Esse é um dos livros de Jules Verne menos conhecidos dos mais de cem que o francês escreveu sem ir aos lugares que retratava. O alemão Karl May escrevia sobre o Oeste norte-americano sem nunca ter ido lá(Winnetou). Como não havia de deixar de ser, Emílio Salgari – Italiano – fez a mesma coisa com Sandokan – o Tigre da Malásia- inventando até um pirata Português- Gastão Antunes de Siqueira. Até Machado de Assis fez isso. “O Alienista” é passado em Itaguaí, local que, na época de Machado, se existisse uma rua e três casas, era muito.
Eu conto historinhas. Não invento nada. Conto apenas o que vi acontecer e alguma coisa que ouvi falar. Mas, guardando as devidas proporções das personagens retratadas , dou uma de Orson Welles e garanto: - É tudo verdade. E verdade verdadeira. Duvido que alguém me desminta. Estavam todos lá e cada um querendo ser mais louco e mais vistoso que seu congênere mais próximo.
O Rio de Janeiro entre 1930 e 1990 foi uma loucura completa em todos os níveis. Foi no rio que o poder da mídia ergueu os primeiros mitos nacionais imorredouros. Graças a Radio Nacional, todo mundo torcia pelo Flamengo, Francisco Alves era o Rei da Voz e o Primo Rico e o Primo Pobre alternavam suas desventuras pelo microfone que era primeiro lugar de audiência em todas as praças do país, graças a uma freqüência que só era ocupada pela CMQ de Havana. E como as ondas de rádio se propagam melhor do sul para o norte, a Nacional matava a CMQ até a Venezuela.
Com a chegada da TV, o rádio teve a sua audiência transferida quase que completamente para as estações transmissoras locais, que, graças a telinha, eram mais presentes nos lares das localidades de onde geravam exatamente por fazerem da rotina da vida cotidiana o material com que trabalhavam. Com a implantação das redes, a TV local morreu, dando lugar as famigeradas retransmissoras que exterminaram qualquer manifestação nativa, transferindo para um universo de atuação qualquer coisa que pudesse ser sucesso sem regionalismos. Assim, tivemos um Didi caricato, uma Hebe senhora respeitosa, uma febre de Rock Brasileiro e muitas coisas acessórias que duraram exatamente seu tempo de veiculação.
Voltando a falar do Rio, se o rádio fez do RJ a meca nos anos 30/40/50, “O Pasquim” transformou Ipanema em novo lugar de peregrinação, consolidando a Bossa Nova como música nacional e transformando o folclore em política, já que a repressão é que dizia o que podia ou não ser politizado, num aperfeiçoamento do DIP Getulista, mas bem mais imbecil, truculento e ignorante.
Hoje, a truculência parte da paulistada nerd, que faz de tudo para exterminar o Rio e tudo o que sobrou de um Getulismo mítico, aos quais eles nunca vão chegar aos pés, pois as próprias diferenças internas e o carreirismo que eles demonstram nunca vai leva-los ao sucesso. Temos aí um imbecil que quer ser Presidente e vai matar os pobres de São Paulo com uma epidemia de Leptospirose. Temos outro cuja senilidade o faz transformar o processo sucessório dentro do próprio partido um caos para que ele- lógico- seja escolhido como o nome da salvação. E o pior é que temos de agüentar isso em nome de um Estado democrático de Direito no qual a mídia- sempre ela – vem ocupando um papel predominante parcial pois a elite- que domina a mídia – até hoje não enguliu o sapo barbudo.
Quanto a classe média, esta morreu e ainda não sabe. 46% da renda brasileira vem hoje da Classe C- da qual , completamente orgulhoso- faço parte. Lutamos e conseguimos impor nosso direito a consumir, apesar do PSDB(PiorSalárioDoBrasil) ter caído na privataria( privatização+pirataria) e transformado serviços, antes acessíveis, a coisas inoperantes que cobram tarifas de primeiro mundo. Como a Justiça tarda mas não falha e os espertos estão sendo pegos nas próprias autofacilidades que criaram, acredito que vamos chegar lá e eles nunca mais ganham uma eleição. Somos a maioria. Agora, nem as forças armadas podem chiar muito, pois o tráfico está mais bem armado e é mais combatente. Esse é o Brasil em que vivemos, cheio de atribulações para nós que aturamos a violência Urbana que eles criaram, ao não investir em saúde e educação para todos.
Aquela capa da “Carta Capital” mostrando o contraste entre o edifício de luxo e a favela bem mostra a S.Paulo que Kassab e Jose Serra pilotam. Já imaginaram um Brasil todo daquele jeito? Basta votar no Serra, gente boa! Vota nele e tu vai ver o que é bom para tosse, com o Gilmar Mendes defendendo e a Rede Globo apoiando. Não vai ser uma maravilha?

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