CPI está ameaçada de virar “mico” (por causa do PT)

Por Raymundo Costa | Valor

 

BRASÍLIA  - A CPI do Cachoeira está ameaçada de virar um “mico” em mãos do PT, após a trégua estabelecida entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, com a intermediação da presidente Dilma Rousseff e do presidente do STF, Ayres Brito.

O PMDB, partido majoritário no Congresso, nunca teve interesse na CPI, apesar das tentativas de convocação de seu governador no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O pior é a divisão interna do PT. Sem um comando claro, o partido atira a esmo na comissão de inquérito.

Como reconheceu o próprio presidente do PT, Rui Falcão, a CPI foi criada entre outros motivos para demonstrar “a farsa do mensalão”, a antiga cantilena de que os partidos são todos iguais e que o PT, nas eleições de 2004, não fez nada além do que já era uma prática usual _caixa 2 para financiar campanhas.

Sem o mensalão e o confronto com Gilmar Mendes e o STF, a CPI do Cachoeira perde virtualmente a razão de ser. O contraventor Carlos Cachoeira já está preso, o senador Demóstenes Torres dificilmente escapa do processo na Comissão de Ética do Senado e os governadores Marconi Perillo (PSDB-G) e Agnelo Queiróz (PT-DF) terão de se haver com as respectivas assembleias.

Está nas mãos do ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, agravar ou arrefecer a crise criada com o embate entre Lula e Mendes _ o segundo acusou o ex-presidente da República de tentar chantageá-lo, com base em suposto material arquivado na CPI, para que o ministro trabalhasse em favor do adiamento do julgamento do processo.

Se Lewandowski não apresentar logo seu parecer, como era antes esperado, a crise volta a se agravar e a CPI volta a ter algum interesse. Caso ele a apresente o relatório já na próxima semana, como acreditam alguns dos réus do processo, a crise institucional esfria. A menos que surjam, é claro, novas revelações.

O problema do PT é a divisão do partido, que se reflete na composição da CPI. De seus três integrantes, o relator Odair Cunha (MG) é ligado ao grupo do líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP) e do presidente da Câmara, Marco Maia (RS), que vive em disputa com as demais tendências em busca de mais espaço no Legislativo e no Executivo.

O outro integrante é Paulo Teixeira (SP), que é ligado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o terceiro é o deputado Cândido Vaccarezza, do grupo majoritário e que na CPI expressa o pensamento do ex-ministro José Dirceu.

A bancada da Câmara do PT também não se entende com a do Senado, seja qual for o assunto. O mesmo serve para definir a posição dos senadores, nos quais os líderes do Congresso, José Pimentel (CE), o líder da bancada, Walter Pinheiro (BA), e o ex-líder Humberto Costa também não conseguem acertar o passo.

Há quase um mês e meio em atividades, a CPI do Cachoeira não conseguiu avançar significativamente. A comissão corre o risco de chegar ao final de junho sem ter o que apresentar. Logo a seguir será o recesso e os congressistas entram em campanha eleitoral.

(Raymundo Costa / Valor)



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