Brasil tem vantagens em biomassa residual

DAYANA AQUINO

Da Redação - ADV


Na busca pela sustentabilidade energética, cientistas, empresas e governos passaram a prestar atenção em diferentes formas de geração de energia, até então consideradas onerosas ou desnecessárias. Uma dessas frentes é a geração de energia por meio da biomassa residual, ou esterco de animais, que vem despontando gradativamente como opção futura de fonte energética.


No começo de 2010, foi fechado um acordo de cooperação para a instalação do primeiro laboratório de biogás no Brasil, no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI). De acordo com o coordenador de Energias Renováveis de Itaipu, Cícero Bley Jr., os últimos processos burocráticos para a instalação da unidade acontecerá no dia 9 de abril. Os recursos para o projeto, US$ 180 mil, virão da Áustria, US$ 100 mil e do Brasil, US$ 80 mil.


A unidade é fruto de um acordo de cooperação firmado entre Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), a Universidade de Recursos Naturais e Ciências Aplicada à Vida, a Universidade de Boku, de Viena (Áustria), o Observatório Brasil de Energias Renováveis e o PTI.


Além do contato próximo com o programa europeu de biogás, o laboratório deverá ser o primeiro de uma rede, para instalação de outros laboratórios em diferentes regiões do país. O coordenador completa que a geração de energia nessa modalidade ganhou outro contorno com as resoluções 390 e 395 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que permite a geração e comercialização em pequena escala das fontes de biomassa. “Com esta medida, acredito que haverá um gradativo crescimento de geração a partir de diferentes tipos de biomassa, conforme os empreendedores tomarem conhecimento da possibilidade e da viabilidade financeira”, diz.


As pesquisas com o tratamento dessa biomassa tomam nova escala. Diferentes instituições de ensino no país trabalham o tema sob diferentes tipos de criações, clima e realidade social. Alguns exemplos são as
pesquisas com o resíduos dos criadores de caprinos, no Ceará, e a suinocultura, no Mato Grosso do Sul. Os estudos envolvem pequenos, médios e grandes agricultores, com a instalação de biodigestores, responsáveis pela captura e tratamento do gás metano. O objetivo é identificar oportunidades e lacunas em todos os elos do processo. Cícero Bley ressalta que todos os tipos de biomassa residual são aptos para a geração de energia.


Em termos de vantagem competitiva, o Brasil também apresenta um grande potencial para a modalidade, superando a Europa. Regiões com clima quente favorecem o crescimento de microorganismos que atuam na decomposição da matéria, com a consequente geração de gás metano, avalia Bley.


Como nas demais cadeias produtivas, há uma mobilização do entorno onde os projetos são instalados que favorece um surpreendente ganho econômico, diz o coordenador com base nas avaliações feitas em um projeto-piloto instalado no Oeste do Paraná.


Potencial equivale a usina de Jirau


No Brasil, o gás emitido pelos resíduos oriundos da criação extensiva de animais pode gerar energia equivalente a produzida na usina hidrelétrica de Jirau (3.300 megawatts), portanto, o suficiente para atender uma cidade com 4,5 milhões de habitantes.


O dado consta no estudo "Agroenergia da biomassa residual: perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais", realizado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em parceria com a Itaipu Binacional.


Com a geração de energia, a economia dos criadores poderia chegar a R$ 200 milhões mensais, decorrentes do consumo da própria energia gerada. Ao ano, o valor chega a R$ 2,7 bilhões.


Em um cenário de venda dessa energia, considerando os valores praticados ao preço do leilão da Companhia Energética Paranaense (Copel), de fevereiro de 2009, o faturamento anual chega a R$ 1,5 bilhão. Nessa conta, o autoconusmo levaria a uma economia de gastos superior a 70%, se comparado ao faturamento obtido com a venda da energia.


Em termos gerais, o relatório aponta que a energia produzida a partir dos efluentes dos criatórios pode chegar a 2,4% da oferta nacional de energia elétrica, ou o equivalente a 12% da energia gerada pela usina de Itaipu.


Os ganhos ambientais com o procedimento também devem ser computados. Além dos gases poluentes, também se evitaria a contaminação do solo e da água que recebe esses rejeitos. Outra utilização da biomassa é como biofertilizantes, que agregaria valor a cadeia.


A comercialização de créditos de carbono é mais uma alternativa para ampliar o faturamento dos produtores, tornando o processo mais atraente aos investimentos. De acordo com o relatório, a cotação dos créditos de carbono chegou a 9,41 euros por tonelada, também com base em valores praticados em fevereiro do ano passado, o que pode gerar um acréscimo de 671 milhões de euros.


Acesse aqui a íntegra do estudo




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Comentário de Luiz Augusto de Jesus carvalho em 31 março 2010 às 11:15
Interessante sob o ponto de vista macro em termos econômicos e sob o ponto de vista micro, pois tecnologia deverá possibilitar melhorias nos sistemas de biodigestores para pequenas propriedades, o desenvolvimento de equipamentos de pequeno porte, além do fato de ajudar a diminuir os efeitos nocios do metano para a camada de ozônio.
Aumentará a disponibilidade de adubos de boa qulidade e diminuirá a dependência dos adubos minerais(NPK)

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