São Paulo, no dia 02 de Junho de 2009

É difícil em uma tragédia como esta, o vôo 447 da Air France, que 228 pessoas morreram não nos solidarizarmos com os parentes e amigos das vítimas. Há uma forte energia de compaixão por eles, e não de dó.

A grande diferença entre dó e compaixão e um simples posicionamento: quando sentimos dó de alguém é porque nós colocamos num patamar acima dele; quando sentimos compaixão estamos todos no mesmo degrau.

Mas o que podemos extrair de útil desta tragédia para as nossas vidas e dos parentes que ficaram? Quantas pessoas entraram naquele avião sem se despedir de parentes e amigos? Quantos entraram brigados com Pai, Mãe, irmão ou qualquer ente querido? Quem deixou de dizer para seu familiar ou amigo que o amava e sentiu vergonha? Quantos deixaram para resolver algum conflito que tinham quando retornassem? Quantos estavam fazendo planos para o futuro? Quantos estavam fazendo tantas coisas...

Na Índia assisti à palestra de um “mestre” que dizia que a maior mentira que contamos para nós mesmos é que não somos em essência Deus. Eu respeito à verdade dele, mas acredito em outra mentira maior que contamos a nós mesmos todos os dias: que nunca iremos morrer. Seguimos a nossa rotina como se a morte não existisse, como se apenas as outras pessoas morressem. Acredito que deveríamos agir da maneira totalmente contrária: vivermos como se fossemos morrer no próximo segundo.

O Budismo fala muito sobre este tema, a morte, o que para algumas pessoas o consideram mórbido. Mas muito sabiamente eles falam sobre a morte para que você reflita sobre a sua vida, pois a única certeza que temos é que iremos morrer. Isso é motivo de muita alegria sabermos que ainda temos a oportunidade de, neste momento, realizarmos os nossos desejos, expressarmos nossas emoções, dizermos o quanto o outro é importante para nós, quanto amamos, quanto nos magoamos, quanto tudo nós tivermos vontade de fazer. Não deixarmos que a vergonha, medo e o receio do que os outros vão pensar interfira na nossa decisão de viver a vida enquanto podemos. É uma frase muito mal percebida e dita de maneira banal mas corresponde a uma verdade: só temos o agora.

Sei que isso não é fácil para mim nem para você, mas é uma semente que temos que regar todos os dias. Este pode ser meu último artigo, por que não?

Paz e muita luz na vida dos familiares.
Glauco Tavares

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