CPMI precisa ter personalidade e evitar arapucas como o caso Veja-Gilmar

Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

A velha imprensa, em conluio com a oposição, vai falar que a CPMI do Cachoeira está lenta, que está na UTI, que vai acabar em pizza etc. Parlamentares gostam de ser vistos falando nas CPI's e não de ficar escondidos em uma sala-cofre com documentos sigilosos. Mas a CPMI não tem escolha.

A nitroglicerina pura está na sala cofre. Nenhum depoimento extrairá mais informações do que tem lá. Por isso, o relator – e a parte da base governista que está de fato interessada em desbaratar o esquema Cachoeira e seus tentáculos – terá que ter personalidade, aguentar as críticas e concentrar mais os trabalhos na garimpagem desse material que lá está.

É preciso, inclusive, analisar todas as escutas onde jornalistas e órgãos de imprensa não faziam apenas o trabalho de ouvir a fonte. Já há casos de escutas em que um jornalista de revista Época é quem torna-se fonte de informação para o araponga Dadá proteger a empreiteira Delta.

É lá na sala-cofre que está o caminho do dinheiro sujo. Já há sigilos quebrados das empresas "laranjas" do esquema usados para movimentar o dinheiro. Tem que achar as pontas finais da grana: os políticos, jornalistas, veículos de imprensa e autoridades que receberam dinheiro sujo.

Há pressões para quebrar o sigilo da Delta nacional. Que se quebre, mas em hipótese alguma pode-se desviar o foco de seguir o caminho do dinheiro das empresas "laranjas" que já estão identificadas. E é por isso que a oposição demotucana e a revista Veja, querem criar factóides para melar o trabalho sério da CPI.

A matéria da revista Veja sobre o encontro de Gilmar Mendes com Lula foi caso típico. Veja carregou nas tintas, atribuindo a uma conversa normal suposta conduta ilícita do ex-presidente Lula. O boato ficou sendo espalhado e repercutido, durante todo o fim de semana.

Na segunda-feira, o próprio Gilmar Mendes deu uma entrevista recuando, e desmentiu o que haveria de grave na matéria da revista Veja. No final ficou o factóide. Nem processo cabe, já que o próprio Gilmar Mendes se encarregou de descaracterizar qualquer calúnia.

O modus operandi da velha imprensa, no caso Veja-Gilmar Mendes, lembra muito aquela armação da ex-secretária da Receita Federal contra a então ministra Dilma Rousseff. Primeiro surgiam acusações pesadas, que não se sustentavam, depois se ocupavam do acessório, que também não se sustentou. Mas o objetivo era apenas desgastar a imagem e ocupar a pauta com noticiário negativo sobre a adversária política.

Sabendo disso, a CPI precisa se "blindar" é de factóides e, para isso, seguir o árduo trabalho de analisar dados, o que não beneficia, num primeiro momento, os parlamentares íntegros. Sem poder vazar informações sigilosas, o trabalho anda, mas não aparece ao grande público neste momento. Só aparecerá mais ao final. Por isso exige personalidade forte, determinada e disciplina dos parlamentares comprometidos com apuração rigorosa.

E, porque nem todos os parlamentares têm capacitação para garimpar dados, talvez seja hora de requisitar quadros técnicos especializados, seja da polícia federal, seja da Receita, seja do Banco Central, para compor uma força-tarefa. A velha imprensa criticará, mas a nação agradecerá pelos resultados concretos alcançados.

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