A PULGA (do Donne) A MULHER (à cata...) A PAIXÃO (de sangue) E... (pula para) A DANÇA CONTEMPORÂNEA...

A pulga

Repara nesta pulga e apreende bem
Quão pouco é o que me negas com desdém.
Ela sugou-me a mim e a ti depois,
Mesclando assim o sangue de nós dois.
E é certo que ninguém a isto alude
Como pecado ou perda de virtude.

Mas ela goza sem ter cortejado
E incha de um sangue em dois revigorado:
É mais do que teríamos logrado.

Poupa três vidas nesta que é capaz
De nos fazer casados, quase ou mais.
A pulga somos nós e este é o teu
Leito de núpcias. Ela nos prendeu,
Queiras ou não, e os outros contra nós,
Nos muros vivos deste Breu a sós.

E embora possas dar-me fim, não dês:
É suicídio e sacrilégio, três
Pecados em três mortes de uma vez.

Mas tinges de vermelho, indiferente,
A tua unha em sangue de inocente.
Que falta cometeu a pulga incauta
Salvo a mínima gota que te falta?
E te alegras e dizes que não sentes
Nem a ti nem a mim menos potentes.

Então, tua cautela é desmedida.
Tanta honra hei de tomar, se concedida,
Quanto a morte da pulga à tua vida.

John Donne, traduzido por Augusto de Campos
in O Anticrítico. São Paulo: Cia das Letras, 1986

De Giuseppe Maria Crespi: La Femme à la Puce (Mulher à cata de Pulga) — c. 1720 —

no Musée du Louvre

http://letteri.blogger.com.br/2009_07_01_archive.html


a dança
A idéia deste trabalho surgiu a partir da percepção de um desconforto e de uma nostalgia. Diz respeito à própria dança, ao que o público espera ver, ou que, por algum motivo, se cansa de ver, e aquilo de que sente falta e quer voltar a ver. A Pulga foi escolhida em primeiro lugar por causa da própria, por suas várias peculiaridades: espaçosa apesar de minúscula, saltadora, irritante, inconveniente, parasita por suas próprias peculiaridades, espaçosa apesar de minúscula , saltadora,irritante, parasita. Logo a seguir veio a referencia do genial poema de John Donne que nos inspirou jogos de duos e trios entre quantro dançarinos, numa instalação e numa cena, jogos que se multiplicam através de imagens e reflexos e que se mesclam a imagens do público, e aos artistas convidados, como o sangue dos amantes dentro da pulga poetizada. O trabalho é uma dança sobre a dança.
Em sua forma final A Pulga se inspira livremente no poema homônimo de John Donne. A dança não é concebida como uma representação do poema. Não existem personagens. Existe uma cena e uma instalação, dois momentos que trabalham com a distância e a proximidade do público. Duas apropriações do espaço físico que definem as imagens corporais desenvolvidas a partir de sugestões do poema. Para manter a pulsação sempre revigorada do espetáculos cada apresentação conta com a intervenção de um artista convidado. Para manter a pulsação sempre revigorada do espetáculo cada apresentação conta com a intervenção de um artista convidado.
SERVIÇO
Dias 07,08,14,15,21 e22 de maio às 21horas
Dias 09,16 de maio às 19 horas
Local: Espaço Cariris
Rua dos Cariris 48 ( ultima travessa da cardeal Arcoverde)
Pinheiros
Informações pelo tel 11.38119681
Preços - 10,00 inteira e 5,00 meia.

Exibições: 792

Comentário de elizabeth em 6 maio 2010 às 18:07
interessantissimo, Pompeu, voce tem a ver com o evento?

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