por Laura

O padrão de beleza feminina muda sempre, e a cada geração as preferências recaem sobre figuras e silhuetas, no mais das vezes, inteiramente diferentes daquelas que estavam na moda anteriormente.

As Coristas do Teatro de Revista, nos anos 20 e 30, em geral modelos copiados pelas mulheres que as olhavam disfarçadamente da platéia, tinham o maior trabalho para saber como se manter. Magrinhas, médias ou gordinhas, para satisfazer a estética vigente.

Coristas, girls, bailarinas, figurantes, seja lá o nome que as identificassem, o fundamental era seguir a moda e cumprir importantes funções de emoldurar o palco para a vedete.




As três da foto acima conseguiram diversificar. Cada uma delas obedece uma tendência, agradando os que gostam das médias, das magras e das...um tanto cheinhas.

Só em uma coisa a trio concorda: a elegância do laçarote na cabeça! :))))))))

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Fonte: História do Samba. (Fascículos publicados em 1998, pela Ed. Globo, Pág. 149).

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Exibições: 394

Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 1:33
Laura,
Esse tema pode render ou se desdobrar. Uma grande estrela dos anos 30 foi Margarida Max. Não era especialmente bela e em algumas fotos aparece com uns bons quilos a mais. Mas, atribiu-se a ela -e portanto ao teatro de revista- a difusão da moda dos cabelos curtos para as mulheres.
É o que informa, por exemplo, o Everaldo do Cifrantiga a respeito da estréia de Margarida Max. Escreveu ele: "A cinco de maio de 1924 estreou no Teatro Recreio, de Marques Porto e Afonso de Carvalho, a revista À La Garçonne, que modificaria costumes no país. Depois de trezentas representações, excursionou pelo Brasil, lançando a moda dos cabelos curtos para mulheres, “a lá garçonne” ou “a la homme”, tal como usava Margarida Max".
Agora, a gordinha aí da foto tem pinta de que era a bilheteira, e teve que substituir às pressas alguma corista faltosa. Só pode.
beijão
Henrique Marques Porto
Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 3:31
Henrique
Impressionante!!! Estamos mesmo em sintonia. Antes de viajar li um trecho do livro do Salvyano falando sobre Margarida Max e a moda dos cabelos "a la garçonne". Cheguei e estava começando a preparar um post especial sobre ela, haha. Salvei uma foto da revista Para Todos onde ela está com os cabelos curtíssimos. Aguarde que o post vai sair amanhã.
Laurinha
Eros Volúsia fez um sucesso enorme nos EUA com um laçarote semelhante na cabeça. A diferença é que ela era lindíssima e qualquer coisa que usasse ficava bem.
Beijos aos dois.
Helô
Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 3:59
Henrique,
Você acertou na mosca. O tema pode sim, render ou se desdobrar.
Já estou esboçando um post com a Margarida Max. Realmente a moda dos cabelos curtos é creditada a ela e/ou ao teatro de revista.
Bem antes da criação da nossa página já havia pensado em fazer um outro com a Aracy Cortes.
As ideias estão pipocando... A temática do Teatro de Revista é fantástica porque engendra uma gama de sub-temas afins.
Amo de paixão a música e como ela está intrinsecamente ligada ao teatro de revista, a pesquisa torna-se super prazerosa.
A "cheinha" da foto realmente destoa das outras. Ela tem um porte muito másculo, inclusive o rosto. Huumm, dá até para duvidar um pouco...
Continuo tentando encontrar a nossa Rosa Negra. Quem será que ganhará o prêmio prometido pela Helô? :)))))
Um super beijo.
Laura.
Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 4:07
Helô,
Bota sintonia nisso!! Vamos aguardar seu post já que o meu está em fase embrionária.
Um mega beijo.
Laurinha.
Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 4:13
Laurinha
Acho que a gente já está lendo até pensamento, hahaha.
Depois de garimpar as fotos e ler um pouco sobre o Teatro de Revista, comecei a pensar que algumas mulheres tiveram papel importantíssimo e que mereciam post especial. Margarida Max e Aracy Cortes estão entre elas, sem dúvida alguma. Combinamos o seguinte: faço o da Margarida e você faz o da Aracy, ok?
E está quase chegando o dia de você receber umas visitinhas aí :))
Beijos.
Helô
Comentário de Teatro de Revista em 6 junho 2009 às 17:39
Laura e Helô,
O melhor dessa sintonia é que não estamos combinando nada. Apenas estamos pesquisando mais ou menos nas mesmas fontes e percebendo os temas relevantes. Maravilha!
Acho que pode ter uma outra explicação para essa variedade de tipos físicos das coristas que vai além das preferências da platéia masculina dos anos 20 e 30. Não havia escolas de dança ou coisa semelhante na época. A escola de dança e o corpo de baile do Teatro Municipal -de onde saíram muitas coristas- só aparecem a partir de 1931 com um decreto do prefeito Adolfo Bergamini. "Corista" era função para mulher "a toa". As famílias "de bem" não deixavam as filhas bonitinhas e bem cuidadas se meterem nos bastidores meio duvidosos do teatro de revista. Os empresários e produtores recrutavam as coristas entre as moças das camadas mais pobres da população. Escolhiam as mais "jeitosinhas" não ligando muito para talentos. Umas comiam de menos, outras comiam demais -feijão com farinha e rapadura. Deve ser o caso da gordinha da foto. Outras tantas eram selecionadas nas muitas casas de facilidades que existiam na cidade. Havia uma chamada Helena, muito requisitada pela formosura, que sempre ganhava um extra. Foi uma das muitas amantes "fixas" (ele achava que era) do Procópio Ferreira.
As coristas ganhavam muito pouco e tinham que se virar ou, com sorte, conseguir um bom casamento ou emprego no comércio. Aliás, na revista só o empresário ganhava dinheiro. Os autores das peças ganhavam apenas 5% da bilheteria! Quantia que era dividida entre dois ou três autores. Compositores e músicos ganhavam menos ainda. Só atrizes e atores muito famosos ganhavam bem. Não sobrava nada para as meninas. Pobres coristas anônimas. Muitas terminaram os dias no Retiro dos Artistas em Jacarepaguá, onde se pode ver na entrada os velhos portões de ferro do Teatro Recreio.
beijão
Henrique Marques Porto
Comentário de Laura Macedo em 6 junho 2009 às 21:58
Henrique, excelente o seu último comentário.

Helô, combinadíssimo. Farei o post sobre a Aracy Cortes. Só não sei se dará tempo antes da minha viagem.

Um super beijo aos dois.
Comentário de Teatro de Revista em 14 junho 2009 às 23:56
Uma pausa para o contraditório...
Sempre ouvimos falar que artista era equiparada a prostituta antigamente. O José Abreu, num post recente do blog do Nassif reafirma a mesma versão da estória. Olha só o que a Henriqueta Brieba fala sobre o assunto:
Simão Khoury : "Hoje já existe regulamentação da carreira de ator, mas antes o artista era encarado como marginal pelas autoridades, não é?"
Henriqueta : "Quem te disse uma barbaridade dessas?"
Simão Khoury: "A Dercy Gonçalves me declarou que ser artista era sinônimo de ser prostituta e que todas tinham que se submeter a vários exames médicos; caso recusassem, eram impedidas de exercer o ofício.
Henriqueta: "Isso é folclore, meu filho. Nunca, em toda a minha vida, tive que passar por um vexame desses! Olha, é melhor a gente mudar de assunto, porque fico sempre muito irritada quando se fala nisso. Ninguém ousou me encostar sequer num fio de cabelo. Solteira, casada, ou viúva, sempre fui muito bem recebida em qualquer lugar onde tenha ido, e as portas sempre estiveram bem abertas para mim. Trabalhei em cabarés, em pensão de mulheres, em circos, clubes, e sempre fui respeitada. Espero ainda viver alguns aninhos, e essa felicidade eu vou levar pro túmulo".
Beijos.
Cafu.

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