ASTROJILDO PEREIRA fundador do Partido Comunista Brasileiro/Partido Comunista do Brasil, em 1922.

ASTROJILDO PEREIRA 

escritor, jornalista, crítico literário e político brasileiro, fundador do Partido Comunista Brasileiro/Partido Comunista do Brasil, em 1922.

Astrojildo Pereira Duarte Silva nasceu em Rio Bonito (RJ), em 1890.

Ainda jovem iniciou sua militância em organizações operárias de orientação anarquista, tendo sido um dos promotores, em 1913, do II Congresso Operário Brasileiro. Iniciou na imprensa operária sua carreira de jornalista, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida. No final de 1918, participou dos preparativos de uma frustrada insurreição anarquista e, por conta disso, foi preso.

Com a vitória da Revolução Russa, em 1917, começou a afastar-se do anarquismo.

Em 1922, participou do congresso de fundação do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em Niterói (RJ). Em seguida, foi eleito secretário-geral da nova organização e nessa condição fez sua primeira viagem à União Soviética, em 1924. No ano seguinte, o PCB iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, que teve Astrojildo e Otávio Brandão como principais redatores. Em 1927, encarregado pela direção do partido de buscar contato com Luís Carlos Prestes, exilado na Bolívia, para propor-lhe entendimentos políticos, entregou ao líder tenentista diversos volumes de literatura marxista. Ainda nesse ano o PCB passou a estimular uma política de frente eleitoral com outros setores de esquerda, o que acabou resultando na criação do Bloco Operário, posteriormente rebatizado de Bloco Operário e Camponês (BOC). Em 1928, passou a fazer parte do Comitê Executivo da Internacional Comunista, eleito seu membro no VI Congresso da entidade.

 

Entre fevereiro de 1929 e janeiro de 1930 permaneceu em Moscou, de onde voltou com a orientação de proletarizar o PCB, ou seja, promover a substituição dos intelectuais da direção do partido por operários. Em novembro de 1930, o processo de proletarização acabou atingindo o próprio Astrojildo, que foi afastado da secretaria-geral. No ano seguinte, desligou-se do PCB, após breve período de atuação junto ao seu Comitê Regional de São Paulo.

 A partir de então, dedicou-se durante muitos anos aos negócios particulares herdados do pai e, já como crítico literário reconhecido, colaborou no jornal carioca Diário de Notícias e na revista Diretrizes. Em 1944, publicou Interpretações, obra em que reunia estudos sobre literatura, com destaque para o artigo "Machado de Assis, romancista do Segundo Reinado".

 Em 1945, foi delegado do Estado do Rio ao I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, e um dos redatores da declaração de princípios do encontro, marcada por críticas à ditadura de Vargas. Ainda em 1945, retornou ao PCB e, desde então, passou a colaborar intensamente com a imprensa partidária. Dirigiu as revistas Literatura, Problemas do Socialismo e Estudos Sociais, e colaborou com o jornal Imprensa Popular e com a revista Novos Rumos.

 

Em 1964, foi preso após o golpe militar daquele ano, tendo permanecido na prisão por três meses, já em estado de saúde precário. Poucos meses após conquistar a liberdade, veio a falecer.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1965.

É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Entre outras razões, porque não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos.

Astrojildo Pereira


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Astrojildo Pereira continua a pagar o preço de sua opção filosófica e de sua ação de militante revolucionário, de fundador do PCB e seu 1º secretário-geral. Nunca esteve ao lado dos poderosos, da classe dominante: nada mais compreensível do que ser banido da cultura "oficial", dos meios acadêmicos.

José Paulo Netto (cientista social, MG)

http://www.fundacaoastrojildo.com.br/

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Comentário de Delcio Marinho em 16 junho 2013 às 2:13

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