Cozinhar é também um Ato de Amor

Para o Sérgio Troncoso que, como eu, adora cozinhar e para o Carlos (sumido) com quem já troquei algumas impressões sobre culinária árabe.


Anos atrás, li uma entrevista fantástica falando sobre comida e afagos. O título, "Dos afagos que um ser humano pode fazer ao outro, dar de comer é o mais genuíno", já diz tudo.

A entrevistada, Leila Yuossef Kuczynski, chef de cozinha do Arábia, um dos melhores restaurantes libaneses de São Paulo, fala da relação dos sabores com o afeto e revela os poderes da comida: "ela funciona como pedido de desculpa, como arma de conquista e pode ajudar a ampliar os vínculos".

Destaco alguns trechos da entrevista de Leila à Revista Claudia (agosto de 2005), mas vale a pena ler toda a matéria e copiar as receitas no final. Clique aqui para a reportagem completa.

"Cozinhar é terapêutico. É colocar os ingredientes num vaso alquímico, de onde saem transformações. Fortalece os laços, estabelece confiança para tratar de temas delicados. A cozinha é o lugar do forno quente, do afeto e suscita generosidade: um corta o dedo, o outro vem curar."

"A cozinha libanesa é corporal, pede que você ponha a mão na massa, e tem poesia. Nas receitas, se lê: "rubis de romãs salpicados na salada"; "doces perfumados com flor de laranjeira"...

"Na cozinha libanesa, tem que ter o toque. É uma cultura ancestral, de séculos antes de Cristo. Para provar, também usamos a mão, levando o petisco ao lábio para saboreá-lo delicadamente. É poético."

"Dos afagos que um ser humano pode fazer, dar de comer é o mais genuíno, remete à primeira nutrição."

"Nunca se teve, como agora, tanta oferta de alimentos e tanta interdição para comer. Os consultórios estão cheios de pacientes com distúrbios alimentares, obesidade, anorexia... São problemas causados pela enfermidade do feminino."

"Mas só descobri que a comida repercute no interior das pessoas ao trabalhar com meninas infratoras, na Febem. Elas não se abriam com a diretora, com o psiquiatra nem comigo, mas ouviam Dezinha, a cozinheira."

"Entre os árabes, é comum marcar um jantar para resolver uma disputa. Todos bebem e comem, num sinal de que são iguais e de que estão aplacando os ânimos para depois dialogar."

"Quem não teve um vizinho árabe que ofereceu esfihas? Ao chegar, o imigrante logo tratava de mostrar camaradagem e compartilhava o que tinha de melhor. Acho que isso faz falta nas cidades grandes."

"Quando estou de mau humor, vou até o quintal, apanho salsinhas e pico, pico... Para mim, o ato de picar as salsinhas é a cura de todas as dores."

"Me dói o coração ver que principalmente os jovens se alimentam com culpa ou deixam de comer. O pior é que, ao restringir o cardápio, perdem o controle e caem no exagero. Eu digo: "Coma, mas faça isso com prazer, porque é a privação que leva ao excesso, à tentativa de compensar". O corpo é sábio, conhece a medida necessária, vai buscar o caminho do meio".

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Comentário de Cafu em 3 abril 2009 às 12:32
Lindo! Vamos fazer uma lista dos melhores filmes sobre os verdadeiros sabores da vida?
Eu começo com estes:








Helô,
Conta pra nós: vc cozinha bem? Eu tenho a maior fama de má. Hahaha. Mas faço um ótimo pesto da Barilla.
>:-)
Comentário de Helô em 3 abril 2009 às 13:08
Adorei sua idéia, Cafu!
Espertinha, começou pelo melhor, né? :)))
Aqui vai uma cena "bem temperada" pra você.
Do filme: Como Água Para Chocolate

Comentário de Sérgio Troncoso em 3 abril 2009 às 15:23
Bom gente,as nossas mestras do garimpo áudio-visual já introduziram o tema "daquele jeito" que só elas sabem. É inacreditável o que vocês fazem com minhas emoções. Quando eu penso que se esgotaram o carinho e as surpresas,voltam vocês com o lirismo e a química dos sentidos no tempo exato! Não há uma falta,não há um excesso.
Querida Helô,cozinhar é terapia,é diversão,é estímulo à inteligencia cognitiva e emocional,e é principalmente um ato de amor. Não há comida ruim,o que existe é comida mal feita ou comida que não combina com o nosso paladar. Em minha opinião,todos os países ou regiões produzem comida de qualidade,apenas as vêzes elas nos são oferecidas na hora ou no jeito errado. Ou seja,comida ruim é mau feito do cozinheiro e não da culinária. Um abração,e vamos trocar receitas mais para a frente. Me aguardem,Sérgio.
Comentário de Helô em 3 abril 2009 às 21:36
Sérgio
Concordo inteiramente com você, não existe comida ruim, existe comida mal feita. Quando vou à casa de minha mãe, sabe o que peço para almoçar? Arroz, feijão (feita na panela de pedra), angu, taioba e carne moída. Uma delícia! Concordo ainda que algumas realmente não combinam com nosso paladar, ou com nosso organismo. Por favor, não me convide pra comer aqueles espetinhos chineses preparados pelo Liu, tá? :))) Não sou muito chegada a insetos.
Bom você ter gostado, Serjão.
Beijos.
Comentário de Cafu em 4 abril 2009 às 11:40
Sérgio,
Como vc é amigo, não lhe convido prum bolo com café. Gracias pelo comentário...e já pra cozinha. Hahaha.

Helô,
Aquela cena da Tita trucidando o pescocinho da pobre codorna arrepia a espinha, mas o resto é lindo.

Beijos procês.

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