Robert Krulwich

Pobre Johannes Kepler. Um dos maiores astrônomos de todos os tempos, o homem que descobriu as leis do movimento planetário, um gênio, erudito e matemático. Em 1611, ele estava precisando de uma nova esposa. A Sra. Kepler tinha morrido de febre maculosa húngara. Com filhos para criar e uma casa para gerenciar, ele decidiu conferir algumas candidatas, mas não estava indo muito bem.
Sendo um homem organizado, ele entrevistou onze mulheres. E, como Alex Bellos descreve em seu livro "The Grapes of Math", Kepler anotou suas impressões sobre as candidatas em um catálogo de pequenas decepções.
A primeira candidata, escreveu ele, tinha "uma respiração fedorenta".
A segunda "tinha sido criado num luxo acima de suas posses". Ela tinha gostos caros. Não era promissora.
A terceira estava noiva de um homem – definitivamente um problema. Além disso, de um homem que tivera um filho com uma prostituta. Muito complicado.
A quarta mulher era agradável ao olhar - de "alta estatura e porte atlético"...
Mas Kepler queria ainda checar a quinta, que ele achou "modesta, frugal, diligente e capaz de amar os enteados", só que ele hesitou. Ele hesitou por tanto tempo, que a no. 4 e a no. 5 ficaram impacientes e saíram do páreo, deixando-o com a n.º 6, que o assustou. Ela era uma grande dama, e ele "temia as despesas de um suntuoso casamento..."
A sétima era muito atraente. Ele gostava dela. Mas como ainda não tinha concluído a lista, ele a manteve em compasso de espera, e ela não era do tipo de esperar. Ela rejeitou-o.
Quanto à oitava, ele não se interessou muito por ela, embora achasse a mãe dela "uma pessoa muito digna..."
A nona era muito doente, a décima "tinha uma forma inadequada mesmo para um homem de gostos simples", e a décima primeira era muito jovem.
O que fazer? Avaliara e cortejara todas aquelas pretendentes apenas para concluir que, talvez, ele tivesse feito tudo do modo errado.
"Foi a Divina Providência ou a minha própria consciência", escreveu ele, "que, por dois anos ou mais, me conduziu a tantas direções diferentes e me fez considerar a possibilidade de uniões tão diversas?"
Na vida real, após um período de reflexão, Johannes Kepler voltou a cortejar a quinta mulher e, em seguida, casou com ela.
Ele poderia ter ignorado o último lote de senhoras e ter-se livrado de encontros desnecessários, caso houvesse adotado a solução matemática. Em vez disso, ele apenas seguiu o seu coração (o que, naturalmente, é uma opção tolerável mesmo para grandes matemáticos).
Seu casamento com a no. 5, aliás, acabou por ser muito feliz.

Tradução: PGCS

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