Numa terra de tantos heróis desconhecidos,
num lugar de um povo mestiço
e em busca de um líder,
um dia, em meio às suas amarguras,
descobriu-se que o amarelo,
que era símbolo de seu ouro furtado,
renascera para lavar a puída alma nacional.
E num carnavalesco non sense cotidiano,
viveram entre realidade e ilusão,
que seu poder era dominar a bola.
E por pouco se fizeram felizes.
Maquiaram seus rostos melancólicos
com cores da verdadeira felicidade.
Era sonho de serem artistas da bola.
E assim foi até que uma classe perversa,
vampiros da cidadania alheia,
conseguiram fazer até a bola ficar ‘quadrada’.
Mas a fé dizia que Deus era por eles.
E o Pai de Todos moveu seus ‘pauzinhos’.
Deixou a tecnologia desenvolver em além mar,
mas escolheu os seus prediletos para dominá-la.
E então, a borracha dos pneus no asfalto
quase que tomou o lugar das bolas nos gramados.
Era o talento, recurso abundante e secreto.
E foi assim que, a passos nem tão lentos,
os filhos da terra dominaram as máquinas de roda.
Ambiciosos, então tentaram dominar a tecnologia,
mas o açúcar neste caso não adoçou a conquista.
O patriotismo acabou em ‘patriotada’,
e aquele ‘povinho’ ficou mais triste.
Mas como a Graça não os abandonava,
na terra dos talentos surgiu outro grande.
Era um tal piloto, filho de diplomata,
espécie de vilão em meio à aristocracia
Irônico, mordaz, autêntico,
vingava-se nas pistas.
E com a língua afiada,
falava das nossas frustrações de boçalidade nacional.
E então, quando se pensava ser o cume,
surge um outro talento. Menino maroto,
impregnado em si, mas querendo se superar.
E a superação o fez querido,
Porque mais do que a vingança,
A terra de ‘vira-latas’ queria ser grande.
Ela vencia a ‘gringada’
que não conseguia entender tanta capacidade.
E seja como for, incorporou o espírito de nação,
algo tão desconhecido daquela gente.
Nada de ter vergonha: pintou o capacete de amarelo,
bordou-lhe com umas listras verdes
e dominou a máquina.
Como que um Garrincha ressurgido a tocar a bola.
E aquele capacete parecia uma bola amarela.
E talvez ela ganhasse cara de capacete...
Vencedor implacável, erguia o punho
e desfilava a bandeira brasileira
nos grandes palcos do mundo.
Era como se o pessoal da senzala,
de repente, fosse reverenciado
pelos habitantes da Casa Grande.
É que o verde-amarelo andava descorado
de tanto mal uso que fizeram dele.
Mas ali estava a flâmula brasileira,
a despertar o orgulho envergonhado de cada um.
Em meio a tantas derrotas da vida,
alguém que não tinha vergonha da vitória.
Água pura para saciar a sede de ser algo.
Não se tratava de vencer carros,
era algo além, no limite da transcendência.
Resgatados do pouco de auto-estima,
Humildemente aquela gente o reverenciou.
Mas eis que o “diabo”, por ser inimigo de Deus,
não gostou de ver aquela gente tola feliz.
Tentou os magos da tecnologia,
Tentou o menino ingênuo, que não aceitava a derrota.
E veio o soco no queixo, o nocaute sem dó,
e a morte visitou os palcos, tudo via satélite.
O capacete amarelo fora atingido, caía glorioso.
Mas caía. Não era santo, era humano querendo ir além.
E então o silêncio, o martírio do herói,
a testemunha do silêncio.
E vieram as lágrimas,
e depois ficou só o nó da garganta.
Nada para dizer, não dava vontade.
Confusa sensação. A queda, a perda de algo,
um ‘algo’ além do homem, além do herói.
Talvez parte de nosso orgulho,
talvez parte de nossa coluna ereta.
Uma dor que agora já não quer vingança,
mas que quer a chance de ser feliz.
Não foi em vão, não foi por nada,
o amarelo continua oculto no coração de muitos.
E se a vida foi curta, a obra não foi pequena.
O amarelo está silencioso, mas está vivo.
Valeu, Campeão!

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