Brasil depende de pesquisas e incentivos para veículos elétricos

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A utilização de veículos elétricos no país foi temas do encontro envolvendo pesquisadores, montadoras de veículos, fabricantes de bateria e governo. Na reunião, convocada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), no fim de maio, a ausência de pesquisas para o setor e o desenvolvimento deste mercado foram apontados como principais dificuldades.

Uma das questões discutidas, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), é que o desenvolvimento deste mercado, por meio de incentivos e fomento, teria um impacto positivo na geração de emprego e renda. Para isso, entretanto, seria necessária a redução dos impostos ou desoneração, até que a produção atinja patamares sustentáveis.

Para Luis Pecorelli Perez, responsável pelo Laboratório de Sistemas de Propulsão Veicular e Fontes Eletroquímicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o país precisa de um plano nacional, a exemplo do que foi feito com o álcool e com o biodiesel, para incentivar o setor e estabelecer metas ambientais, tributárias, sociais e tecnológicas.

Na legislação brasileira, os veículos elétricos são enquadrados como “outros”, categoria na qual incide um IPI de 25%, enquanto, os veículos movidos a combustíveis fósseis estão isentos do imposto – isenção proposta devido a crise econômica. Para as motocicletas elétricas, o imposto salta para 35%, enquanto em demais países, a tributação chega a zero. Segundo Perez, incentivando agora, enquanto a produção e comercialização seriam pequena, o governo poderia recuperar e ter ganhos quando a produção tomasse escala.

Matéria-prima

A tecnologia com o uso do metal lítio, já testado e usado no exterior como alternativa para aumentar a eficiência e autonomia dos automóveis, foi levada à pauta. Enquanto países como China e Índia utilizam e pesquisam sobre baterias de lítio para uso veicular, o Brasil, considerado pioneiro nas pesquisas sobre energias renováveis, sequer iniciou estudos nesse sentido. A avaliação é do diretor-presidente a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Antônio Nunes.

Hoje, no Brasil, são poucos os exemplares de veículos elétricos e a maioria utiliza baterias chumbo-ácida que tem preço mais acessível, porém, compromete a autonomia do veículo. Nunes pondera, que dentro de cada matéria-prima, há uma gama de possibilidade de utilização.

Outra tecnologia é a bateria de hidreto metálico, mais presente em veículos híbridos – que operam a combustível e eletricidade. Esse tipo de bateria possui preços mais elevados, mas apresenta maior armazenamento de carga.

Tecnologia

Na avaliação de Nunes, várias barreiras tecnológicas para o desenvolvimento de veículos elétricos já foram vencidas, como o desempenho do automóvel. Ele cita como exemplo o Tesla Roadstar, veículo esportivo elétrico desenvolvido nos EUA, que vai de 0 km/h à 100 km/h em quatro segundos e atinge até 200 km/h.

A bateria do carro, a partir de íon de lítio, permite uma autonomia de 350 km, além de um tempo de recarga reduzido. É possível preencher de 70% a 80% da bateria em cerca de 30 minutos de carga. Alguns pesquisadores falam em 15 minutos apenas. Por outro lado, a bateria de lítio ainda não possui métodos viáveis de reciclagem.

No que diz respeito a bateria tracionária, as baterias fabricadas no Brasil, não são as mais indicadas para veículos de porte, mas ao mesmo tempo o país é líder na fabricação de baterias para submarinos. Na avaliação de Perez, esse dado aponta que há muitas pesquisas em andamento, mas que é preciso verificar qual será a melhor tecnologia para aderir às características brasileiras. A definição deverá vir com incentivo do ponto de vista dos tributos.

Mercado

Apesar da ausência de pesquisas concretas e de políticas de incentivos específicas, as empresas brasileiras começam a se preparar para esse mercado. A Petrobras inaugurou na semana passada o primeiro Eletroposto do país, no Rio de Janeiro. A tecnologia, desenvolvida no Brasil, usará como fonte de eletricidade a energia solar. A iniciativa é mais um passo da estatal na diversificação de suas atividades energéticas.

A empresa informou que o objetivo é atender a crescente demanda no estado, que possui cerca de 300 motos elétricas. Os veículos, por enquanto, se resumem a 20 unidades no estado. Na avaliação do profesor Perez, a Petrobras, ao instalar o eletroposto, agiu como uma grande empresa de energia, em um horizonte de mercado que não dependerá apenas do petróleo.

De acordo com Nunes, A CAM Brasil, empresa localizada no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, foi pioneira em trazer para o país o Reva-i, um pequeno carro integralmente elétrico, que chega a 80 km/h e autonomia de 80 km. O preço, porém, é compatível a um veículo de porte, são R$ 55 mil na versão mais básica. Segundo a empresa o alto custo é decorrente da tributação elevada.

As distribuidoras de energia começam a apresentar sinais de interesse nesse mercado. Algumas já estão adquirindo veículos elétricos para sua frota, a exemplo da Ampla Distribuidora de Energia, enquanto outras estão investindo em pesquisa, é o caso da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Leia mais sobre o assunto na matéria "Governo pode incentivar pesquisas em baterias".

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