de governo. Francisco Dornelles (PP-RJ) também se pronunciou contra a constituinte exclusiva, que considera demagógica, agressão à Constituição e “metodologia chavista”. Zezé Perrella (PDT-MG) lembrou que, há um ano, criticou o “legado negativo” da construção de estádios para a Copa, que, em sua avaliação, revelam a inversão de prioridades do governo.

Flexa Ribeiro (PSDB-PA) salientou a necessidade de pacto federativo e criticou o “ministério do marketing” do governo. Para ele, o Congresso não pode se deixar pautar pelo Executivo. Ana Amélia (PP-RS) citou o jurista Luís Roberto Barroso, que opinou que “Constituinte com agenda prévia é inconstitucional”, e lembrou que o povo exige melhor retorno aos impostos elevados que paga. Cícero Lucena (PSDB-PB) avaliou que a intenção do governo foi “tentar dizer que está dizendo algo”, lembrando que a maioria das propostas de Dilma já tramita no Congresso e várias delas foram vetadas. Por fim, Alvaro Dias (PSDB-PR) elogiou a interpretação de Aécio das demandas do povo e sublinhou a missão da oposição de “oferecer perspectivas de futuro” para o país. Informações da Agência Senado.

Fonte: http://www.estacaodanoticia.com/main/2013/06/aecio-faz-o-que-dilma-...

Exibições: 172

Comentário de Francisco Constantino Simão em 26 junho 2013 às 22:24

Aécio não passa de um moleque irresponsável e mentiroso...Eu conheço esse cafajeste desde garoto...Haja visto o que ele fez com o Estado de Minas e continua fazendo como "Jovenzinho" cheio de vontades e cometendo irresponsabilidades no seu dia a dia...

Comentário de Wsobrinho em 27 junho 2013 às 1:16

A direita mostra sua cara.

Manifestantes pedem o retorno dos militares ao poder em protesto na avenida Paulista, em São Paulo Foto: J. Duran Machfee / Futura Press

Comentário de Wsobrinho em 27 junho 2013 às 1:23

Aécio é um hipócrita, agora se posta de reformador, mas foi depois do Rio e Brasilia o governador que mais colocou dinheiro público em um estádio (não vai dizer que foi o Anastasia, pois op mesmo é pau mandado, quem manda mesmo é o Aécinho).

Aliás após sua gestão e a de seu preposto, Minas não tem nenhum problema mais, o pessoal faz passeada só em solidariedade ao resto do pobre Brasil que não passou por sua "gestão".

Onde estão os geniais economistas do Instituto Millenium, para pedirem mais juros, mais desemprego, liberação dos combustíveis, enfim o pacote de soluções tucanas para todas as crises do planeta (sem admitir serem eles o centro da crise no mundo, o pensamento neoliberal).

Vai aqui a minha resposta ao discurso deste senhor:

Caro Senador.

Sou engenheiro, com mais de 30 anos na área da infra-estrutura e um apaixonado pela engenharia e pelo Brasil.

Neste seu pronunciamento hoje no Senado, apresentou proposta suas (ou da sua bancada) para contrapor à fala da Presidência da República.

O que me chamou atenção foi novamente a insistência de seu partido o PSSDB contra o empreendimento do trem bala, propondo o seu cancelamento e o direcionamento dos recursos para os Metrôs.

Primeiro, como brasileiro em levemente conhecedor de como se dão estes investimentos no setor público, sei claramente que ao contrário que o Sr posiciona, metrô e trem de alta velocidade (TAV, e não trem bala) não são investimentos excludentes e sim complementares, e quem ponderar ao contrário ou não tem conhecimento da interconectividade entre os sistemas de transporte.

Outro aspecto, já analisando o histórico das propostas do PSDB, desde o Governo de FHC, eu vejo uma timidez, uma falta de ambição, quase um complexo mesmo de vira-lata, que predomina em todos. Acho que primeiro esquecem que o Brasil hoje é a 5a ou 6a economia do planeta e precisa e deve começar a agir como tal, sem as escolhas da mediocridade, sob pena além de matarmos a auto-estima de nosso povo, vamos condená-lo ao segmento de nações de segunda classe a reboque do conhecimento e da tecnologia dos países mais agressivos no conhecimento e desenvolvimento.

No governo FHC, matamos a nossa pesquisa AEROESPACIAL (e nunca vi nenhum membro de seu partido objetar sobre este tema que vai definir as nações que no futuro estarão na ponta do conhecimento - se fosse de outra foram, o Brasil estaria hoje concorrendo no campo de veículos lançadores de satélites, estaria podendo discutir o futuro uso estratégico e político do espaço).

Da mesma forma, o TAV (Trem de Alta Velocidade) é a solução para o transporte a médias e curtas distâncias, uma alternativa concreta e viável à cara e cada dia mais complexa estrutura de transporte aeroviário. Assim o TAV no Brasil, além de solução concreta para o deslocamento e integração de uma região altamente adensada e de complexa relações econômicas e sociais, é uma necessidade tecnológica para a engenharia brasileira (por favor não me venha com a conversa neo-liberal de comprar pronto na hora que quiser, não cola e grandes nações não se constroem assim), falo de desenvolver a real transferência tecnologia ao longo de todo o empreendimento, aprender com o sofisticado projeto de fundações e traçado, aprender e capacitar nossa indústria na fabricação de materiais de alta resistência, concretos de alta resistência, sofisticados sistemas de controle de tráfego, enfim uma infinidade de ganhos para a engenharia brasileira que este empreendimento envolve.

Se o pensamento tucano estivesse presente na primeira pista da Imigrantes, em SP, estaríamos hoje comprando e importando projetos chineses e coreanos para túneis e viadutos de grandes vãos solos instáveis. Sem a Imigrantes não teríamos conhecimento para traçar o metrô por baixo dos prédios do centro de SP.

Enfim senhor senador, porque o PSDB desacredita tanto na capacidade de realizar do Brasil? Porque, em nome de uma suposta eficiência de gestão, prefere comprar conhecimento de prateleira que criar tecnologia própria (não esqueci do sucateamento daquela que foi a 2a maior indústria naval do planeta, das plataformas que afundam, fabricadas em Singapura).

Porque senador, esta falta de crédito na capacidade do brasileiro desfrutar de tecnologia de ponta, com conteúdo e conhecimento nacional? Será um pensamento neoliberal tão arraigado que os impede de pensar que o o Brasil pode mais?

Se a China esperar resolver todas as suas mazelas de pobreza, ela nunca teria o protagonismo tecnológico que tem hoje. Ela não  encheria de orgulho seu povo ao colocar um astronauta em órbita, com tecnologia própria e por isso é respeitada e ouvida e melhor ainda tem os meios e o conhecimento para mais rapidamente tirar sua população da miséria, assim com está se propondo a Índia (que tem conhecimento de ponta em todas as áreas e lança a baixo custo todos os seus satélites e ainda vende o serviço a outros "miseráveis" como o Brasil).

Por isso, caro senador me decepcionei com as diversas lideranças do PSDB, que carregam sempre nesta submissão de que não podemos, não temos capacidade, não temos recursos, impondo uma mediocridade que nos levará sempre a ficar para trás das demais nações que ousam e realizam grandes projetos nacionais.

Pense nisto Senhor Senador.

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2022   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço