“Em um sono profundo”. Esta é a questionável atitude do Ministro Joaquim Barbosa quando indagado sobre o julgamento do Mensalão do PSDB

Marco Aurélio Carone

Após o término do julgamento, pelo STF, da Ação Penal 470, conhecida como Mensalão, e com sua ida para a presidência do tribunal, imaginava-se que o ministro Joaquim Barbosa colocaria em pauta imediatamente o processo de julgamento do denominado Mensalão do PSDB, que envolve o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o Senador Clésio Andrade (PMDB-MG).

Porém, o que se tem visto é diferente. Quando indagado, o ministro desconversa, procurando centrar atenção apenas em relação às condenações de Marcos Valério e de lideranças do PT, à exemplo de José Dirceu, como se esta fosse sua única e exclusiva tarefa. Este comportamento já comesa a despertar suspeitas de que o ministro tenha ambição política.

O que não seria novidade, principalmente por ele ser mineiro, Estado tradicionalmente político e terra natal de Azeredo e de Clésio. Políticos tradicionais de Minas relatam a proximidade e gratidão de Barbosa ao ex-ministro das Relações Exteriores Antônio Francisco Azeredo da Silveira, primo do pai de Eduardo Azeredo, a quem Barbosa serviu entre 1976 e 1979 no cargo de Oficial de Chancelaria.

Evidente que em Minas Gerais tudo se sabe sobre as ligações entre seus “Patrícios”, porém, diante de seu estrondoso e midiático sucesso, a Nação esperava outra atitude de Barbosa em relação à punição de personalidades políticas que não estejam restritas apenas as do PT. A descrença da população com Barbosa diante do “sono profundo” em relação à punição de integrantes do PSDB é tanta que na principal festa popular do País, o Carnaval, sua mascara, prevista para ser um grande sucesso, encalhou.

A recente descoberta do envolvimento de outras autoridades do PSDB, a exemplo de Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso e do ministro Gilmar Mendes no esquema de Azeredo, colocaram mais lenha na fogueira e já se comenta que Barbosa teria celebrado um acordo para dar prazo de Eduardo Azeredo renunciar ao mandato de deputado federal, o que levaria o processo para estaca zero, pois seria remetido para a primeira instância da justiça mineira.

Outro caminho seria a expulsão de Eduardo Azeredo do PSDB antes que seja iniciado o julgamento pelo STF, ambas as hipóteses previsíveis no mundo político, porém, inaceitáveis se praticadas em conluio com integrantes do Pode judiciário, principalmente por tratar-se de um ministro da mais alta Corte de Justiça do País.

Depende agora exclusivamente de Barbosa mostrar que nada disto corresponde à verdade. Evitando que, a exemplo do senador Demóstenes Torres, apresentado pela mídia como o paladino da moralidade, o tempo incumbiu-se de mostrar quem realmente ele era.

No mínimo estranha foi a postura de Barbosa ao acompanhar o voto do Ministro Fux que obrigara o Congresso Nacional a votar em ordem cronológica os mais de três mil vetos presidenciais, enquanto que tal comportamento não é seguido pelo STF, hoje presidido por ele, em relação ao Mensalão do PSDB, ocorrido em 1998.

A verdade é que no Brasil os ídolos populares têm curta duração devido ao sistema de Poder existente, não por outro motivo que Getulio Vargas, Jucelino e Tancredo, todos violentamente criticados em vida, só consolidaram suas imagens depois de mortos, pois se tornaram vitimas, mostrando que enquanto vivo o ser humano sempre pode se render a interesses, vaidades e á outras tentações.

Nota da Redação: Os Patrícios eram a aristocracia romana, a sua nobreza. Detinham vários privilégios, dentre eles, a exclusiva possibilidade de serem senadores e dominavam a cena política.

Exibições: 70

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço