Arruda já lembra o passado - PAULO MOREIRA LEITE

É preciso procurar cidadãos de cabelos brancos para ouvir recordações de cenas semelhantes à que se assistiu hoje, em Brasília.

Os cavalos, o gás lacrimogêneo, as balas de borracha e os cassetetes contra estudantes foram um traço típido do regime militar em sua agonia, quando o Comando Militar do Planalto assumiu o controle sobre a cidade para tentar reprimir protestos de rua e atemorizar a oposição parlamentar.

Hoje, a PM foi à rua para reprimir estudantes que querem o impeachment de José Roberto Arruda.

Eleito por voto popular, o governador tem o direito de tomar todas medidas legais para manter-se no cargo. Mas isso não inclui convocar a tropa de choque para agredir os estudantes, que exercem liberdades politicas duramente conquistada naquele período da história em que os patronos do partido de Arruda, o DEM, governavam o país com apoio dos generais.

A brutalidade da reação de Arruda já podia ser antecipada ontem, na desocupação da Câmara Legislativa. Dezenas de cabos eleitorais com emprego público foram chamados para agredir e provocar os estudantes, num ambiente de tensão e troca de palavras-de-ordem que esteve perto do confronto físico. Soldados da PM circulavam entre os estudantes, à paisana, numa atitude de quem poderia entrar em ação a qualquer momento.

A reação de Arruda só terá alguma utilidade quando ele se mostrar capaz de dar respostas no terreno democrático, oferecendo explicações racionais e críveis sobre as imagens em que aparece recolhendo dinheiro de caixa 2. Enquanto isso não ocorrer, os protestos irão continuar e devem crescer — até porque é impossível não ficar indignado diante de um ataque às liberdades públicas. Menos de 100 estudantes ocuparam a Câmara Legislativa. Falava-se em 5 000 no protesto de hoje. Imagine quantos estarão presentes nas próximas.

http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/

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Comentário de Sérgio Troncoso em 10 dezembro 2009 às 14:17
Pois eu vou provocar os eleitores de Brasília (alô Cafuzinha!). Parece que o eleitorado de Brasília é formado por militares, policiais, donos de empreendimentos imobiliários mafiosos e seus respectivos filhos. Onde estão os intelectuais, os estudantes e os operários (esses sei que são poucos)? Parece que Brasília gosta de eleger sómente reacionários, pulhas e mafiosos para o poder. Mesmo Cristovan Buarque teve que fazer generosas concessões à direita (e olha que concessões políticas é com ele mesmo), e ainda assim levou pau feio depois. Será que Brasília é, junto com São Paulo, uma das "locomotivas do atraso" no plantel político brasileiro? Abraço Cabocla.
Comentário de Sérgio Troncoso em 10 dezembro 2009 às 19:24
PÔ Natália, foi só uma "chamada geral" no saco da moçada de Brasília. Por favor, não sou um cara de generalizações, rsrsrsrs. Abraço.

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