Estou ansiosa para chegar logo a próxima quinta-feira, 2 de julho, quando acontece em Salvador a maior festa cívica baiana, em comemoração ao 186º aniversário da Independência da Bahia.
Os baianos valorizam muito essa história omitida nas escolas e instituições do país e comemoram de modo especial. Mesmo as pessoas de fora que conhecem um pouco dela, mas nunca foram a uma comemoração dessas não fazem idéia do quanto é interessante.

Todo ano é assim: calçadas e janelas dos velhos casarões e sobrados, enfeitados com folhas de palmeiras e as cores das bandeiras do Brasil e da Bahia, ficam lotadas por moradores e populares que relembram com orgulho a nossa saga pela independência e os direitos de liberdade e cidadania. Tudo com muita alegria e beleza, porque nessa festa o público também se enfeita, se fantasia e se exibe.

A multidão se distribui nas calçadas de todo o percurso do desfile oficial que, pela a manhã, sai do Largo da Lapinha até o Terreiro de Jesus (Centro Histórico), e à tarde sai do Terreiro até o Campo Grande, mas aí a participação popular é bem menor.

E o grande atrativo da festa é a participação popular e o tom político, de tal modo que se transformou no principal palanque eleitoral em ano de campanha, onde os políticos baianos de todos os partidos e matizes ideológicas testam a sua popularidade. Nesse ano, servirá de termômetro para se saber quem serão os aliados das eleições de 2010.

É o grande momento também das manifestações sindicais, estudantis, ecológicas e dos demais movimentos sociais que, assim como os partidos políticos, seguem o percurso atrás do cortejo oficial puxado pelo caboclo e a cabocla (símbolos da luta da Independência), o governador do estado e o prefeito de Salvador com os seus respectivos secretários e assessores), seguidos dos grupamentos militares e escolas públicas.

Dá gosto ver tanta gente ao longo do trajeto do cortejo das comemorações dessa festa cívica realmente peculiar, como muitas outras coisas que só acontecem na Bahia. Lembro bem da expressão de incredulidade do gringo suíço Jean Pierre, que no ano passado conheceu essa manifestação: “Muito bom, hã?” repetia.

AEROPORTO


Espero que nesse ano retorne com mais força a manifestação em defesa do retorno do nome do nosso aeroporto, já que o Ministério Público Federal na Bahia encaminhou para a Procuradoria Geral da República um pedido para restabelecer o nome original, Aeroporto 2 de Julho. Essa iniciativa pode corrigir um dos piores atos que envergonham os baianos conscientes dos valores da sua história

Se os políticos não tomam providências para consertar a besteira que fizeram (alguns até se elegeram e reelegeram prometendo defender essa bandeira), aprovando ou deixando aprovar a mudança do nome de 2 de Julho para homenagear o filho político do ex-coronel-senador Antônio Carlos Magalhães, esperamos que a Justiça corrija o erro grave.

O aeroporto teve o nome modificado por força da lei 9.661, de 16 de junho de 1998, que substituiu a anterior, de 1955. A Procuradoria também pediu providências junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de proteger a data do 2 de Julho como patrimônio cultural imaterial estadual e nacional.

A decisão está nas mãos da Justiça, mas o povo tem que pressionar. O retorno do nome do aeroporto foi proposto no Congresso Nacional, mas não houve definição, até por falta de conhecimento sobre o real significado da data (pasmem!). Tanto que a deputada federal Lídice da Mata alegou certa vez que uma das dificuldades para convencer os colegas sobre a mudança do nome do nosso aeroporto era o fato dos “nobres” deputados e senadores desconhecerem a importância da data para a Bahia e o Brasil.

Os parlamentares não sabem que teve muita luta e gente (índios, vaqueiros, freira e todo o povo de Salvador e do Recôncavo) que se envolveu numa verdadeira batalha para expulsar daqui os portugueses resistentes. Só a partir de 2 de Julho de 1823, dez meses depois do grito heróico de D. Pedro às margens do Ipiranga, a independência do Brasil se consolidou, aqui sem a tranqüilidade repassada na didática escolar.

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Comentário de Henrique Klein Pedroso em 30 junho 2009 às 16:32
Joana D'Arck, hoje é o dia das coincidências para mim. Aconteceram várias que não vêm ao caso aqui. Mas, instigado por "Baianos Revivem a Luta" de sua autoria, andei pesquisando na wikipedia sobre uma figura central na independência da Bahia que foi Maria Quitéria de Jesus, pude verificar que ela é considerada a Joana D'Arc brasileira. Que chique hein Joana D'Arck? Ela é, desde 1996, por decreto, "A Padroeira do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro". Não sei bem o que isto quer dizer, mas de qualquer maneira, existem hoje uma medalha militar, uma comenda conferida pela Prefeitura de Salvador e outra pela Prefeitura de Feira de Santana, onde nasceu, com o seu nome. Contra a vontade de seu pai, alistou-se no exército de libertação de Salvador no chamado Batalhão dos periquitos, assim conhecido pela cor dos uniformes. Participou de várias batalhas, destacando-se em Pituba onde atacou uma trincheira portuguesa e fez sozinha vários prisioneiros. Recebeu das mãos do Imperador D. Pedro I a comenda da Ordem do Cruzeiro. E para quem disser que era "maria tomba homem", aqui vai o comentário de uma escritora inglesa que a conheceu pessoalmente:
"Maria de Jesus é iletrada, mas viva. Tem inteligência clara e percepção aguda. Penso que, se a educassem, ela se tornaria uma personalidade notável. Nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis." (Journal of a voyage to Brazil)
Casou-se e teve uma filha. Infelizmente morreu completamente anônima e não se sabe sequer onde repousam seus restos mortais. Enfim, é assim que o Brasil trata seus melhores filhos e filhas. De qualquer maneira, vale acrescentar à sua lista de índios vaqueiros, a figura de uma mulher do povo. Maria Quitéria de Jesus. A segund mulher nesta história foi a freira que voce citou; Joana Angélica, que morreu defendendo o convento da Lapa.
Abraços às mulheres da Bahia.
Comentário de Joana D'Arck Cunha Santos em 30 junho 2009 às 23:19
Fico feliz por ter instigado a sua consulta e agradeço o elogio pelo meu nome heróico (que responsabilidade!) de batismo (há quem pense que é pseudônimo... kkkkkkkkkkkkkk). Mas você observou bem: tivemos sim muitas heroínas em nossa história, a maioria delas anônima. As mais célebres são Maria Quitéria e Joana Angélica, representadas e homenageadas em cada desfile do 2 de Julho. A sua pesquisa sobre Maria Quitéria enriqueceu muito o que eu queria expressar

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