Uni duni tê salamê minguê um sorvete colorê. Assim, entre quatro, escolhi uma estante. Chegou a vez, de também à esmo, escolher um livro para ler tranquilo em uma fresca tarde de domingo. Uma pul-ga-na-ba-lan-ça-deu-um-pu-lo-e-foi-à-fran-ça-ma-mãe-man-dou-pe-gar-foi-es-se-a-qui. Pronto! Peguei “Alfa do centavo”, de Austregésilo de Athayde. Sentei-me refesteladmente na poltrona do papai e comecei a ler. Comecei a reler, pois todos aqueles livros estão nas minhas estantes por décadas; consequentmente, já foram lidos. E ademais, intelectual nunca lê, sempre relê! Mesmo que seja Paulo Coelho ou Jô Soares, a gente nunca confessa que jamais leu. Logo, logo, na orelha, fico sabendo que o nome do longevo presidente dos imortais era, na íntegra, Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde! Pô! Com um nome desses eu também daria tudo de mim para sobressair-me. Vai ver que quando menino só era chamado de Mino ou Gezim e na escola deve ter sofrido gozações. Um nome desses tem que ser dignificado e honrado! Foi um grande homem. Digno e nobre literato.

               Divergi-me da leitura e comecei a pensar sobre os nomes estapafúrdios e os motivos que levam os pais a coloca-los nos indefesos filhos que não teem como rejeita-los. Alguns eu sei que a culpa é dos tabeliães. Ou escrivães. Sei lá como se nomeiam os titulares do registro civil. Só sei que vez ou outra aprontam, trocando letras ou fazendo sugestôes. Conheci um desses tabeliães, (ou escrivães? ainda não sei) que se chamava Fabricio dos Reis. Pois não há de ver que ele registrou o filho com o nome de Joaquim Valim dos Reis Junior? A explicação é que ele era “fissurado” no nome junior e o colocou no filho. Foi até bom pois o Quinzito, como era chamado, virou vereador e quase foi prefeito. Eu, também, corri certo risco em matéria de nome. Meu pai era manicado por teatro e principalmente pelos clássicos gregos. Por sorte minha, ele gostava mais de tragédias do que de comédias, então recebi o nome do autor de Alceste (Euripedes). Caso contrário eu iria ter o nome do autor de As Nuvens. Já pensaram, o sêo Oripe aqui carregando o nome de Aristófanes pelo resto da vida? Preferível o apelido de Mané, colocado em mim por meu gozador irmão mais velho e que carrego desde criança. Ele achava que eu estava mais para português do que para mineiro.

               Em minha família, por causa do meu avô aparecem nomes realmente exdrúxulos. Vovô chamava-se Luis Ignácio, mas não tinha apelido de Lula. Na década de 1970, quando Lula começou a ser notado, meu avô já havia ultrapassado os cem anos de idade e pouco soube do glorioso presidente. Ainda bem, pois o velho era um “tremendo direitaço” eleitor da UDN, correligionário de Rui Barbosa, Washington Luis e que tais. Foi seminarista, mas não teve coragem de ordenar-se padre e casou. Seus dois primeiros filhos receberam nomes bíblicos Ruth (minha mãe) em homenagem à bisavó de David. E Jeovah, em homenagem ao supremo criador, lá dos hebreus. Mas depois, ele pensou melhor e converteu-se ao kardecismo. Aí né? La vieram nomes de guias e mentores espirituais notáveis. Minhas tias chamavam-se Katie-king, Ólbia e Aisha. Todos, nomes de espíritos que apareciam nos livros psicigrafados.

              Conheço vários casos de nomes pitorescos, tais como uma família em Uberaba, que tinha uma Ranulfa, um Brederodes e um Epaminondas, mas o caçula era Marcos Vinícius. Houve também o caso do “turco” (como em Uberaba tem sírios, turcos, libaneses e descendentes de!...) quando foi registrar o filho com o nome de Davi. O escrivão (ou tabelião) como sempre muito enxerido disse: -- Vai colocar nome de judeu no seu filho? Davi é nome de judeu! O pai então, resolveu e mudou para Salim. Mudou e registrou, mas não contou para ninguém e o Davizinho só foi saber que se chamava Salim quando foi entrar na escola e precisou de uma certidão.

              Outro caso realmente digno de nota, deu-se em pequena cidade do interior mineiro, com pouco mais de 5.000 habitantes, onde se viviam pacatamente, sem desavenças entre famílias ou querelas políticas e melhor ainda, sem fofocas de adultério. Ninguém se preocupava se alguém dava para alguém ou se alguém sabia quem.. Viviam todos em paz e harmonia. Sêo Jerônimo Rosa, casou-se com dona Jersina Pinto e tiveram quatroo filhos. Os nomes eram normais. Todos começavam com a sílaba “GE”. Gerson, Geraldo, Genoveva e Genésio. Aí, nasceu o quinto e último. Na hora de registrar, o tabelião (ou escrivão) deu o palpite de colocar o nome do pai. Sugestão aceita, lá foi o


puxa-saco do escrivão (ou tabelião) fazer o registro. E cometer erros! Começou escrevendo Gerônimo, assim mesmo, com “G”. Depois, para caçambar o rico fazendeiro, não colocou o Pinto no Jerominho, que ficou se chamando apenas Geronimo Rosa Filho. Era o único da família Rosa que não tinha pinto.

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Comentário de Maria Danielle O. Silva em 7 fevereiro 2012 às 9:37

A quem deseje escolher o próprio nome. Se um dia isso puder ser feito, seria fácil mudar Gerolina para Angélica, Hortelina (sim, são irmãs) para Miriam, Derdébio para Augusto ou quem sabe Xanna (isso mesmo) para Alice, quem sabe...

Mesmo atípicos, mesmo atribuidos com afeto, essa palavra chamada nome próprio deve ser dada com cuidado, ou então teremos mais uma TREISCI que prefere ser chamada de TAÍS... (Os nomes acima existem, são alunos meus).

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