Começa amanhã o encontro que poderá modificar bastante a cara da mídia no Brasil. Trata-se da Conferencia Nacional de Comunicação que tem na pauta discutir com os senhores feudais que dominam o ramo …

Começa amanhã o encontro que poderá modificar bastante a cara da mídia no Brasil. Trata-se da Conferencia Nacional de Comunicação que tem na pauta discutir com os senhores feudais que dominam o ramo uma forma de tratar melhor a concessão de serviço público que lhes foi dada como propina pelos governos passados. No caso da mídia impressa, que também participa do encontro, a pauta é mais o direito de opinião e a liberdade de expressão, individual e coletiva.
Sabotada por quase todos os lados, um deles o governo- que diminuiu a verba para a realização do evento – É quase um momento histórico essa sentada à mesa da mídia para discutir algo, já que onipotência, onisciência e uma predileção masoquista pela derrota venham sendo sua orientação desde a penúltima década do século XX. Alguém ou alguns deixaram de ser iluminados e entraram em curto-circuito. Infalível só o Papa- questão também altamente discutível.
Todos os participantes procuram um caminho e estão reunidos ali para se chegar a um consenso, deixando de lado as solenes batatadas que esse e outros governos vêm cometendo em todas as áreas que envolvam mídia e sua infraestrutura. Exemplos? Lembram do padrão Pal-M ? A universalização do mesmo começou no arroio chuí e terminou no extremo-norte do Amapá. Agora temos esse padrão japonês de TV Digital, um “sushi” indigesto que bateu no paladar oriental de Helio Costa. O próprio ministro é uma grande batatada, pois atuou descaradamente como lobista no setor de radiodifusão, defendendo interesses fisiológicos e tendo crises verborrágicas a respeito de um lado técnico do qual ele só conhece o botão “liga- desliga”. Sua passagem no Ministério foi digna do “Nada Fiz, Nada Deixo”, epitáfio creditado ao político mineiro Pedro Aleixo.
Se eu puder ser considerado um membro do grupo que se interessa pela coisa e aderiu as novas mídias, eu espero muita coisa dessa conferência. A primeira delas é que as pessoas deixem de lado a face repressiva e policialesca que cada um tem dentro de si. Se existe o Direito de Expressão, a letra do rap “A Porra da Buceta É Minha” têm o mesmo valor semântico que a letra de “ O Bêbado e a Equilibrista”. A censura, o nosso lado policialesco e repressivo faz em nossa intimidade. Chega de querer “orientar” e “dirigir” a sociedade.
Quando a própria sociedade exercia seu controle sobre a parte desviada( anomia), a carga preconceituosa e repressiva era bem menor. Um dos problemas que a sociedade sempre controlou foi o das drogas. A partir da criação de organismos e regulamentos para botar “ordem” na coisa, criou-se uma indústria de criar dificuldades para vender facilidades a respeito delas que, hoje, eu duvido e faço pouco que haja um retrocesso. Como acabar com uma medicina, uma advocacia especializada, redes de clínicas, casas de repouso, sanatórios....?
Tudo que reprimiu o Direito de Opinião e a Liberdade de expressão pode voltar disfarçado de comportamento politicamente correto para recomeçar a repressão. Pode vir transvestido do fanatismo religioso, moral, bons costumes ou um nome apropriado para a ocasião. E esse é o perigo. Olho vivo.

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