AOS QUE "BRASILEIROS" QUE VOTAM NO SERRA, SERIA IMPORTANTE LER O ARTIGO ABAIXO E PENSAR ANTES DE VOTAR

Pré-Sal: piscadela do PSDB às transnacionais
By Antonio Martins – 06/10/2010

A British Petroleum — que despejou centenas de milhões de barris no
Golfo do México (foto) — é uma das cortejadas pelo assessor de José
Serra

Em público, o candidato José Serra não endossará as palavras de seu
subordinado; se questionado de modo explícito, talvez até as
contrarie. Mas, no intrincado jogo político que se abriu para o
segundo turno, certamente não foram em vão as palavras de David
Zylberstajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo-ANP (no
governo FHC), atual assessor para a área de Energia da campanha
PSDB-DEM.
Em entrevista concedida ontem (5/10) ao Valor Econômico, Zylberstajn
ser “tecnicamente” a favor de retomar, nas reservas de petróleo do
Pré-Sal, o sistema de leilões que vigorou em seu período. Para
proteger o candidato a que se ligou, fez uma ressalva: “dentro do
contexto político, eu não sei”…
O mecanismo antigo foi instituído em 1995, logo após o governo FHC
quebrar o monopólio estatal de petróleo. Funciona assim: a União
leiloa áreas do subsolo em que há possibilidade de haver jazidas. Os
vencedores pagam um montante inicial ao Estado e ficam com todo o
petróleo encontrado.
Tal modalidade foi contestada, durante anos, pelos movimentos sociais
— que promoveram protestos e ocuparam mais de uma vez a ANP. Mantida
no governo Lula, foi revista, por iniciativa do atual presidente,
quando localizadas as imensas reservas do Pré-Sal. A história está
contada em detalhes pela repórter Consuelo Rodrigues, na revista
Piauí.
No Pré-Sal, quase não há riscos. Lula indignou-se ao perceber que,
mantido o sistema, as empresas privadas ditariam, na prática (por meio
dos leilões), quanto pagariam para ficar com o petróleo brasileiro.
“Vamos cancelar a nona rodada [de leilões]. Foda-se o mercado”, teria
dito o presidente numa reunião com membros do governo e diretores da
Petrobrás, em 26 de outubro de 2008.
Pouco menos de um ano depois, o governo encaminharia ao Congresso os
quatro projetos que alteram — embora sem reinstituir o monopólio
estatal — as regras do jogo no Pré-Sal. Foi, para as transnacionais,
um desastre. Na prática, os leilões acabaram. A União recuperou
autoridade para conceder a exploração diretamente à Petrobras — como
tem sido feito, invariavelmente. Em teoria, pode haver licitações de
áreas. Nesse caso, a empresa estatal tem direito legal a no mínimo 30%
de cada bloco leiloado. E as companhias vencedoras já não se abocanham
todo o petróleo. Define-se uma partilha entre o que caberá a elas e à
União.
A posição de Zylberstajn não é, portanto, de natureza técnica. Diz
respeito à apropriação de uma riqueza nacional. O assessor de Serra
para temas de Energia afirmou que é favorável à volta dos leilões de
concessão; e que julga inadequada até mesmo a reserva de um percentual
mínimo de 30% à Petrobrás.
Ainda mais relevante é o que Zylberstajn não afirmou (por
politicamente explosivo), mas deixou nas entrelinhas. Se ele já se
anima a debater a modalidade de leilão a ser adotada, é óbvio que
pretende rever a decisão política hoje adotada pelo governo — que é de
não realizar novos leilões.
Na presente fase da disputa pelo segundo turno, os candidatos estão
reorganizando suas alianças. É uma etapa jogada principalmente nos
bastidores, longe dos olhos do eleitorado. Cada candidatura faz acenos
a grupos políticos, empresariais e sociais que deseja atrair. A
publicação da entrevista de Zylberstajn, num jornal dirigido
prioritariamente ao empresariado, equivale a uma piscadela de Serra às
transnacionais que estão de olho no Pré-Sal.
Disponível apenas para assinantes no Valor, a matéria sobre as
posições do assessor está reproduzida no blog Vi o Mundo.

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Comentário de José Emílio Gomes em 12 outubro 2010 às 1:23
Retificação: AOS "BRASILEIROS" QUE VOTAM.......
Comentário de Nonato Pereira em 12 outubro 2010 às 2:29
Como é que uma fração da sociedade ainda pode dar crédito a um sujeito como Çerra e Zylberstajn. Este último quando dirigia a ANP criou uma empresa, tendo como sócios os amiguinhos, para comprar postos envelhecidos da Petrobrás. Quem determinava o envelhecimento? Ele. David Zylberstejn. Era a mão de gato. A raposa tomando conta do galinheiro. Imaginem se um parente do Presidente Luis Inácio Lula da Silva fizesse isso que fez esse genro de FHC? O mundo viria abaixo. Aqui há uma implicação política-ideológica. Para uns roubar descaradamente o patrimônio público é natural, pode, não é crime e nem imoral. É o caso do genro do Farol de Alexandria. Vejam quem são os assessores de Çerra e só então você saberá o que virá se ele ganhar as eleições. Cuidado. Çerra é um perigo para o Brasil.
Comentário de Nonato Pereira em 12 outubro 2010 às 2:32
Desculpem, errata: onde se lê postos, leia-se poços.

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