O HISTÓRICO

Leon Carvalho, o austero diretor do Opéra-Comique (um dos dois teatros líricos mais importantes da França), quase morreu de vergonha ao ver o que aconteceu no seu teatro, quando da encenação daquela “ópera pervertida” em 1875. Na época, havia se deixado levar pelo charme do jovem compositor Georges Bizet(1838-1875), e confiando nos renomados libretistas Meilhac e Halévy, e não analisou criticamente o libreto, nem assistiu aos ensaios. Só sabia que se tratava de uma ópera nova, mas não sabia o quão revolucionária era. De forma que, principalmente quando assistiu ao segundo ato passado, como ele dizia, numa “daquelas casas”, com contrabandistas, ciganos, mulheres livres e “liberais”, bebendo manzanilla e fumando acintosamente, Leon ficou profundamente chocado. Afinal, sua casa de espetáculos era respeitável e seus frequentadores a nata da burguesia francesa – que também reagiu negativamente ao espetáculo. Oito anos depois, em 1883, Leon ainda se recusava terminantemente a reapresentar a ópera Carmen. Dizia enfaticamente: “enquanto eu dirigir o Opéra-Comique, uma cena dessas não será exibida novamente aqui!”

É ainda meio nebuloso o que se divulga sobre o que aconteceu na noite de 3 de março de 1875, quando Carmen estreava no Opéra-Comique. Certamente não teria sido o fracasso clamoroso que, depois, segundo se dizia, iria levar Bizet à morte; a nova ópera lotou o teatro, com espectadores empolgados pelo aceno da novidade e que reagiu favoravelmente durante o primeiro ato, “esfriando”, porém, nos demais.

Há controvérsias sobre a origem das dificuldades encontradas pela ópera em sua trajetória. Primeiro, tratava-se de um trabalho original demais para os aficionados da época, quando, normalmente, as peças tinham um final exemplar, moralista, em que a virtude e o bem sempre venciam o mal e o vício, ainda que às custas do sacrifício de heróis e heroínas; na Carmen, apenas um personagem possuía caráter elogiável, e era um papel secundário (Micaela) que, ainda por cima, perdia a disputa pelo “herói-vilão”.
Depois, a contextura musical mostrava-se muito densa, carregada de “harmonias ousadas”, cujo resultado acarretou ao compositor a pecha de wagneriano (os franceses ainda relutavam em aceitar a obra de Wagner). É, inclusive, bastante significativo que, na estréia, os trechos mais aplaudidos tenham sido exatamente os mais convencionais, como o dueto de José e Micaela, no primeiro ato, a canção de Escamillo, no segundo, e a ária de Micaela no terceiro. Há que se ter em conta, também, que tanto o público como os cantores, na ocasião, estavam viciados por determinados costumes: para os tenores (José), por exemplo, era estranho, na única cena parecida com um dueto de amor, contracenar com uma personagem feminina (Micaela) que não era a principal.
O tema não era apenas novo e perturbador para o público: a própria montagem oferecia dificuldades fora do comum. E se a assistência reagiu contra a apresentação de mulheres fumando, as próprias coristas relutaram bastante em aprender a manusear os cigarros, dizendo-se mesmo que para algumas a experiência acabou sendo nociva.


O desempenho do meio-soprano Celestine Marie Gallie-Marié (1840 –1905), a primeira intérprete de Carmen, também teria contribuído para chocar a burguesia presente ao Opéra-Comique. Segundo os próprios libretistas (Meilhac e Halévy), ela teria dado ao papel central da ópera uma interpretação ”demasiado realista”, mais próxima da imagem da heroína do conto de Prosper Mérimée: uma cigana sensual, destituída de qualidades morais, cuja filosofia de vida é a liberdade ilimitada, sob a única lei de seus instintos. Os libretistas empenharam-se em amenizar essas características, mas a cantora teria reagido a isso, pretendendo uma imagem mais viva.

Seja como for, e apesar dos ataques ao compositor, Camile du Locle (um dos administradores do Opéra-Comique) encomendaria outra ópera a Bizet; mas antes que o compositor pudesse entregar algo, faleceria quase três meses após a criticada estréia de Carmen. Era 3 de junho de 1875 e Alexandre César Léopold Bizet (tratado pelos familiares por Georges) desapareceria antes dos 37 anos.

Há quem atribua sua morte ao fracasso da ópera, mas isso é mera suposição, não é fato comprovado. Entretanto, é bem possível que a fria estréia da Carmen tenha contribuído para lhe afetar a saúde, que não era das melhores. Some-se a isso o fato de que Bizet se desgastou, mental e fisicamente, por ocasião dos ensaios da Carmen. Mas, na verdade, sua “causa mortis” nunca foi precisada. Bizet sofria de angina e havia tido febre reumática quando criança, males que podem ter prejudicado seu coração.

Nas vésperas de sua morte, Bizet havia assinado contrato para a apresentação de Carmen na Ópera de Viena. O espetáculo, entretanto, só se realizaria quase quatro meses depois (23 de outubro). Em Viena começa o triunfo de Carmen; depois viriam Bruxelas, Antuérpia, Budapeste, São Petersburgo e Estocolmo. A primeira apresentação da ópera em Londres dar-se-ia em 1878, passando depois para Nova York.

Finalmente, surge em Paris intensa campanha movida pela imprensa (liderada pel o jornalista Maurice Lefèvre, do jornal Clarion), em protesto à longa ausência da Carmen dos palcos da capital, já que, além de seu êxito no exterior, a ópera vinha sendo aplaudida desde 1878 em cidades do interior da França. Pressionado, Leon Carvalho aceita reprisá-la no Opéra-Comique, já que os próprios libretistas, preocupados com a opinião pública, eram também contrários à participação da “escandalosa” Galli-Marié, apontada como a principal responsável pelo fracasso da obra.

Em 21 de abril de 1883, Carmen retorna à Paris, mas com a comedida Adèle Isaac no papel-título. A produção do espetáculo, entretanto, preocupada com possíveis reações negativas da platéia, empenhou-se em amenizar as partes mais realistas da ópera. Assim, Adèle Isaac teve uma performance bem diferente de sua antecessora, comportando-se com discrição, de acordo com sua reputação de respeitabilidade. A cena da taverna de Lillas, por exemplo, transformou-se num prosaico “café”, frequentado por elegantes fregueses e comedidas dançarinas. Ainda de acordo com esse critério, simplesmente foi eliminada a violenta cena do duelo entre José e Escamillo.

A récita teve enorme sucesso, mas os tormentos de Leon Carvalho em relação à Carmen não terminaram. Carvalho foi intensamente criticado por desfigurar a obra-prima de Bizet. Novamente pressionado, o diretor da Opéra-Comique, acaba por permitir a montagem original do espetáculo. E mais, com a personagem “depravada” inicial! Galli-Marié volta triunfante ao elenco, dessa vez derrubando todas as acusações que lhe fizeram e angariando aplausos entusiásticos da crítica especializada. Finalmente Carmen vencia na França!

A ópera atingiria sua tricentésima apresentação, no Opéra-Comique, em1887, e a milésima ocorreria a 23 de dezembro de 1904. Em 25 de outubro de 1938, por ocasião do centenário do nascimento de Bizet, o Opéra-Comique levava a ópera pela 2271ª vez.

Coisas do destino, Bizet só atingiu seu grande momento nos últimos anos de vida: em março de 1873 começa a trabalhar em Carmen, terminando-a apenas no ano seguinte, tanto por dificuldades com o Opéra-Comique, como por um ataque de angina, que o obriga a refugiar-se em Bougival. E é ali que morre, em 3 de junho de 1875, três meses depois de receber a Légion d’Honneur, no mesmo dia daquela discutida estréia de Carmen.

Mas sua fascinante e voluptuosa cigana vem encantando até hoje as platéias mundiais. Personagem que se poderia classificar como a mulher total, coquete, vaidosa, sensual, comporta-se com o orgulho e a astúcia da pantera, quando acuada por seus caçadores. Carmen é mestra na manipulação do macho, mas, controvertidamente, é fêmea que se deixa arrebatar pelo amor. Seu enfrentamento final aos rogos e ameaças de Don José, a ponto de sacrificar a própria vida não abrindo mão de sua independência, é um misto de firmeza de caráter, orgulho feminino e paixão arrebatada.

Mas, além da figura extremamente humana de Carmen, outras personagens vivem uma vida real nesta obra revolucionária do teatro lírico: José, Zuniga, Micaela, Escamillo, os contrabandistas, as ciganas... Todas, figuras necessárias neste alucinante mostruário de tipos ibéricos, cuja atmosfera sonora foi criada por um francês que nenhum espanhol poderia superar.

A ÓPERA

A peça começa com um prelúdio que se constitui em uma síntese de grandes temas apresentados ao longo da ópera. O pot-pourri orquestral tem seu início com o empolgante tema que representa o desfile dos toureiros, como será ouvido no quarto ato. Segue-se uma passagem menos inflamada inspirada no tema da troca da guarda do primeiro ato (Avec la garde montante). Numa repentina modulação, a música retorna ao tema anterior, a execução da orquestra é vibrante e festiva.
Novamente atenuam-se as sonoridades e emerge, nas cordas, o tema marcial do toureador (que será ouvido no segundo ato). A orquestra repete-o majestosamente e, mais adiante, retorna, sem interrupção, ao tema inicial.
Uma pausa repentina, e toda a alegria se transforma com a brusca apresentação do sinistro tema, em tom menor, leitmotiv que sugere a sedução de Carmen e a fatalidade que ela representa. Este tema - executado por clarinetas, fagotes, pistões e violoncelos, apóia-se sobre um tremolo de violinos e violas – irá repetir-se toda vez que for insinuada a paixão que Carmen sente e provoca; ao atingir seu ponto mais estridente, é interrompido num acorde violento de toda a orquestra.
Estão preparados corações e mentes para o desenrolar da tragédia.

1) PRELÚDIO



A calma do meio-dia, na praça sevilhana, é subitamente sacudida por um distante toque de corneta. Os que ali estão – empregadas da fábrica de cigarros e soldados do quartel vizinho – voltam os olhares para a embocadura da rua.
O corneteiro surge em cena, seguido pelos tocadores de flautim, e estes antecipam o tema que vai ser apresentado, na seqüência, por um coro infantil. Os sopros da orquestra exibem-se nesta espécie de marcha-miniatura, até que um bando de crianças aparece, em alegre e desordenada imitação da nova guarda que virá render a que ali está.

2) AVEC LA GARDE MONTANTE (Com a troca da guarda)



Carmen chega à praça, juntando-se às companheiras de trabalho na fábrica. É cercada imediatamente por seus admiradores, que lhe imploram o amor. Vibrante e maliciosa, ela passa a entoar sua canção de apresentação, que, como de hábito na ópera novecentista, serve para definir o caráter e a posição fundamental que a personagem assumirá no decorrer da trama.
Esta célebre habanera está calcada numa canção intitulada “El Arreglito”, que Bizet pensou ser folclórica, embora hoje se saiba ser do compositor espanhol Sebastián Yradier (1809-1865). Na interpretação, Carmen é acompanhada alegremente por companheiras e rapazes postados ao seu redor.
Nesse instante, a cigana repara que José finge estar desinteressado nela. Isso mexe com seu orgulho. A orquestra, subitamente, prenuncia a tragédia que se aproxima, entoando a melodia do “tema do destino”, dando um ar sombrio à cena que era de pura alegria. Provocativamente, Carmen dele se aproxima, saca do seio uma flor e a atira em cima de um perplexo José.

3) L’AMOUR EST UM OISEAU REBELLE (O amor é um pássaro rebelde)



Por haver agredido uma companheira de trabalho, Carmen é detida e entregue pelo tenente Zuniga à guarda de José, que deverá levá-la manietada à prisão.
A sós com o cabo, a astuciosa jovem assegura-lhe que será solta ali mesmo, pois sabe que ele a ama. A flor que ela lhe arremessou na praça – já teria exercido seu fascínio.
José, aturdido, ordena-lhe que se cale. Mas a jovem responde com uma provocante seguidilha, dançando e cantando com as mãos amarradas atrás.
José, a quem Carmen seduz com seu canto e volteios da dança, tenta mais uma vez aquietá-la. Mas a jovem replica com a desculpa de estar falando para si mesma: não há o que censurar, neste caso.
Afinal, o cabo rende-se à tentação de Carmen. Indaga-lhe se ela também o ama, ao que a jovem assente com astuciosa graça. E volta com nova ênfase à sua canção, interrompida com o repentino aparecimento de Zuniga que traz a ordem de prisão. Carmen então combina com José sua rota de fuga. É o final do primeiro ato, que termina com o tumulto da fuga da cigana e a prisão de José, por tê-la facilitado.

4) PRÈS DES RAMPARTS DE SÉVILLE (Perto das muralhas de Sevilha)



Começa o segundo ato, que tem por cenário a esfumaçada taverna de Lilás Pastia (mencionada por Carmen na seguidilha), nos arredores de Sevilha. Misturam-se ali contrabandistas, ciganos, soldados e tipos diversos de aventureiros, todos fumando, bebendo ou conversando indolentemente.
(Esta é a cena que enrubesceu Monsieur Leon Carvalho, quando da estreia da ópera. Na montagem que mostramos, entretanto, não haveria motivo algum para o sr. Leon Carvalho se envergonhar, é uma encenação comedida, com direito até a dança flamenca.)

5) LES TRINGLES DES SISTRES TINTAIENT (As hastes dos chocalhos tilintavam)



Ainda na teverna de Lilás Pastia, acompanhado por um grupo de admiradores, o toureiro Escamillo ingressa na taverna, sob a aclamação dos presentes. Como é também sua entrada em cena, Bizet destina-lhe uma ária de possante respiração rítmico-melódica, tencionando caracterizá-lo perante o público.
Neste fragmento (que haveria de tornar-se famoso como “Canção do Toureador”), Escamillo exalta com soberba e estudada teatralidade a vida dos toureiros, figurando lances perigosos na arena, a multidão frenética a aplaudir e a esperança de um amor após a refrega.
A segunda parte desta ária faz ouvir o tema já apresentado no Prelúdio do primeiro ato e que é sublinhado pelo coro dos presentes em eloquente estribilho.


6) VOTRE TOAST (Vosso brinde)


Tendo cumprido sua pena, José chega à taverna em busca de Carmen. Todos se retiram , ficando somente ele e a cigana em cena. Carmen tenta convecê-lo a desertar e acompanhá-la com seu bando numa vida de aventuras e perigos. José refuga, não pode abandonar o exército, nem sua mãe. Carmen o chantageia emocionalmente, diz-lhe que ele não a ama. A essa provocação, José mostra-lhe a flor que ela lhe atirara há tempos, murcha, mas ainda guardada junto ao coração. É o dramático momento da mais importante ária destinada a José em toda a ópera. Conhecida como a "ária da flor", ardente, empolgante, mostra o cabo em apaixonada declaração de amor: Carmen, te amo!

7) LA FLEUR QUE TU M’AVAIS JETÉE (A flor que me atiraste)



Se até aqui o autor recheou sua obra com alusões a emoções fortes, ao amor arrebatado, ciumento, prenunciando a tragédia, na abertura do terceiro ato ele alude ao amor romântico, lírico, suave, a um amor não de Carmen ou José, mas a um amor de Michaela - que tem presença marcante neste ato. O Intermezzo do terceiro ato é uma das mais belas peças de toda a obra de Bizet.
O ato se desenrola em cenário soturno nas montanhas, no refúgio dos contrabandistas. Um tema de marcha, acompanha o aparecimento gradativo das personagens em cena; depois, todos entoam uma canção moldada nesse tema, de contornos estranhamente sombrios. Os marginais combinam a forma de introduzir o contrabando no país e os cuidados que deverão tomar. No centro separam-se as vozes de Carmen, Frasquita, Mercedes, Dancaire e Remendado, num esquema harmônico de rica e surpreendente concepção.
Ao final da cena, Carmen (que já está apaixonada pelo toureiro) tem um ríspido diálogo com José, no qual declara que já o ama menos do que antes, pois sente-se sufocada por seus ciúmes, quer ser livre novamente. José lembra de sua velha mãe que ainda o julga honesto. Carmen diz-lhe para correr para os braços da mãe, pois decididamente ele não é homem para ela. Cheio de ódio, José ameaça matá-la se o abandonar.

8) INTERMEZZO - ÉCOUTE, ÉCOUTE, COMPAGNON (Escute, escute, companheiro)



Separadas do resto do bando, Frasquita e Mercedes consultam as cartas, na busca de vestígios de seu futuro. Elas desenvolvem gracioso dueto, prognosticando conquistas amorosas compensadoras: um belo e galante jovem, um velho, mas rico cavalheiro...
Carmen aproxima-se e também consulta seu destino nos naipes: verifica sombriamente que é a morte que a aguarda em breve. Ainda de acordo com as cartas, José deverá segui-la nesse próximo passo.
A música sofre, neste ponto, brusca transformação. Carrega-se de acentos fatalistas, contrapondo-se na sequência, à luminosa cantilena de Mercedes e Frasquita.
É Este o conhecido “trio das cartas”, incluído entre os pontos altos da ópera.


9) MÉLONS, COUPONS! (Embaralhemos, cortemos!)




Micaela surge inesperadamente no refúgio das montanhas. Soube que José tornou-se contrabandista e foi informada de como chegar ao local, ali se encontrando para transmitir ao amado um angustiado recado de sua mãe doente que quer ver o filho antes de morrer.
A coragem começa a abandoná-la, diante do sinistro ambiente, e seus receios são expostos numa bela e melódica ária para o soprano, em que pede a Deus proteção e coragem coragem para prosseguir em sua missão. Mas seu anseio maior é ter forças para encontrar a mulher bela e perigosa que transformou aquele que ama num infame criminoso.

10) JE DIS QUE RIEN NE M’EPUVANTE (Eu digo que nada me assusta)



O terceiro ato termina com José partindo para ver sua mãe doente, sendo obrigado a deixar Carmen livre em busca de seu destino.

O quarto ato é iniciado com exuberante passagem coral-sinfônica e repete, com ligeiras alterações, os mesmos temas já ouvidos na primeira parte do Prelúdio do primeiro ato.
Estamos em frente à Arena de touros de Sevilha. Os toureiros entram em cena e são saudados pela multidão entusiástica, observando-se como interessante particularidade a inclusão de vozes infantis na manifestação. E, quando Escamillo aparece, o coro de saudação explode no tema da marcha que vem caracterizando essa personagem, num encerramento de extraordinária vitalidade. Carmen e Escamillo se defrontam e declaram publicamente sua mútua paixão. Carmen é advertida que José foi visto oculto na multidão e que ela deveria evitá-lo. Orgulhosa e fatalista, a cigana afirma que não é mulher de fugir, vai falar com ele e enfrentá-lo.


11) LES VOICI (Ei-los)



São os instantes finais da ópera. José tenta mais uma vez impedir que Carmen vá ao encontro de Escamillo, insistindo para que ela o siga. Lá dentro, prossegue a tourada, com a multidão aplaudindo freneticamente seu ídolo. Carmen reitera que já não o ama, seu coração é de Escamillo. José, inconformado insiste, humilha-se, fará o que ela quiser.
Carmen, já fora de si, empurra-o e brada: nascida livre, livre morrerá! Tenta correr para a arena, mas José a agarra com ferocidade, joga-a ao solo, tenta estuprá-la, mas uma vez mais é repelido. Num último gesto de desprezo, Carmen atira-lhe ao rosto o anel que ele lhe dera. Desvairado, enlouquecido de ódio e ciúmes, José a apunha-la brutalmente. A multidão, que não sabe o que acontece fora da arena, prossegue aplaudindo Escamillo.
Enquanto isso, presa de incontrolada emoção, José debruça-se sobre o cadáver da amada, chorando seu crime, e exclama desalentado: “Podeis prender-me. Fui eu que a matei! Ah, Carmen! Minha adorada Carmen!” Um grande crescendo orquestral acompanha o fechar da cortina. A tragédia é finda.

13) FINAL

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Comentário de otavio de lima filho em 4 fevereiro 2010 às 11:43
callas!!!!!!!!!simplismente imortal,,,maravilhosa verdadeiramente de mais
Comentário de n almeida em 15 fevereiro 2010 às 18:03
Oi, também chego com atraso nesta discussão. O verão quase me tornou um personagem de The Endless Summer. Perambulei por praias brasileiras. Vi esta matéria postada e queria deixar uma pequena contribuição.
Carmen se tornou um ótimo ballet. O projeto foi da grande Maya Plisetskaya. Inicialmente ela provocou o maestro Shostakovich com a idéia, mas parece que ele alegou falta de tempo para a empreitada, sobrou para o marido de Maya, o compositor Rodion Shchedrin. A coreografia coube ao cubano Alberto Alonso, cunhado da famosa Alícia, que também desmpenhou o papel. Maya se tornou 'a' Carmen. O resultado completo está nos vídeos abaixo de Carmen Suite Ballet.



Maya Plisetskaya Carmen Suite Ballet Part 1
1. Prologue - Opening Credits
2. Scène
3. Solo (Carmen)
4. Entrance of the Soldiers and Don José
5. Carmen's Meeting With Don José - Pas De Deux


Maya Plisetskaya Carmen Suite Ballet Part 2
6. Carmen's Friends and the Bandits
7. The Seduction of Don José - Pas De Deux (Carmen, Don José)
8. Solo (Don José)



Maya Plisetskaya Carmen Suite Ballet Part 3
9. At the Inn of Lillas Pastia
10. Escamillo's Entrance and Solo
11. Pas De Deux (Carmen, Escamillo)


Maya Plisetskaya Carmen Suite Ballet Part 4
12. Pas De Deux (Carmen, Don José)
13. Card Scene (Carmen, Fate, Don José, Escamillo)


Maya Plisetskaya Carmen Suite Ballet Part 5
14. Bullfight (Fate, Escamillo)
15. The Death of Carmen (Carmen, Don José, Escamillo, Fate)


Mais sobre Maya eu juntei aqui: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/maya-mikhailovna-plisetskaya
Comentário de Oscar Peixoto em 16 fevereiro 2010 às 9:54
Almeida, belíssima contribuição! Realmente a Maya foi uma Carmen de enorme sedução. Como ópera e balé sempre caminharam juntos, fico imaginando a junção das duas...Imagine a Maya, mezzo-soprano, seduzindo todos à sua volta com seu canto e sua dança! Seria o arrebatamento total! Mas isso seria querer demais da vida.
Grande abraço
Comentário de BLOG DAS IGUARIAS - em 8 março 2010 às 18:58
Prezado Oscar:
Vi seu post demoradamente, pois adoro Bizet. Meus pais deram-me o nome Carmen, pois adoraram a ópera, o filme e tudo em torno da história. Parabens pelo post e obrigado pelas felicitações em 8 de março. Ah, aproveito para convidá-lo. Abraços

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